É hora de pelear


No Morumbis, Inter busca confirmar a reação após a vitória sobre a Chapecoense e se afastar da zona de rebaixamento

Na noite deste sábado (19), o Clube do Povo volta a campo pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. No Morumbis, às 21h, o Internacional encara o Tricolor Paulista carregando a obrigação de provar que a vitória sobre a Chapecoense não foi apenas mais um lampejo de esperança entre tantos tropeços. É hora de mostrar que o Inter de Paulo Pezzolano começou a se reencontrar e que, mesmo depois de transformar a própria caminhada em uma luta contra a zona de rebaixamento, ainda decidiu brigar até o último suspiro.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional 

O Inter precisa provar ao torcedor e a si mesmo que ainda possui forças. Apesar do rendimento baixíssimo e da queda amarga na Copa do Brasil, ainda precisa ser um time que peleia, que briga e que, mesmo por entre os percalços da lida, consegue encontrar algum espaço para voltar a saborear o futebol.

Talvez o Internacional encarnado, vermelho e branco de 2026 possa se reencontrar entre algumas das curvas do Morumbis. Naquele gramado que já nos fez tão felizes em tantas oportunidades, talvez esteja um pouco da raça, do brio e da alma dos Inters que vieram antes, daqueles que fizeram da casa do São Paulo um pedaço importante da história do Clube do Povo.

E é impossível pensar nisso sem lembrar de 2006.

Naquele Morumbi, em 9 de agosto, o Internacional deu um passo gigantesco para conquistar a América. Rafael Sóbis marcou duas vezes e o Colorado venceu o então campeão da América e do mundo por 2 a 1, levando para o Beira-Rio a vantagem que seria suficiente para confirmar, uma semana depois, a primeira Libertadores da nossa história.

Talvez seja isso que eu espere deste sábado. Que a gente veja um Inter que possivelmente não esteja tão encantado quanto aquele que começou a conquistar a América dentro do Morumbi. Um Inter que está longe de ser aquele time, é verdade, mas que possa encontrar, dentro das quatro linhas daquele estádio, um pouco do brilho que fez o então campeão do mundo ficar de joelhos diante de um time do Rio Grande do Sul que começava a escrever a própria história continental.

Não estou esperando que 2026 seja 2006. Nem que este Inter tenha a mesma qualidade, os mesmos jogadores ou a mesma história para contar. O que eu queria, talvez, fosse algo bem mais simples: que este time lembrasse, por noventa minutos, que também pode fazer o adversário sentir o peso de enfrentar o Internacional.

Ouso dizer que existem clubes e lugares que parecem feitos para viver boas histórias, independentemente do momento que atravessam. Talvez seja a ingenuidade de alguém que aprendeu a amar o Inter justamente em momentos difíceis, mas acredito que este confronto possa significar mais do que uma rodada em um campeonato que tem nos cobrado caro.

Com o Inter encostado em número de pontos no Vasco da Gama e com o Grêmio ali, à porta da zona de rebaixamento, cada ponto passou a carregar um peso que dispensa explicações. Enfrentar o São Paulo no Morumbis talvez seja também ir ao encontro daquele Inter que já escreveu histórias importantes na capital paulista e estender as mãos para um passado que, quem sabe, ainda possa nos emprestar um pouco de força no presente.

Talvez, neste momento, o mais assertivo fosse ser técnica. Falar que Pezzolano não poderá contar com Villagra, uma baixa importante para o Internacional, e que terá os retornos de Matheus Bahia e Aguirre. Falar de escalação, de peças, de quem entra e de quem sai. Tudo isso importa, é claro. Mas existe uma parte de mim que insiste em escolher o caminho emocional toda vez que tem a oportunidade de escrever sobre o Internacional.

Toda vez que sento aqui para falar sobre o Inter, existe uma guriazinha dentro de mim que ainda olha encantada para aquele time de vermelho e branco. Uma guriazinha que muitas vezes assistiu feliz a partidas que nem eram tão felizes assim. Ela talvez não soubesse explicar escalações ou sistemas, mas sabia exatamente o que significava esperar o Inter entrar em campo. Ela era simplesmente apaixonada por ver o Internacional jogar.

E o Inter das últimas temporadas, não apenas o de 2026, tem roubado um pouco dessa beleza. Faz bastante tempo que não apresentamos um futebol à altura do que essa camisa merece, salvo um lampejo ou outro. Em jogos importantes, muitas vezes faltou justamente aquilo que deveria existir quando o peso da camisa aumenta. Em vez de acariciar a pelota, temos mais maltratado a bola.

Mas essa guriazinha ainda teima. Ela sabe que o Internacional talvez não tenha mais condições de almejar uma conquista em 2026, mas se recusa a imaginar o Inter na Série B. Por isso, ainda consegue enxergar o jogo deste sábado como uma baita oportunidade de reencontro.

Talvez enfrentar o São Paulo no Morumbis seja a chance de essa guriazinha olhar novamente para aquele time de vermelho e branco e reconhecer o Inter que aprendeu a amar. Não necessariamente o Inter de 2006, porque aquele time pertence à sua própria história. Mas um Inter que saiba competir, que tenha brio, que trate a bola com carinho e que entenda que vestir vermelho e branco também significa pelear quando as coisas apertam.

E então precisamos voltar os pés para o gramado. Pezzolano não poderá contar com Villagra, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e terá de encontrar uma solução para uma ausência que pesa. Entre as possibilidades do elenco, Villagra é uma das peças importantes para o equilíbrio do meio-campo colorado. Ronaldo e Paulinho aparecem como alternativas para ocupar a vaga ao lado de Bruno Henrique, cada um oferecendo características diferentes ao setor.

Na defesa, Matheus Bahia e Aguirre retornam após cumprirem suspensão e ampliam as opções do treinador. A tendência é que o Inter vá a campo com Matheus Cunha; Bruno Gomes, Maripán, Mercado e Matheus Bahia; Paulinho, Bruno Henrique; Vitinho, Alan Patrick, Carbonero e Bernabei.

E talvez exista algo de simbólico em tudo isso. Estamos na Semana Farroupilha, em dias em que o Rio Grande do Sul volta os olhos para suas histórias, para suas raízes e para a ideia de resistência que atravessa a nossa identidade. Não quero transformar futebol em guerra nem vestir o Inter de uma coragem que precisa ser inventada em metáforas. Mas talvez seja impossível, para quem nasceu e aprendeu a amar futebol por aqui, não sentir um pouco mais de vontade de PELEAR quando setembro chega.

O Colorado não precisa de heroísmo. Precisa de futebol. Precisa de brio, de coragem, de vontade e, sobretudo, de entender que ainda há uma temporada para salvar.

No Morumbis, diante de um adversário que também conhece o peso de uma camisa grande, talvez esteja mais uma oportunidade de reencontro. Com o futebol, com a torcida, com a própria história e, quem sabe, com aquela guriazinha que só queria voltar a olhar para o Inter e sentir que ainda é bonito vê-lo jogar.

Talvez seja isso que eu queira ver neste sábado. Um Inter que ainda não esteja encantado como aquele de 2006, mas que encontre naquele mesmo gramado um pouco daquele brilho. Um Inter que volte a acreditar, que volte a competir e que, por noventa minutos, nos faça lembrar como é bom ver o Colorado jogar.

Um Inter que volte a encantar.

É hora de PELEAR.

Por Jéssica Salini 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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