E ELE TÁ LÁ: ELIMINADO!


Galo faz o dever de casa e despacha a equipe santista

Foto: Pedro Souza – Clube Atlético Mineiro

Que sentimento maravilhoso e inenarrável é torcer para o Clube Atlético Mineiro! Que noite mágica e maravilhosa vivemos na Arena na noite desta quarta-feira (16), pelo jogo de volta das quartas de final da Sula, diante do Santos do aposentado Neymar Jr. Virada do jeito Galo de ser, no sofrimento, com requintes de crueldade, mas que, no final, deu certo: 4×2 no tempo regulamentar e 3×1 nas penalidades máximas.

Confesso que esse jogo vai ser difícil de ser processado, principalmente assistindo na bancada, vendo mais uma virada desse time diante dos meus próprios olhos.

Falar da torcida é muito chover no molhado. Não concordo muito com esse trem de que torcida ganha jogo, mas, às vezes, nós abraçamos a contradição. O que a Massa Alvinegra fez antes, durante e após o jogo é coisa de louco. Fizemos a festa no visual e no gogó. Como é bom pertencer a essa torcida!

O Galo e seus revés por 2×0 em mata-mata é uma coisa impressionante. Quase sempre é o placar mais perigoso que se tem para jogar contra nós. Até porque já estamos acostumados a virar isso aí, e o atleticano já nasce com o sentimento do “eu acredito” dentro dele. E, quando a torcida embala naquele fio de esperança, fica difícil ganhar de nós.

Fred Melo de Paiva sempre disse que o 2×0 é a senha que o atleticano tem para falar com Deus, e é praticamente isso aí. Esse placar nos faz aproximar daquEle lá de cima, voltar às nossas raízes e nos apegar à fé, nos apegar ao “eu acredito” até o último minuto. E, quando se acredita, é difícil nos parar.

Ainda lá na Vila, pós-derrota nossa, Eduardo Domínguez deu entrevista falando que o adversário tinha nos deixado com vida e que o jogo seria decidido na nossa casa. Bem… o Barba sempre tem um plano.

Se o Santos jogasse igual o hipotético sai falando por aí, o time dele não teria levado um vareio de bola na Arena MRV. Tem que agradecer muito ao Lyanco pelos quatro gols dados com falhas absurdas e até um contra, porque, se não fosse isso, não ia sobrar nada para os amigos do eterno menino.

A partida na nossa casa foi uma coisa de louco, e quase não deu tempo de subir as rampas do setor Inter antes do Bernard abrir o placar com 20 segundos de bola rolando.

O que já era um caldeirão pulsou ainda mais, e só deu Galo durante a primeira etapa. Ali, o atleticano já sentia que a vaga era nossa, só não sabíamos que seria tão sofrido assim.

À frente no placar, mas ainda atrás no agregado, o elenco do Barba se lançou ao ataque, mas com uma inteligência absurda para se defender, sem precisar bater cabeça. E não demorou muito para a dupla Reinier e Fred funcionar e o dono da 19 balançar as redes e igualar o placar agregado, fazendo com que a partida tivesse começado do zero.

O que estava bom deu uma leve baqueada quando a fraca arbitragem assinalou uma falta contestável para o adversário perto da grande área, e a bola alçada na meta alvinegra ocasionou o gol contra de Lyanco, que também foi o autor da infração.

Com o time novamente em desvantagem na soma dos placares, restou à torcida não deixar o elenco sentir o gol levado e ir em busca do gol que levaria a partida para os pênaltis.

Já na reta final, o jamais criticado e digno de todas as desculpas balançou as redes novamente. Reinier aproveitou mais uma assistência do craque Fred e levou a torcida à mais pura loucura.

Foto: Reprodução/Internet

A alteração do Domínguez na etapa final, tirando o Reinier e entrando com o Cassierra, fez a torcida dar uma leve xiada nos primeiros minutos da segunda etapa. O time deu uma sentida, parou de jogar e lá estava novamente o Lyanco falhando e deixando o adversário dono da 9 livre livre para fazer o 3×2.

Confesso que esse gol foi um balde gigantesco de água fria. O time deu uma sentida, perdeu umas bolas bestas e estranhas, e foi nesses pequenos momentos que o adversário deu uma boa aparecida na partida, fazendo o Delfim trabalhar duas vezes.

O jogo ia se adentrando nos 5’ de acréscimos, o Brasão ia aperfeiçoando sua cera e a pequena torcida adversária tentava ensaiar uma festa. Mas aí surgiu o arrepiante grito de “eu acredito”. E, quando acreditamos, o milagre acontece.

E ele veio já nos minutos complementares dados pelo juiz, num passe brilhante do Castano, na medida exata para Tomás Cuello deixar o dele na partida. O gol que nos deixou vivos, o gol das penalidades, gol daquele que é peça importantíssima nesse elenco. E que bom que ele não foi embora.

Óbvio que esse gol despertou vários sentimentos e emoções nos torcedores, mas vivenciar isso no estádio foi uma coisa que eu nunca vou conseguir explicar com exatidão. Que sentimento maravilhoso! A explosão da torcida foi algo incrível. Como é bom ser Galo, como é apaixonante esse time e esses requintes de crueldade que todo mundo reclama, mas, no final, deixam a partida com um gosto muito diferente. E todo mundo gosta.

4×2 no tempo normal, 4×4 no agregado e a vaga para a semifinal teria que ser decidida nos pênaltis, na categoria, com sorte e fé. E, para quem já teve um santo debaixo da trave com uma defesa memorável, é óbvio que seus discípulos têm o mesmo caminho.

Já passamos por São Victor, estamos no LeBron Alvinegro e, momentaneamente, estamos com o gigantesco Gabriel Delfim. Salvou um placar elástico na ida, realizou dois milagres nos 90’ e, quando foi para os pênaltis, ele, de brincadeira, resolveu catar 3 cobranças, sendo uma delas daquele lá que ficou sumido bastante tempo, o Gabriel Barbosa.

Além dessa defesa, o Delfim ainda pegou mais duas de jogadores que nem vale a pena lembrar o nome, e só um deles acertou num chute cagado que a bola até se recusou a entrar por completo.

Do nosso lado, Scarpinha e Igor Gomes fizeram o dever de casa. Já o Fred quis trazer ainda mais emoção e desperdiçou sua cobrança, mas, no fim, nem fez tanta diferença, porque Thiago Borbas deslocou o arqueiro adversário e selou nossa classificação, levando a Arena à loucura com uma festa que demorou a acabar.

É semifinalista mais uma vez!!

Foto: Pedro Souza – Clube Atlético Mineiro

Como é bom ter um elenco que vive de Galo, que veste essa camisa igual torcedor, que sente as derrotas, as provocações e os triunfos, principalmente igual a dessa partida. Tem tempos que não víamos torcida e elenco na mesma sinergia, com a mesma entrega.

É maravilhoso ter atleticanos dentro de campo como o Fred, Bernard e Vitão, e até mesmo os que não são, mas defendem essa camisa como se vivessem essa paixão desde o berço.

Não sabemos como será o fim dessa temporada, mas garanto para você que vai ser muito difícil ganhar do Galo na nossa casa. Vão ter que lutar muito e querer bem mais que nós.

Tirando o Lyanco e suas pataquadas, é preciso salientar o tanto que esse time do Barba jogou bola, buscou jogo e foi para cima os 90’. Falar do Fred já é muito carta marcada, é feijão sem bicho e joga muito.

Precisamos levantar alguns destaques para o Vitão. Mesmo sobrecarregado com sua dupla de zaga, ele joga um absurdo, muito seguro e consciente no que faz.

Kevin Castano foi um achado do Bracks que merece todos os reconhecimentos possíveis. Obrigada, River Plate, por liberar o homem. Entende muito de bola.

O Cuello, depois que entrou para a “Galeitura”, virou um craque da pelota. O Galo hoje depende desse homem, que merece todas as desculpas e reconhecimentos possíveis. E que bom que a diretoria foi inteligente dessa vez e não deixou sair. Vale muito mais do que o outro clube pediu.

E, por último, mas não menos importante, não podemos normalizar as defesas nos pênaltis de Gabriel Delfim. Entrou sob muita desconfiança de todo mundo, tinha o peso de substituir ninguém menos que o Everson, mas vem fazendo um trabalho absurdo. Pode não ser muito bom com a bola nos pés, mas foi extremamente necessário sempre que o time precisou. Precisamos valorizar nossa base.

Ao Eduardo Domínguez, obrigada por sempre ter um plano, obrigada por esse time. O Barbabol muitas vezes não se entende, mas se vive e acredita que vamos viver o inacreditável, porque esse homem sabe muito bem o que está fazendo.

Como é bom ser Galo, como é inexplicável viver desse time e, realmente, loucura mesmo é não pertencer ao Gigantesco das Alterosas e a essa torcida que dá aulas e aulas de bancada. Mais uma vez presenciamos o inacreditável na nossa casa, com a Massa Atleticana ditando o ritmo do começo ao fim. É muito bom dividir esse mesmo sentimento com quem entende o que é o Clube Atlético Mineiro.

No fim, peixe sempre morre pela boca e temos mais um capítulo no hipotético mundo Ney, onde, se ele tivesse em campo, as coisas seriam diferentes… Que o Vitão tenha tirado o 9 deles do bolso para poder voltar para a Baixada Santista, para disputar a única competição que lhe resta, feliz 2027 adiantado para vocês.

Apesar de tudo, preciso agradecer ao Santos por me dar a oportunidade de ver o Rony vestindo uma camisa que não é mais a do Galo, outro que foi totalmente anulado dentro de campo. E como é bom dormir sabendo que tem um técnico que não deveria nem estar solto, chorando por aí, enquanto o atleticano tem um fim de semana maravilhoso.

Próximo jogo

Enquanto esperamos nosso adversário da semifinal, os prodígios do Barba voltam a campo já neste sábado (19), diante da Chapecoense, às 16h, na nossa casa, pelo Brasileirão.

Eu te amo, Clube Atlético Mineiro. Nós fizemos de novo!

Sentimento, amor sincero ao alvinegro!

Por: Thais Santos

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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