Com a parada para a Copa do Mundo, podemos olhar pelo retrovisor e perceber que, apesar das críticas e dos questionamentos que ainda cercam o desempenho em campo, o saldo do Palmeiras na temporada é bastante positivo. O Verdão chega à pausa para o torneio mundial competitivo em todas as frentes, vivo nas três competições que disputa e com uma taça já garantida.
O primeiro grande capítulo do ano foi escrito ainda nos meses iniciais da temporada. A conquista do Campeonato Paulista representou mais do que um título: foi a virada de chave que o elenco precisava após um ano anterior em que brigou por tudo, mas não conquistou nada. Nem tudo, porém, foi simples no caminho até o troféu.
Houve tropeços, e um deles entrou para a história de forma indesejada. A goleada por 4 a 0 sofrida diante do Novorizontino marcou a pior derrota da era Abel Ferreira. Mas o futebol costuma oferecer oportunidades rápidas para respostas, e o Palmeiras soube aproveitá-las. Logo na rodada seguinte, o Verdão venceu o rival São Paulo e recuperou a confiança que parecia abalada. Deixando claro que aquele resultado negativo não definiria sua trajetória.
O destino ainda reservava novos encontros. Na semifinal, mais um Choque-Rei, e novamente o Verdão levou a melhor, garantindo vaga na decisão. Na final, veio o reencontro com o Tigre do Vale. Desta vez, porém, a história foi diferente. A derrota do passado recente ficou para trás e deu lugar à conquista do 27º título estadual do clube. A taça também teve um significado especial para dois personagens centrais dessa era vitoriosa: Abel Ferreira e Gustavo Gómez passaram a ser, respectivamente, o treinador e o jogador com mais títulos na história palmeirense.

Na Copa do Brasil, o caminho foi percorrido sem grandes sustos. A vitória por 3 a 0 sobre o Jacuipense no jogo de ida praticamente resolveu a disputa, e o triunfo por 4 a 1 na volta apenas confirmou a classificação às oitavas de final. Agora, o próximo desafio atende pelo nome de Fortaleza.
Já na Libertadores, a caminhada exigiu mais paciência. O Palmeiras alternou bons e maus momentos na fase de grupos, somando três vitórias, dois empates e uma derrota em seis partidas. A vaga só foi assegurada na última rodada, quando a equipe venceu o Junior Barranquilla por 4 a 1 e garantiu a segunda colocação do grupo. Nas oitavas, o destino coloca novamente no caminho um velho conhecido: o Cerro Porteño.

Se na Libertadores houve oscilações, no Campeonato Brasileiro a história é diferente. O Palmeiras realiza sua melhor campanha na era dos pontos corridos. Em 18 rodadas, venceu doze partidas, empatou cinco e perdeu apenas uma vez. Os números ajudam a explicar a liderança isolada, com 41 pontos conquistados e sete de vantagem sobre o Flamengo, principal perseguidor.
Foi justamente diante dos cariocas que o Verdão viveu um dos momentos mais marcantes da temporada. No Maracanã lotado, a vitória por 3 a 0 representou muito mais do que três pontos. O resultado consolidou a liderança, fortaleceu a confiança do elenco e abriu uma vantagem importante sobre um concorrente direto na luta pelo topo da tabela.

Ainda assim, nem todos estão plenamente satisfeitos. Parte da torcida segue cobrando um futebol mais vistoso, capaz de unir resultado e espetáculo. Por outro lado, há quem veja a situação por outra perspectiva: nem sempre é possível vencer e convencer ao mesmo tempo. Em competições longas e disputadas, a capacidade de somar pontos, avançar de fase e manter a regularidade costuma falar mais alto.
Talvez o Palmeiras ainda não apresente o futebol encantador que alguns esperam. Mas também é verdade que a equipe construiu, até aqui, uma campanha sólida, consistente e competitiva. E, enquanto a bola descansa durante a Copa do Mundo, o Verdão pode olhar para o que fez até agora com a certeza de que segue firme na disputa por objetivos importantes.
Vamos em busca de mais!
Cabeça fria, coração quente!
Avanti Palestra!
Por Rafaela Cerqueira Martins
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