Sob o comando de Vincenzo Montella, os 26 convocados oficiais encerram um doloroso jejum de 24 anos e trazem um futebol dinâmico para encantar o mundo
A espera finalmente acabou para os torcedores mais passionais do planeta. A seleção da Turquia está oficialmente de volta à Copa do Mundo da FIFA após um longo e doloroso exílio de 24 anos. O anúncio da lista final de 26 jogadores que representarão o país na América do Norte traz uma deliciosa mistura de alívio e pura expectativa. O país renasce esportivamente com uma equipe que une técnica refinada, carisma inegável e muita vontade de vencer.
Essa nova geração de atletas não viaja apenas para preencher tabela. Eles chegam com a missão clara de encantar o público e entregar grandes espetáculos táticos. Com talento de sobra, esses garotos prometem conquistar quem acompanha o futebol com a sensibilidade de quem reconhece um verdadeiro espetáculo. Liderada por jovens prodígios de nível internacional, a Turquia se posiciona como uma das equipes mais instigantes do torneio.

De 1954 ao bronze de 2002: O legado histórico das estrelas crescentes
A trajetória turca nas Copas do Mundo é repleta de momentos dramáticos e grandes reviravoltas. Em 1950, a seleção conquistou a vaga, mas a grave crise financeira forçou a federação a desistir da viagem devido aos custos. Quatro anos depois, na Suíça, a classificação veio de forma inusitada através de um sorteio e terminou com uma goleada de 7 a 0 sobre a Coreia do Sul.
O ponto mais alto da história esportiva do país ocorreu na Copa de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Naquela ocasião, o técnico Şenol Güneş unificou torcidas rivais e liderou uma campanha memorável. A Turquia conquistou o terceiro lugar do mundo, vendendo caro as derrotas para o campeão Brasil. Aquela geração dourada estabeleceu o padrão de excelência que todos tentam repetir.
A qualificação para 2026 exigiu paciência e muito caráter tático na repescagem europeia. Depois de terminar a fase de grupos atrás apenas da poderosa Espanha, a Turquia eliminou a Romênia por 1 a 0. A vaga histórica foi carimbada em Pristina com uma vitória por 1 a 0 sobre o Kosovo, graças ao gol decisivo do atacante Kerem Aktürkoğlu.
A doutrina Montella e o raio-X dos 26 convocados
A reconstrução da identidade competitiva da Turquia é obra direta do italiano Vincenzo Montella, carinhosamente apelidado em seus tempos de jogador como “L’Aeroplanino” (O Pequeno Avião). Contratado em 2023, o treinador conseguiu pacificar um ambiente historicamente conhecido por rachas internos e excesso de pressão da mídia esportiva de Istambul. Montella frequentemente destaca que se sente em casa na Turquia por ter sido criado nos arredores de Nápoles, compartilhando da mesma paixão e respeito que definem a cultura local.
Taticamente, o comandante estruturou a equipe em um sistema 4-2-3-1 altamente maleável, priorizando a posse de bola no meio-campo e a transição ofensiva rápida. Com o craque Hakan Çalhanoğlu ditando o ritmo de jogo em uma função de armador recuado, os jovens pontas ganham total liberdade para desfilar criatividade e improviso no último terço do campo. Abaixo, confira os escolhidos divididos por posição:
Goleiros: Altay Bayindir (Manchester United), Mert Günok (Fenerbahce), Ugurcan Cakir (Galatasaray);
Defensores: Abdulkerim Bardakci (Galatasaray), Caglar Soyuncu (Fenerbahce), Eren Elmalı (Galatasaray), Ferdi Kadıoğlu (Brighton), Merih Demiral (Al-Ahli), Mert Müldür (Fenerbahce), Ozan Kabak (Hoffenheim), Akaydin (Çaykur Rizespor), Zeki Celik (Roma);
Meio-campistas: Hakan Calhanoglu (Inter de Milão), Ismail Yuksek (Fenerbahce), Kaan Ayhan (Galatasaray), Orkun Kökçü (Besiktaş) e Salih Ozcan (Borussia Dortmund);
Atacantes: Arda Güler (Real Madrid), Barış Alper Yılmaz (Galatasaray), Can Uzun (Eintracht Frankfurt), Deniz Gül (Porto), Irfan Can Kahveci (Kasımpasa), Kenan Yildiz (Juventus), Kerem Akturkoglu (Fenerbahce), Oguz Aydin (Fenerbahce) e Yunus Akgun (Galatasaray).

Os cortes de Montella e as táticas sem um camisa 9 clássico
Para fechar a lista oficial de 26 convocados, Montella precisou tomar decisões difíceis e cortar nove atletas que faziam parte da lista de preparação. A ausência mais debatida pela imprensa turca foi a do jovem atacante Semih Kılıçsoy. Embora o atleta de 20 anos venha de atuações promissoras pelo Cagliari, na Série A italiana, relatórios apontaram que Kılıçsoy apresentou problemas com o controle de seu peso corporal e perda de ritmo de treino, fazendo o treinador optar por devolvê-lo à equipe Sub-21.
Outro desfalque de peso foi o de Enes Ünal, experiente centroavante do Bournemouth. Ünal sofreu com recorrentes lesões no joelho que comprometeram severamente sua minutagem e consistência física na Premier League, inviabilizando sua convocação em plenas condições competitivas. Na defesa, promessas como Ahmetcan Kaplan também acabaram preteridas em prol de uma base mais experiente de defensores que já atuavam juntos desde a Eurocopa.
Esses cortes significam que a seleção turca não contará com um centroavante clássico de área no torneio no auge de sua forma física. Taticamente, isso força Montella a adotar um ataque móvel, no qual atletas rápidos como Barış Alper Yılmaz e Kerem Aktürkoğlu alternam funções de referência. Embora essa escolha reduza a presença física na área adversária, ela confere uma enorme fluidez estética e imprevisibilidade ao setor criativo liderado por Arda Güler e Kenan Yıldız.
O caminho na primeira fase
A campanha turca na fase de grupos será um verdadeiro teste de fogo físico e tático. Sorteada no Grupo D ao lado de Austrália, Paraguai e dos donos da casa, os Estados Unidos, a seleção estabeleceu seu quartel-general de treinamentos na cidade de Mesa, no Arizona, focando em uma rápida aclimatação às exigentes temperaturas norte-americanas.
A estreia oficial está marcada para o dia 14 de junho contra a Austrália, em Vancouver, no Canadá, exigindo paciência contra um adversário de forte imposição física. Na sequência, em 19 de junho, a equipe viaja a Santa Clara para encarar o Paraguai, seleção reconhecida pela forte compactação defensiva sob o comando de Gustavo Alfaro. O encerramento da fase de grupos ocorre em 25 de junho, contra os donos da casa, em Los Angeles, sob um clima que promete ser eletrizante para testar a maturidade mental dos jovens atletas turcos.

Esperança, estilo e a alegria do futebol bem jogado
Apesar dos intensos debates na imprensa turca, a atmosfera geral na delegação é de profunda união e entusiasmo. Existe uma convicção real de que essa nova geração possui o teto técnico necessário para romper os traumas do passado e encantar o planeta com jogadas plásticas.
Essa nova safra traz consigo a leveza e a alegria de quem joga sem o peso de fracassos passados. Para quem ama a beleza artística do esporte, o retorno da Turquia à Copa do Mundo é o convite perfeito para acompanhar um futebol elegante, de técnica refinada e guiado por jovens astros que encaram o gramado como o seu grande palco. A esperança de repetir os passos históricos de 2002 é real e promete emocionar o planeta.
Por Adrielle Almeida | 03/06/2026 13h39
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo