Papo de ficar maluco



América empata com a Tombense em jogo caótico e chega a 10 partidas sem vitória na temporada

Com um time completamente alternativo, reforçado por jogadores do sub-20 e comandado pelo auxiliar técnico Diogo Giacomini, o América empatou em 3 a 3 com a Tombense na noite desta quarta-feira (08), no estádio Almeidão, em Tombos, pela Copa Sul-Sudeste. O resultado amplia um dado que, por si só, já diz muita coisa: são 10 jogos sem vencer na temporada.

Foto: Victor Souza/Tombense



Mas antes mesmo de a bola rolar, o jogo já começava estranho. A decisão de poupar não só os titulares, mas também de deixar o técnico Alberto Valentim em Belo Horizonte para comandar treinos visando o próximo compromisso pela Série B, causou incômodo em boa parte da torcida. E, sinceramente, eu entendo o desconforto. Ao mesmo tempo, também entendo a escolha. Depois de tantas falas reforçando que a competição seria utilizada para rodar o elenco e que o foco é a Série B, e considerando que o América chega à quarta rodada com apenas um ponto, faz sentido priorizar o que realmente define o ano do clube. Ainda mais quando o próprio cargo do treinador parece cada vez mais condicionado aos resultados na liga nacional.

Mas vamos ao jogo. E que jogo.

O América conseguiu transformar uma partida comum em um verdadeiro surto coletivo. Logo aos três minutos, saiu atrás no placar em mais uma falha defensiva que tem se tornado rotina. O jogador da Tombense teve liberdade para driblar duas vezes dentro da área e finalizar sem grandes dificuldades. Era o tipo de lance que já acendia o alerta de que a noite não seria simples.

Ainda assim, o time tentou reagir. Com Person sendo o jogador mais lúcido no meio-campo, o América até conseguiu criar algumas oportunidades, mas esbarrou em uma boa atuação do goleiro Douglas Marques. No ataque, Segovinha aparecia bem nas jogadas, mas pecava demais na finalização, desperdiçando chances claras ainda na primeira etapa, como destacou Frederico Teixeira, em matéria para O TEMPO Sports.

Se o primeiro tempo foi de frustração, o segundo foi de puro caos. Em menos de 15 minutos, o América virou o jogo com gols de Paulo Victor e Paulinho, em cobrança de pênalti. Era o momento em que parecia que, enfim, o time conseguiria controlar a partida. Mas esse América de 2026 não tem permitido ao torcedor viver um jogo tranquilo.

Pouco depois, o Tombense empatou novamente, também em cobrança de pênalti. E, quando parecia que o empate já seria ruim, mas administrável, veio a virada dos donos da casa com um belo gol de Juanzin. Mais uma vez, o roteiro da frustração parecia completo.

Mas o jogo ainda guardava mais um capítulo. Já nos acréscimos, em um lance praticamente resolvido pela defesa adversária, o América conseguiu um novo pênalti, convertido por Paulinho, fechando o placar em 3 a 3. Um empate que, no contexto do jogo, pode até ser visto como reação, mas que, olhando o momento do clube, soa mais como mais um episódio de instabilidade.

Aliás, talvez essa seja a palavra que melhor define o América hoje: instável. Um time que oscila dentro do próprio jogo, que alterna bons momentos com erros graves, e que não consegue transformar esforço em vitória.

Agora, resta ao torcedor fazer o que tem sido rotina. Esperar. Esperar por uma resposta, por uma mudança, por um jogo em que as coisas simplesmente funcionem. No domingo (12), o compromisso será novamente decisivo, desta vez no Independência, e mais uma vez o torcedor será chamado a fazer sua parte.

E eu reforço, mesmo no meio desse cenário desgastante: é hora de estar presente. Para apoiar, para cobrar, para se fazer ouvir. Porque a fase é ruim, sim. Mas o América continua sendo nosso, independentemente de quem esteja vestindo a camisa neste momento.

Laura Assis Ferreira

Os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


3 comentários sobre “Papo de ficar maluco

Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se