No futebol, na maioria das vezes, o que fica é o resultado final, a bola na rede. No entanto, algumas equipes, ainda que não fiquem com a taça, tornam-se exemplo de bom futebol e deixam aquele gostinho de “quase”.
Em 1982, um dos maiores elencos que já vestiu a camisa da Seleção Brasileira, com um meio de campo mágico formado por Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo, perdeu o título para a Itália, por 3 a 2. Até hoje, lamentamos essa derrota. Na mesma medida, fica a dor de, pelo mesmo placar, ter pedido o título de primeiro time campeão mundial de futebol feminino para o Arsenal, neste domingo (01).
As Brabas não se apequenaram, pelo contrário, foram gigantescas, aguerridas, raçudas. A disparidade entre o futebol sul-americano e europeu, pouco importava. Novamente, jogamos o favoritismo adversário para o alto e lutamos para mostrar o que somos e quem somos.
De um time que era colocado como figurante, aliás, que diziam que seria atropelado pelo Gotham FC, a uma equipe que por méritos chegou a final. Fomos empurrados pela Fiel, que encantou o mundo com seu “Poropopó”. A sinergia entre time e torcida, ferveu o Emirates Stadium, acordou os sonolentos torcedores ingleses e mostrou a força do Corinthians.
Dominado as ações do jogo, as Gunners abriram o placar com Smith, após erro na saída de bola de Letícia Teles. Sem baixar a cabeça, pouco depois Gabi Zanotti empatou de cabeça.

Na segunda etapa, Wubben-Moy recolocou as donas da casa na frente. Vivemos longos minutos de agonia e, quando vi, estava chorando. Era um sentimento louco de quem tinha que se desdobrar entre a tv, com a final da Supercopa Rei, e o notebook, com a decisão do Mundial. Era uma mistura de sentimentos, uma verdadeira agonia.
Em Brasília, o gol de Gabriel Paulista ia dando o título ao Timão. Mas o coração ficava a cada segundo mais apertado vendo a taça do Mundial dar adeus ao alvinegro. No entanto, como os Deuses do futebol gostam de testar o coração da Fiel, no último minuto de jogo, o VAR chamou para revisão de possível pênalti em Robledo.
Penalidade confirmada e Vic Albuquerque foi para bola. A “maga” tirou da cartola o gol que manteve as alvinegras vivas na partida. Era hora de prorrogação…
Os times estavam exaustos, cada um deu o seu melhor. As donas da casa conseguiram o último gás e, no primeiro tempo da prorrogação, depois de um erro no meio de campo, Foord marcou o gol do título britânico.

Comecei a chorar e nada fazia o pranto cessar. Não conseguia explicar o que estava sentindo, mas sabia do orgulho, da felicidade de ter mulheres tão incríveis vestindo o manto do Timão.
Escolhi escrever somente hoje (2), mais de 24h depois do jogo, pois, mesmo que eu tentasse, jamais conseguiria exprimir em palavras o que vivemos. E sendo sincera, até agora faltam palavras.
Neste mundial, em um momento inoportuno, Gabi Portilho criticou o Corinthians. Sabemos, sim, que falta investimento, apoio e reconhecimento pelo trabalho único que é feito no clube. Agora, voltando com o vice na mala, o que impera é o desejo de que nossas meninas recebam a cada dia melhores condições de trabalho e que possam seguir fazendo história com a camisa alvinegra! Além disso, o Corinthians precisa honrar os compromissos e colocar em dia as premiações que há ano tem sido arrastadas e não pagas.
Parabéns, meninas! Ainda que o título não tenha vindo, nada apaga a grandeza de cada uma de vocês e muito menos diminui o orgulho da Fiel.
Por Mariana Alves
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo