Inter cala Itaquera


Colorado elimina o Corinthians e avança às quartas da Copa do Brasil

Há classificações que valem mais do que uma simples vaga. Há noites que entram para a memória do torcedor pela maneira como são construídas. Foi exatamente isso que o Internacional viveu nesta quinta-feira (6), na Neo Química Arena. 

Imagem: Ricardo Duarte/Internacional

Diante de um Corinthians empurrado por mais de 40 mil torcedores e disposto a transformar a noite em uma remontada histórica, o Colorado mostrou personalidade, maturidade e espírito competitivo para confirmar sua classificação às quartas de final da Copa do Brasil. Mesmo derrotado por 2 a 1, o Inter fez valer a vantagem conquistada no Beira Rio e avançou com um placar agregado de 3 a 2, provando que equipes vencedoras também sabem sofrer quando a ocasião exige.

A atmosfera em Itaquera era de decisão. O Corinthians precisava reverter o placar de 2 a 0 sofrido em Porto Alegre e entrou em campo disposto a pressionar desde o primeiro minuto. O time paulista ocupou o campo ofensivo, aumentou o volume de jogo e tentou empurrar o Internacional para dentro de sua própria área. A estratégia era clara: marcar cedo para incendiar a torcida e colocar o confronto novamente em aberto.

O Internacional, porém, mostrou por que chegou à decisão com vantagem. Longe de se desesperar com a pressão inicial, a equipe comandada por Pezzolano manteve sua organização tática. A defesa formada por Mercado e Maripán venceu a maioria dos duelos pelo alto, Bruno Gomes e Matheus Bahia fecharam bem os lados do campo, enquanto Bruno Henrique e Paulinho ajudavam a conter as investidas pelo meio. O Colorado suportava a pressão com inteligência, sem abrir mão de buscar espaços para contra-atacar.

Apesar da resistência colorada, o Corinthians encontrou o gol aos 42 minutos do primeiro tempo. Após jogada de bola aérea, Gustavo Henrique apareceu dentro da área para finalizar e abrir o placar. O estádio explodiu em festa. O gol recolocava os paulistas na disputa e aumentava a tensão da partida, levando o confronto para o intervalo completamente em aberto.

Se a primeira etapa terminou sob pressão, o segundo tempo reservava o momento que mudaria completamente a história da classificação. O Internacional voltou mais confiante, encaixando melhor suas transições ofensivas e encontrando espaços deixados pelo Corinthians, que precisava se lançar cada vez mais ao ataque.

Foi então que apareceu o nome da noite.

Aos 13 minutos da etapa final, Bernabei aproveitou a oportunidade criada pelo ataque colorado e marcou um gol que valeu muito mais do que o empate. A bola na rede silenciou a Neo Química Arena e colocou o Internacional novamente em situação confortável na eliminatória. O Corinthians, que precisava de dois gols para empatar o confronto, passou a necessitar de três para continuar sonhando com a classificação. Em poucos segundos, toda a atmosfera construída pela torcida corintiana foi substituída pela apreensão. O gol colorado teve o peso de uma classificação.

Mesmo assim, o time paulista não desistiu. Aos 24 minutos, Pedro Raul voltou a colocar o Corinthians em vantagem no placar da partida, fazendo 2 a 1 e renovando as esperanças da equipe da casa. Restava pouco tempo, mas a equipe paulista aumentou ainda mais a pressão, empilhando cruzamentos e tentando encontrar o terceiro gol que levaria a decisão para os pênaltis.

Foi justamente nesse momento que apareceu uma das maiores virtudes do Internacional.

Longe de perder o controle emocional, o Colorado mostrou maturidade de equipe acostumada a grandes decisões. Cada dividida era disputada como se fosse a última. Mercado liderava a defesa com autoridade, Maripán afastava o perigo pelo alto, Bruno Gomes e Aguirre fechavam os corredores laterais, enquanto Matheus Cunha transmitia segurança sempre que era exigido. O meio-campo diminuía os espaços e a equipe administrava o relógio sem abrir mão da concentração.

Os minutos finais transformaram-se em uma verdadeira batalha. O Corinthians insistia, mas encontrava um Internacional extremamente competitivo, comprometido defensivamente e consciente da vantagem construída ao longo dos 180 minutos do confronto. Quando o árbitro encerrou a partida, a explosão de alegria dos jogadores colorados contrastava com o silêncio das arquibancadas. A derrota por 2 a 1 era apenas um detalhe. O que realmente importava era a vaga nas quartas de final.

A classificação foi construída muito antes do apito final em São Paulo. Ela começou no Beira-Rio, quando o Internacional dominou o jogo de ida e venceu por 2 a 0 com gols de Matheus Bahia e Alan Patrick, resultado que obrigou o Corinthians a correr atrás do prejuízo diante de sua torcida. Em Itaquera, o Colorado mostrou outra faceta: a de um time que sabe defender sua vantagem, controlar emoções e responder nos momentos decisivos.

Mais do que eliminar um adversário tradicional, o Internacional deu uma demonstração de força coletiva. A equipe soube alternar momentos de imposição e de resistência, mostrou organização tática, personalidade e frieza para suportar um ambiente extremamente hostil. Em competições eliminatórias, essas características costumam separar os candidatos dos verdadeiros postulantes ao título.

O gol de Bernabei ficará marcado como um dos momentos decisivos da campanha colorada. Foi o lance que desarmou a reação corintiana, esfriou completamente a Neo Química Arena e simbolizou a maturidade de um elenco que acredita em voos mais altos. Enquanto o Corinthians precisava correr contra o tempo, o Internacional administrava a vantagem com inteligência, mostrando que a classificação era consequência de um trabalho sólido desenvolvido ao longo dos dois jogos.

Ao fim da noite, o sentimento era de orgulho para a torcida colorada. O Clube do Povo não apenas eliminou um dos gigantes do futebol brasileiro, como fez isso demonstrando personalidade em um dos cenários mais difíceis do país. Entre Porto Alegre e São Paulo, o Internacional foi superior no conjunto da obra, venceu quando precisou jogar propondo o jogo e resistiu quando precisou defender sua vantagem.

As quartas de final agora representam mais um passo em uma campanha que ganha força a cada fase. Com um elenco competitivo, um sistema defensivo consistente e jogadores capazes de decidir nos momentos mais importantes, o Internacional segue vivo na Copa do Brasil e reafirma sua condição de candidato ao título. Em Itaquera, o Colorado não apenas conquistou uma vaga. Conquistou respeito, calou um estádio inteiro e mostrou que, quando veste a camisa vermelha em noites decisivas, sua história continua sendo escrita com coragem, personalidade e grandeza.

O próximo compromisso do Internacional, acontece no próximo domingo (9) diante do Palmeiras, às 16h, fora de casa.

Por Larissa Ferreira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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