Jorginho saiu, mas a Nação permaneceu e garantiu o empate no gogó
Senhoras e senhores, o Flamengo está na semifinal da Copa Libertadores! Poderia ser fácil? Sim! Só que aí não seria o Flamengo…
Na noite desta quinta-feira (17), no Maracanã, o Rubro-Negro empatou em 1 a 1 com o Independiente del Valle e avançou graças à vitória por 2 a 0 construída no jogo de ida, em Quito. O que parecia ser uma noite para confirmar a vantagem conquistada no Equador se transformou em um verdadeiro teste para cardíacos. O Flamengo saiu atrás, ficou com um jogador a menos no segundo tempo e viu o adversário pressionar pelo gol que levaria a decisão aos pênaltis. Quando o desespero já tomava conta das arquibancadas, Arrascaeta apareceu para mudar o rumo da noite.

A vantagem construída fora de casa dava ao Flamengo uma margem importante para administrar a decisão. O Rubro-Negro podia até perder por um gol de diferença que ainda assim garantiria a classificação, mas a expectativa no Maracanã era de uma equipe capaz de controlar o jogo e confirmar a vaga sem grandes sustos. Só que raramente o futebol respeita um roteiro.
Desde o início, o Flamengo encontrou dificuldades para transformar a posse de bola em perigo. O time equatoriano não entrou em campo disposto a aceitar a eliminação e passou a incomodar a defesa rubro-negra, enquanto o Flamengo acumulava erros e encontrava pouco espaço para construir suas jogadas ofensivas.
A partida foi ficando cada vez mais desconfortável para o torcedor. O Flamengo não conseguia impor o ritmo esperado e, aos 30’, veio o golpe que transformou a tranquilidade em preocupação. Após erro defensivo do mandante, Djorkaeff Reasco aproveitou a oportunidade e abriu o placar para o Independiente del Valle.
De repente, aquilo que parecia uma vantagem confortável começou a ganhar outro peso. O 2 a 0 de Quito ainda colocava o Flamengo em vantagem, mas um segundo gol equatoriano faria a classificação escapar pelas mãos e levaria a decisão para os pênaltis. O Maracanã passou a viver uma tensão que ninguém imaginava quando a bola começou a rolar.
O Flamengo voltou para o segundo tempo precisando recuperar o controle da partida. Mais do que buscar um gol para matar o confronto, era necessário diminuir a pressão do adversário e voltar a jogar com a segurança de quem carregava uma vantagem construída fora de casa. No entanto, a gente conhece bem o ditado “não há nada tão ruim que não possa piorar”.
Aos 19’ da etapa final, Jorginho recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O Flamengo ficou com dez jogadores justamente quando mais precisava de equilíbrio para controlar o jogo. O desespero, que já rondava o Maracanã, tomou conta de vez. Com um jogador a mais, o Del Valle passou a acreditar ainda mais na virada e aumentou a pressão sobre o Rubro-Negro.
E foi aí que o torcedor começou a fazer contas. Cada ataque equatoriano parecia carregar o peso de uma possível eliminação. Cada bola levantada na área fazia o coração acelerar. A vantagem de Quito, que durante boa parte da semana parecia tão segura, agora precisava ser defendida com unhas e dentes.

O Del Valle chegou a balançar as redes novamente, mas o gol foi anulado por impedimento. Alívio? Não muito! O Flamengo seguia sem conseguir controlar a partida e a sensação era de que o segundo gol equatoriano sairia a qualquer momento. Com um a menos, o Rubro-Negro resistia como podia enquanto o relógio avançava lentamente.
Foi então que Leonardo Jardim decidiu recorrer a quem conhece como poucos os caminhos do Maracanã, a geração 2019. Arrascaeta saiu do banco para tentar mudar a história da partida. E mudou.
Aos 38’ do segundo tempo, quando a tensão já parecia insustentável, Rossi fez um lançamento longo para o campo de ataque. O goleiro do Del Valle, Quintana, saiu para tentar interceptar a bola, mas calculou mal o lance. Arrascaeta aproveitou o erro e cabeceou para as redes.
Gol do Flamengo. Gol da classificação. Gol que devolveu o ar aos pulmões da Nação inteira.
E talvez não por acaso o gol tenha saído justamente quando o Maracanã mais empurrava. Mesmo com o time acuado, com um jogador a menos e vendo o adversário cada vez mais perto de levar a decisão aos pênaltis, a torcida não parou de cantar. O apoio das arquibancadas virou combustível para um Flamengo que precisava encontrar forças onde já parecia não haver mais. O grito da Nação atravessou os minutos finais e, quando a bola encontrou a cabeça de Arrascaeta, foi como se torcida e time marcassem juntos aquele gol.
O que até poucos segundos antes era desespero virou festa no Maracanã. O torcedor que já imaginava os pênaltis, que sofria a cada ataque do Del Valle e que via a vaga escapar mesmo depois da vantagem construída em Quito, finalmente pôde respirar. Arrascaeta não apenas empatou a partida: ele devolveu ao Flamengo a certeza de que a semifinal estava garantida.
O uruguaio saiu do banco para ser decisivo em uma noite em que o Flamengo esteve longe de apresentar seu melhor futebol. E o gol ainda colocou Arrascaeta cada vez mais perto de Zico na história da Libertadores pelo clube: o camisa 10 chegou a dois gols de igualar o Galinho como maior artilheiro do Flamengo na competição continental.
Depois do empate, o Flamengo ainda precisou suportar os minutos finais. O Del Valle já não tinha apenas a vantagem numérica, a história já estava escrita. O Rubro-Negro segurou a pressão e, quando o árbitro apitou o fim da partida, o sentimento nas arquibancadas era impossível de explicar apenas pelo resultado.
Era alívio. Era felicidade. Era aquela sensação tão conhecida de quem torce para o Flamengo: sofrer até o último segundo e, quando tudo parece perdido, comemorar como se a classificação tivesse sido conquistada duas vezes. O torcedor que passou minutos olhando para o relógio, fazendo contas e imaginando o pior terminou a noite gritando o nome de Arrascaeta e celebrando mais uma semifinal de Libertadores.
Não foi uma atuação para guardar como exemplo, mas foi uma classificação para guardar na memória. O Flamengo levou um susto enorme, flertou com o desastre, mas sobreviveu.
Agora, a Libertadores dá uma pausa, mas o Flamengo não pode se dar ao luxo de diminuir o ritmo. O próximo compromisso será pelo Campeonato Brasileiro, neste domingo (20), às 18h30, novamente no Maracanã, contra o Red Bull Bragantino. Líder da competição, o Rubro-Negro volta a campo depois da noite de tensão na Libertadores para manter seu lugar na ponta do Brasileirão.
Por Rayanne Saturnino
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.