A favorita juventude Espanhola


Apostando no talento da juventude, a Espanha embarca nessa Copa como grande favorita

Toda Copa do Mundo traz consigo uma nova história para cada país classificado. Algumas seleções vão atrás de reescrever uma nova página, outras buscam iniciar uma nova era e sempre existem aquelas que carregam o favoritismo e todas as expectativas nas costas, onde os olhos do mundo inteiro se voltam para uma camisa que carrega a difícil missão de sustentar o protagonismo dentro de campo. E em 2026, poucas seleções chegam tão cercadas de expectativas quanto a Espanha.

Além da velha experiência, a La Roja desembarca para essa Copa carregada de jovens atletas que já deixaram de ser apenas promessas e hoje são protagonistas dentro da seleção comandada por Luis de la Fuente. E junto com o talento, vem também a pressão: a difícil missão de disputar uma Copa do Mundo sendo uma das favoritas ao título, a seleção que todos querem derrubar e aquela que muitos torcedores preferem ver eliminada antes mesmo de cruzar o caminho do seu país.

História em Copas:

A história da La Fúria na Copa do Mundo começou 1934, na segunda edição, e com um formato totalmente diferente do que vemos atualmente, os Espanhóis foram eliminados nas quartas de final em um jogo desempate diante a Itália, após o empate no primeiro jogo por 1×1.

Desde sua estreia na competição até essa super edição em 2026, a seleção já conta com 17 participações, sendo 13 consecutivas e ficaram de fora apenas de 5 edições.

Apesar de sempre revelar grandes jogadores e praticar um futebol admirado pelo mundo inteiro, demorou décadas para os espanhóis finalmente conquistarem o planeta e deixarem para trás a fama de falhar em momentos decisivos, o famoso “pipocar”.

A Espanha precisou esperar 76 anos entre sua primeira participação em Copas do Mundo e o primeiro título. Desde a estreia em 1934 até o grito de campeão em 2010, passaram gerações, fracassos e grandes elencos que bateram na trave antes da geração de Iniesta finalmente colocar o país no topo do futebol mundial.

Foi na Copa realizada na África do Sul que a história mudou. Todas as peças se encaixaram, o mundo parou para assistir Iniesta e companhia e, ao final da competição, o povo de vermelho finalmente pôde soltar o tão sonhado grito de campeão do mundo.

Após a primeira conquista, o que muitos esperavam era o domínio espanhol por mais anos, uma seleção capaz de empilhar títulos e continuar reinando no futebol mundial. Mas o cenário foi completamente diferente: eliminações precoces, frustrações e uma coleção de decepções.

A queda em 2014 talvez tenha sido a mais dolorosa de todas. Eliminada ainda na fase de grupos, a atual campeã do mundo sofreu duas derrotas, incluindo a vexatória goleada por 5×1 diante da Holanda, além de um triunfo na última rodada que já não valia absolutamente mais nada.

As duas Copas seguintes também terminaram cedo para os espanhóis. Tanto em 2018 quanto em 2022, a eliminação veio nas oitavas de final e nas penalidades máximas, primeiro diante da anfitriã Rússia e depois contra o Marrocos.

Deixando sempre aquela sensação de que a época de ouro já havia passado, e íamos sempre amargar fracassos ano após ano apesar de um título ou outro no meio do caminho.

Foto: SEFutbol

Um título e outro no meio da preparação:

Se os últimos ciclos da seleção ficaram muito abaixo do esperado, então o que faz essa Espanha entrar como favorita para levantar esse troféu?! E talvez seja justamente o aprendizado deixado por todos esses fracassos.

A experiência de quem esteve presente nos erros antigos e hoje carrega a bagagem do que não pode mais ser repetido, somada ao sangue novo dessa geração absurda de jovens prodígios, faz a Espanha voltar a sonhar alto.

Podemos dizer também que o título da Eurocopa de 2024 foi uma virada de chave para essa nova geração que além de levantar o troféu de forma invicta, terminou a competição com 100% de aproveitamento, vencendo todas as partidas, batendo grandes seleções como Croácia, Itália, Alemanha, a lendária final antecipada diante a França, e a final contra a Inglaterra, se tornando os maiores vencedores com quatro títulos levantados.

Depois de vencer a Euro com tanta maestria, veio a euforia de que a Nations League poderia seguir o mesmo caminho, mas apesar de um início avassalador, perdemos a grande final, e como de praxe, nas penalidades máximas para o Portugal, após deixar para trás as seleções da Holanda, e novamente a França.

Apesar da perda do título, talvez essa tenha sido a maior diferença dessa nova Espanha para as antigas eliminações. Antes víamos uma seleção presa na posse de bola e sem poder de decisão; agora vemos um time ofensivo, jovem, intenso e que mesmo perdendo consegue deixar a sensação de que está cada vez mais próximo de voltar ao topo do mundo.

E é isso que traz o feeling de que os ares estão mudando e agora os meninos sabem se portar diante uma grande partida, além de todo repertório que eles já trazem dos seus clubes, onde a maioria carrega o protagonismo.

Foto: SEFutbol

Convocação:

A convocação do Luís trouxe várias surpresas, dentre elas a ausência de jogadores do Real Madrid nesses 16 anos de seleção Espanhola na Copa do Mundo.

Perguntando sobre a ausência dos Madridistas, o treinador da seleção afirmou que não convoca olhando os clubes que cada atleta está e sim o momento atual de cada um:

“Bom, felizmente eu sou técnico da seleção nacional. Não olho a procedência de nenhum jogador. Acho que já comentei isso em outras ocasiões. Eu apenas observo se o jogador tem a possibilidade de jogar conosco. Para mim, são jogadores da seleção espanhola, da equipe da seleção espanhola. Não olho se vem de um clube ou de outro.”

Os escolhidos para essa Copa do Mundo se apresentaram no dia 30 de maio no CT Cidade do Futebol, em Las Rozas. Os espanhóis farão dois amistosos antes da Copa do Mundo: no dia 4 de junho, contra o Iraque, na Espanha, e no dia 8 de junho contra o Peru, no México.

O comandante Espanhol também falou sobre esse favoritismo que seu elenco carrega, e ressaltou a importância do time não jogar com essa pressão toda:

“Gosto do fato de você ter aqui “uma das favoritas”. Há muitas candidaturas, talvez mais do que eu me lembro em outras Copas do Mundo. São equipes com qualidade e atitude para serem campeãs. Isso não pode virar uma pressão para nós. O que conquistamos até aqui é fruto de muito trabalho e de um grande desempenho coletivo. Foi esse caminho que nos trouxe até aqui.”

Pertencente no grupo H juntamente com Uruguai, Cabo Verde e Arábia Saudita, a juventude Espanhola tem um difícil caminho pela frente, iniciando sua trajetória na segunda-feira (15), às 13:00, diante o Cabo Verde.

O peso do favoritismo:

É inegável que os meninos chegam com uma pressão gigantesca e precisam demonstrar todo esse favoritismo dentro das quatro linhas, o individual de cada um é bastante agradável de se ver e o coletivo também já mostrou que dá certo. É repetir o ótimo trabalho que vem sendo feito e ajustar os últimos pontos que ainda são necessários.

Temos pela frente uma seleção recheada de atletas que entram em campo com fome de fazer história, colocar seus nomes eternizados no futebol espanhol e levar novamente o tão sonhado troféu para as ruas da Espanha.

A pressão é gigantesca, o favoritismo também e toda Copa do Mundo costuma ser traiçoeira até para os melhores elencos. Mas olhando para essa geração com Lamine, Pedri, Gavi e Nico Williams, fica difícil não acreditar.

Existe talento, existe um novo trabalho e existe uma identidade dentro de campo e, principalmente, existe uma fome enorme de fazer história.

A Espanha já mostrou para a Europa que voltou a ser uma potência. Agora chegou a hora de provar para o mundo inteiro que aquele título de 2010 não foi um ponto fora da curva, e sim parte da história de uma seleção que quer voltar a sentar no topo do futebol mundial!

 Por: Thais Santos

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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