Tricolor busca se recuperar do vexame no clássico e da crise institucional em duelo decisivo na Libertadores
Depois uma estreia xoxa, capenga e manca, seguida de um clássico anêmico, frágil e inconsistente, o Fluminense volta a campo nesta quarta-feira (15), às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Independiente Rivadavia no Maracanã. O confronto, válido pela 2ª rodada do Grupo C da Conmebol Libertadores, será transmitido pela TV Globo, ESPN e Disney+.
O que deveria ser uma noite de festa continental virou um teste de paciência para o torcedor que já perdeu a conta dos erros cometidos pela diretoria e pela equipe nos últimos dez dias. O empate sem gols na Venezuela contra o fraco La Guaira e a derrota no Fla-Flu, agravada pela decisão patética da diretoria de aceitar o adiamento do clássico para beneficiar o rival, deixaram o clima em Laranjeiras ainda mais tenso. Agora, o Time de “Guerreiros” precisa provar dentro de casa que ainda tem forças para lutar pelo bicampeonato, antes que se torne um drama irreversível.

Mais um duelo inédito
O adversário da vez é o Independiente Rivadavia, que vive o melhor momento de sua história centenária e ocupa a liderança do grupo após vencer o Bolívar na estreia. Conhecido como “Lepra” em Mendoza, o time joga de forma muito compacta e letal no contra-ataque, tendo em Sebastián Villa sua principal válvula de escape. É como um Mirassol do Grupo C: sem tradição continental, mas que chega motivado por uma goleada no campeonato nacional e se aproveita da desorganização mental dos oponentes para aprontar.
Este será o primeiro confronto oficial entre as duas equipes na história, uma página em branco que pode se tornar um pesadelo se o Flu repetir o futebol pobre das últimas partidas. Enquanto os argentinos jogam sem o peso da obrigação, o Tricolor entra agitado por uma crise interna que ele criou ao se apequenar diante dos interesses do rival no último fim de semana. O duelo vale, acima de tudo, a paz nas Laranjeiras.
Provável escalação e desfalques
O maior baque é a ausência de Lucho Acosta, que sofreu uma lesão ligamentar no joelho aos 10 segundos do clássico e ficará fora por pelo menos um mês. Além dele, o departamento médico segue lotado com peças como Soteldo, Germán Cano, Facundo Bernal, Nonato e Matheus Reis, limitando muito as opções de mudança no decorrer da partida.
A provável escalação do Fluminense tem: Fábio; Samuel Xavier, Jemmes, Freytes e Renê (Arana); Hércules, Martinelli e Ganso; Canobbio, Savarino (Serna) e John Kennedy (Castillo).

O Fluminense contra si mesmo
Nesta quarta-feira, não existe outra opção a não ser a vitória. O Fluminense se colocou em uma crise que ele mesmo inventou ao priorizar o descanso do rival no clássico e agora enfrenta as consequências de um planejamento logístico desastroso que comprometeu a recuperação física dos seus atletas. Perder pontos no Maracanã para um estreante argentino não é só um deslize, é um atestado de incompetência que pode obrigar o clube a repensar todo o planejamento para 2026 antes mesmo do fim de abril.
Caso o Independiente Rivadavia consiga um resultado positivo no Rio, abrirá uma grande vantagem no topo do Grupo C, colocando o Tricolor numa situação desesperadora em que dependerá de vitórias na altitude de La Paz e na pressão argentina em Mendoza.
Não haverá clima de comemoração nas arquibancadas. O torcedor não vai aceitar passividade após ver a diretoria sentar no colo do rival e o time apresentar um futebol frágil no momento que a temporada exige força.
O Time de Guerreiros precisa reaparecer imediatamente, ou o sonho do bicampeonato corre o risco de acabar antes de começar. A Glória Eterna não aceita times anêmicos nem gestões submissas. Amanhã, o Maracanã será o termômetro: ou os jogadores respondem com raça e técnica para conter a crise, ou a situação vai esquentar de um jeito que ninguém nas Laranjeiras conseguirá controlar. É hora de parar de errar sozinho e começar a honrar a camisa que carrega o patch de campeão do continente.
Por Adrielle Almeida
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.