Domínio não garante vitória


Sobra futebol, falta frieza, Cruzeiro domina, empilha chances e vê a vitória escapar no apagar das luzes

Na noite desta quarta-feira (15), a torcida celeste testemunhou um roteiro amargo no Mineirão. O Cruzeiro sofreu uma virada nos minutos finais para a Universidad Católica, em mais uma rodada da Libertadores. O revés por 2 a 1 foi reflexo direto de erros pontuais e da desatenção do elenco em momentos decisivos.

Ao avaliarmos o contexto da partida, os números são claros, a Raposa teve o controle, maior posse de bola e criou as melhores chances. No entanto, o adversário deu uma aula de eficiência, algo que falta ao time mineiro. Ficou evidente que ter a bola nos pés não ganha jogo, o que decide o placar é a precisão nas finalizações.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Há tempos observamos uma defesa instável e um ataque que peca pela ansiedade e falta de capricho no último toque. Nesse cenário, a ausência de Kaio Jorge torna-se ainda mais sentida. Não é por acaso que ele é peça-chave, sua capacidade de decidir e sua eficiência na frente do gol fazem falta em noites como esta.

Apesar da frustração, nem tudo está perdido. O time está em fase de reconstrução e apresenta sinais de melhora, mas a evolução precisa ser acelerada. O tempo é um adversário implacável e, no futebol brasileiro, o final do ano chega num piscar de olhos. É preciso ajustes imediatos para que o potencial desse elenco se transforme, finalmente, em resultados.

Primeiro tempo

Essa foi uma daquelas partidas que deixam o torcedor com o coração na boca e o grito entalado. Em um embate tenso no primeiro tempo, o Cruzeiro viu o controle escapar por entre os dedos, enquanto a Universidad Católica foi cirúrgica para castigar no momento certo.

O Cruzeiro começou com fome. Matheus Pereira estava em todo lugar, orquestrando o meio-campo. Logo aos 7 minutos, após uma linda ajeitada de calcanhar do Villarreal, o camisa 10 bateu rasteiro para uma defesa difícil de Bernedo. A Raposa ocupava o campo de ataque, cercava a área chilena e parecia que o gol era questão de tempo. Matheus tentou de falta, tentou de cabeça, mas a bola insistia em não entrar.

Como diz o velho ditado: “quem não faz, leva”. Aos 20 e poucos minutos, o jogo deu uma esfriada com a pausa para hidratação, e a Católica voltou mais ligada. Em um escanteio preciso cobrado por Zuqui, a defesa celeste cochilou. Giani subiu sozinho, soberano, e testou no ângulo. Sem chances para Matheus Cunha. Silêncio no Mineirão: Cruzeiro 0 x 1 Católica.

O gol desestabilizou o time da casa. O Cruzeiro tentou retomar o controle, mas o nervosismo começou a aparecer em passes errados de Villalba e tentativas isoladas. Gerson ainda arriscou de longe aos 38 minutos, mas a bola subiu demais, resumindo a frustração da torcida antes do intervalo.

Aos 41 minutos, o Mineirão prendeu a respiração. Um lance polêmico na área fez o árbitro consultar o VAR. Foram segundos de silêncio absoluto até o veredito: “Segue o jogo!”. Sem pênalti, a Raposa ganhou fôlego para tentar o empate antes do intervalo.

A pressão aumentou. Zuqui era o maestro das bolas paradas, cobrando escanteios que cruzavam a área como mísseis. Aos 45, a chance de ouro: Kaiki colocou a bola na cabeça de Christian. O meia subiu no terceiro andar, superou o marcador, mas a testada saiu tirando tinta da trave. O grito de gol ficou entalado.

A Raposa teve o volume, mas a Universidad Católica teve eficiência. Um primeiro tempo que provou que, no futebol, dominar a posse de bola nem sempre significa dominar o placar. E a esperança era que no segundo tempo o Cabuloso conseguisse o empate e até mesmo a virada.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Segundo tempo

O segundo tempo na Toca 3 foi um roteiro clássico de drama: de um lado, a pressão sufocante e o azar, do outro, a resiliência e o golpe fatal.

O segundo tempo começou com o Cabuloso ocupando o campo de ataque. William ditava o ritmo pelas laterais, buscando constantemente Villarreal na área. Aos 24 minutos, o estádio quase veio abaixo quando Villarreal venceu a marcação pelo alto e testou firme, mas a bola explodiu na trave. No rebote, Christian ainda tentou o arremate sem ângulo, mas a rede teimou em não balançar.

No calor da pressão cruzeirense, a justiça, o lateral Kaiki invadiu a área com perigo e acabou sendo atingido no rosto pela mão de Montes. O árbitro não hesitou e marcou a penalidade máxima, gerando muita reclamação por parte dos chilenos, o que rendeu até um cartão amarelo para o goleiro Bernedo.

Com a responsabilidade nos pés e o Mineirão em silêncio, Matheus Pereira mostrou por que é o cara do time. Com uma frieza absurda, ele deslocou Bernedo com categoria: bola de um lado, goleiro do outro. Foi o gol que incendiou a partida e colocou o 1 a 1 no placar, premiando a insistência da Raposa naquele momento do jogo.

O jogo seguiu tenso, com interrupções e cartões por reclamação, como o de Lucas Romero. O técnico da Raposa tentou dar fôlego novo ao ataque colocando Chico da Costa, que logo levou perigo em lances aéreos servidos por Matheus Pereira e Gerson. Parecia uma questão de tempo até o gol da virada mineira sair.

No entanto, o futebol castigou o volume de jogo do Cabuloso. Aos 48 minutos, a Universidad Católica foi cirúrgica: Valencia levantou a bola na área e Jimmy Martínez apareceu livre para cabecear. A finalização ainda passou entre as pernas do goleiro Matheus Cunha, silenciando a torcida mandante.

Nos últimos suspiros, aos 50 minutos, o Cruzeiro teve a chance da redenção. Matheus Pereira aproveitou uma sobra na área e soltou uma bomba, mas o goleiro Bernedo se esticou todo para fazer uma defesa espetacular. No rebote, Lucas Silva ainda tentou um chute rasteiro, mas Bernedo, em noite inspirada, segurou a vitória chilena por 2 a 1, transformando o domínio celeste em uma amarga derrota em casa.

Próximo jogo

O Cruzeiro já tem compromisso marcado para o próximo desafio no Campeonato Brasileiro Série A. A equipe Celeste enfrentará o Grêmio no sábado, dia 18 de abril, às 20h30 (horário de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte.

Diante da sua torcida, o Cabuloso tentará se erguer após a derrota e transformar o fator casa em vantagem para somar pontos importantes na competição.

Fica reflexão:

Ser torcedor de verdade é ficar quando dói, apoiar quando falta esperança e amar ainda mais quando o time mais precisa.”

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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