Com gols de Savarino, Castillo e John Kennedy, Tricolor supera o Santos por 3 a 2
Em um jogo que deixou o torcedor tricolor roendo as unhas e testou a capacidade de reação da equipe, o Fluminense venceu o Santos por 3 a 2 na tarde deste domingo (19), na Vila Belmiro. A partida mostrou a resiliência de um time alternativo, que conseguiu superar um começo lento e os erros individuais para buscar o resultado com base no caráter. Esta vitória na Vila Belmiro mostra que o time tem raça e consolida a mentalidade do técnico Luis Zubeldía para a sequência da temporada, mostrando que o Flu tem sim elenco capaz de competir no topo.
O triunfo catapultou o Fluminense para a terceira colocação do Campeonato Brasileiro, agora com 23 pontos, apenas três atrás do líder Palmeiras. O resultado serviu como um divisor de águas: após 15 dias de pressão extrema e protestos no CT Carlos Castilho e nas Laranjeiras, o grupo deu a resposta dentro de campo. A vitória com o time modificado fora de casa não só traz tranquilidade ao clima político do clube,, mas também sinaliza que o planejamento para 2026 está nos trilhos, com os novos reforços começando a entregar o protagonismo esperado.

Savarino acorda o Tricolor no primeiro tempo
O jogo teve um início dramático. Após o Santos atrasar em cinco minutos sua apresentação no corredor, o Fluminense pareceu sentir o peso emocional da semana turbulenta.
Logo aos 7′, Hércules arriscou a primeira finalização, mostrando a liberdade concedida por Zubeldía para os volantes chutarem de média distância. No entanto, foi o Peixe quem abriu o placar.
Aos 9′, Alisson foi desarmado por Arão após um erro na saída de bola, e Gabigol aproveitou para marcar o primeiro gol da partida. O Flu parecia entregue, com a bola queimando nos pés e o banco de reservas visivelmente preocupado com a falta de tranquilidade.
Entretanto, o futebol é feito de lances que mudam o destino. Aos 23′, Savarino, flutuando entre as linhas, recebeu a bola e fez uma leitura perfeita do espaço vazio. Do meio da rua, acertou um pombo sem asa impecável que explodiu no travessão antes de entrar, deixando tudo igual na Vila Belmiro.
O golaço serviu de despertador. A partir daí, o Fluminense parou de errar passes bobos, ganhou confiança na saída de bola e passou a controlar as ações, frustrando a pressão santista. Mesmo com o cartão amarelo para Zubeldía aos 34′ e para Alisson nos acréscimos, o Tricolor desceu para o intervalo com a sensação de que o jogo estava em suas mãos.
Redenção de Guga e estrela de JK marcaram o segundo tempo
A segunda etapa começou agitada, e o Santos retomou a liderança aos 56′, quando Barreal aproveitou um contra-ataque e a marcação frouxa de Jemmes para tirar de Fábio e marcar.
Zubeldía não perdeu tempo e lançou John Kennedy aos 57′, mudando o esquema para o 4-4-2. A resposta foi imediata: aos 59′, Savarino iniciou a jogada, Guga fez a ultrapassagem perfeita e cruzou na medida para Rodrigo Castillo, que subiu mais alto que a defesa e marcou o gol de empate. O centroavante argentino, enfim, mostrou o faro de gol que o consagrou no Lanús.
O auge da reviravolta heroica estava reservado para o final. O Fluminense, demonstrando fôlego para ir até o fim, envolveu o oponente com passes precisos.
Fábio ainda segurou o resultado aos 81′ com uma defesa espetacular em chute de Neymar, que teve atuação discreta diante da marcação de Hércules e Bernal.
Aos 85′, em uma jogada trabalhada de pé em pé, Riquelme acionou Guga, que desferiu seu segundo cruzamento magistral na partida. John Kennedy, o urso, apareceu na segunda trave para tocar de perna esquerda e selar a vitória tricolor por 3 a 2.

Equilíbrio e personalidade
Na Vila Belmiro, o que mais impressionou foi a habilidade do Fluminense de terminar o jogo em cima, com mais gás que o adversário. Diferente dos tropeços recentes contra Athletico Paranaense e Vasco, onde o time desmontou fisicamente no segundo tempo, o Tricolor mostrou um equilíbrio necessário para sustentar a intensidade até o apito final.
Guga foi o destaque individual incontestável. Após ser alvo de críticas pesadas e protestos da torcida na última semana, o lateral mostrou personalidade gigante, não “fugiu do pau” e decidiu o jogo com duas assistências cirúrgicas. No pós-jogo, ele desabafou, esclarecendo que o grupo jamais entraria de corpo mole e que a vitória era uma resposta ao trabalho humilde do elenco.
No setor ofensivo, Savarino tomou a liderança na ausência de Lucho Acosta, provando que é um craque capaz de comandar a equipe, apesar de ter características distintas. Castillo também fez valer o investimento, sendo o pivô que incomodou a defesa santista o tempo todo. A vitória fora de casa com um time alternativo é o tipo de ponto precioso que define campeões, permitindo que o Fluminense siga colado no líder e com o moral renovado para o restante da maratona.
Agora é Copa do Brasil
Sem tempo para comemorar, o Time de Guerreiros já vira a chave para o mata-mata. O próximo compromisso será contra o Operário-PR, em Ponta Grossa, na próxima quinta-feira (23), às 21h30, pelo jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil.
A vitória na Vila Belmiro dá a Zubeldía a tranquilidade necessária para gerir o calendário e, quem sabe, promover mais retornos importantes para consolidar de vez a boa fase tricolor no cenário nacional.
Por Adrielle Almeida
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo