Cruzeiro mostra por que é Rei


Diante de um Mineirão pulsante, Raposa vence a Chapecoense por 2 a 0 e mantém vivo o sonho do próximo título da Copa do Brasil

A noite de quarta-feira (5) tinha todos os ingredientes de uma decisão. A torcida fazia sua parte desde o primeiro minuto e o Cruzeiro entrava em campo com uma missão: confirmar a classificação e mostrar, mais uma vez, por que é o maior campeão da Copa do Brasil. Em um duelo intenso, marcado por muita entrega, disputas acirradas e momentos de tensão, a Raposa soube impor sua força diante da Chapecoense e venceu por 2 a 0 reafirmando sua força com uma linda festa.

Os gols da vitória foram marcados por Matheus Henrique e Kaio Jorge, que voltou a balançar as redes e fez a torcida soltar, novamente, o tão esperado grito do “K”, que já deixava saudade no Mineirão.

Sentimento de torcedora apaixonada

Acho que a Copa do Mundo me transformou em uma pessoa ainda mais emotiva. Depois de fazer a cobertura do torneio e de expressar, em cada texto, todo o amor que sinto pelo meu maior ídolo, Cristiano Ronaldo, passei a refletir muito sobre o que realmente significa ser torcedora.

No início de 2026, confesso que entrava em cada jogo do Cabuloso tomada pelo medo. Havia uma insegurança constante e, por muitas vezes, cheguei a acreditar que a Série B voltaria a ser uma realidade. Era impossível não reviver, em pensamento, a pior fase que já enfrentei como torcedora: o período em que vi o clube que escolhi amar desde criança chegar ao fundo do poço e, por alguns momentos, temi até pelo seu futuro.

A chegada de Arthur Jorge, porém, mudou tudo. Trouxe esperança, devolveu a confiança e fez renascer o sentimento de que o Cruzeiro estava, enfim, retomando o caminho que sempre lhe pertenceu: o topo. Ainda mais em um ano em que a equipe garantiu vaga na Copa do Brasil e na Libertadores, duas competições que representam a grandeza do clube e reacenderam o orgulho da Nação Azul.

Por isso, o jogo de hoje foi uma verdadeira montanha-russa de emoções. O Cruzeiro tinha a obrigação de vencer, não apenas por jogar em casa, mas porque é o maior campeão da Copa do Brasil. Era preciso honrar a própria história e dar ao torcedor a alegria que ele tanto esperava.

Confesso que, depois do empate sem gols no primeiro jogo, passei a semana inteira imaginando a possibilidade de uma decisão por pênaltis. E eu simplesmente odeio disputas de pênaltis. Elas despertam uma ansiedade difícil de explicar, fazem o coração acelerar e parecem tirar anos da minha vida. Felizmente, desta vez, o Cruzeiro fez o dever de casa, venceu com autoridade e garantiu a classificação sem precisar nos submeter a mais esse sofrimento.

Dentro de campo, vimos um time que queria vencer a qualquer custo. Um time que jogou com alma, entrega e vontade em cada dividida. Matheus Henrique, ao abrir o placar, simbolizou exatamente essa raça que há tempos o torcedor esperava ver. Mesmo após sofrer uma forte falta e quebrar o nariz, permaneceu em campo enquanto pôde, dando tudo de si para ajudar a equipe. Cada jogador que entrou teve sua importância nessa classificação, mostrando que, em mata-mata, todos fazem a diferença.

Agora, sabemos que cada partida será uma decisão. Um pequeno detalhe pode encerrar um sonho, mas também pode nos aproximar de mais uma conquista. E é por isso que seguimos acreditando.

O amor mais intenso e, às vezes, até tóxico que existe na minha vida se chama Cruzeiro Esporte Clube. Um amor que me faz sofrer, chorar, passar raiva e perder o sono, mas que, acima de tudo, me faz amar de uma forma que poucas coisas na vida conseguem explicar.

Obrigado por existir. Obrigado por fazer parte da minha história e da pessoa que sou hoje. Que você continue jogando com a grandeza de um campeão, porque um clube do seu tamanho merece terminar a temporada brigando no topo da tabela e levantando mais um título. Afinal, o lugar do Cruzeiro sempre foi entre os gigantes.

Sobre o jogo

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Nação, o que foi esse primeiro tempo?! Meu coração de torcedora celeste ainda está acelerado com tudo o que aconteceu lá no gramado.

A nossa Raposa começou ditando o ritmo e Matheus Pereira deu o primeiro aviso com um chute de fora da área que subiu um pouco demais. A Chape tentava assustar e roubar a bola, mas o clima esquentou de vez quando Anderson passou um susto ao ser pressionado por Kaio Jorge. O Cruzeiro buscava os espaços, principalmente pelo lado esquerdo, onde Matheus Pereira e Gerson infernizaram a defesa rival, e nosso ex goleiro Anderson não deixava passar nada.

O jogo seguiu movimentado para os dois lados. Gerson pressionava a saída de bola, enquanto Giovanni Augusto também buscava levar perigo para a Chapecoense. Mas o time celeste não desistiu de atacar. Rojas cruzou da esquerda na medida para Gerson desviar, exigindo mais uma grande defesa de Anderson. O clima esquentou logo em seguida: o goleiro da Chape recebeu cartão amarelo por reclamação, e Camilo também acabou advertido após cometer uma falta dura em Gerson.

Mas quem veste a camisa do Cabuloso não desiste. Empurrado pela força da torcida e pelo clima diferente que só o Mineirão proporciona, o Cruzeiro continuou insistindo. Kaio Jorge acelerou pelo ataque e soltou um chute que tirou tinta da trave esquerda. Na sequência, a Raposa promoveu uma verdadeira blitz sobre a área da Chapecoense, pressionando em busca do gol.

Mas o fim da primeira etapa foi digno de um roteiro de cinema, com emoção, tensão e muita confusão. Aos 44 minutos, Max tentou afastar o perigo, mas acabou cedendo escanteio para a Raposa. Na cobrança, Fabrício Bruno levantou a bola na área, Anderson fez a defesa na primeira tentativa, mas, na raça e no oportunismo, Matheus Henrique aproveitou o rebote e cabeceou para o fundo das redes, fazendo o Mineirão explodir em festa e abrindo o placar para o Cruzeiro. A comemoração, porém, teve um preço alto. No lance do gol, o volante foi atingido no nariz pelo pé de um jogador da Chapecoense, sofreu um forte sangramento e precisou de atendimento médico ainda em campo.

O árbitro sinalizou quatro minutos de acréscimos, mas a reta final do primeiro tempo se transformou em um verdadeiro caos. Aos 47 minutos, Eduardo Doma recebeu cartão amarelo após uma falta em Matheus Henrique. As constantes paralisações fizeram o tempo se estender, e os ânimos se exaltaram de vez à beira do gramado. Artur Jorge e Rafael Lacerda protagonizaram uma forte discussão, que aumentou ainda mais a tensão da partida. A confusão terminou com expulsões nos acréscimos: André Cunha, auxiliar técnico do Cruzeiro, recebeu cartão vermelho aos 50 minutos, enquanto Max, da Chapecoense, foi expulso aos 51 após uma entrada dura em Rojas.

Foi um primeiro tempo intenso, caótico e cheio de emoções, mas que terminou da melhor maneira possível para a Nação Azul. Com a vantagem de 1 a 0 no placar, o Cruzeiro desceu para o intervalo levando esperança e fazendo o Mineirão acreditar ainda mais na classificação. Bastava manter a intensidade, a concentração e transformar a superioridade em uma vaga nas quartas de final.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O segundo tempo começou exatamente como o torcedor esperava: com o Cruzeiro mostrando que o Mineirão tinha dono. Logo no primeiro minuto, a Raposa voltou pressionando, controlando a posse de bola e sufocando a Chapecoense em seu campo de defesa. Aos cinco minutos, Kaique testou os reflexos de Anderson com um chute forte de fora da área, dando sequência à blitz celeste.

Mas a Raposa queria mais. Queria garantir a classificação com tranquilidade, apostando na velocidade, na troca de passes e na qualidade técnica de Matheus Pereira e Arroyo, que comandavam as ações ofensivas e empurravam a Chapecoense para o campo de defesa. Já na metade da segunda etapa, o Cruzeiro intensificou ainda mais a pressão. Teve escanteio, Anderson precisou espalmar mais uma finalização perigosa, Kaique Kenji arriscou de fora da área e viu a bola desviar na zaga, enquanto o time celeste seguia insistindo em busca do gol que daria mais tranquilidade à classificação. No lance seguinte, Kaique errou o bote, e a Chape tentou responder em um contra-ataque com Bruno Tubarão, mas o atacante acabou sentindo uma lesão muscular e não conseguiu dar sequência à jogada.

Em jogo decisivo, valendo classificação, não existe tranquilidade. A tensão faz parte do jogo, e a confusão também. Em meio aos ânimos exaltados, Gerson e Gabriel Rojas protagonizaram uma forte discussão, que terminou com cartão amarelo para o lateral celeste. Mas, dentro de campo, o foco do Cruzeiro continuava o mesmo: fazer um segundo gol. A Raposa seguiu rondando a área adversária, buscando espaços e pressionando sem dar descanso à defesa da Chapecoense. Aos 37 minutos, Marquinhos cruzou rasteiro pela direita e Felipe Moraes, por muito pouco, não conseguiu completar para o gol. Era a previsão que o golpe final estava próximo.

E ele veio pouco depois. Kaio Jorge foi derrubado dentro da área, em um pênalti claro, e o árbitro não hesitou em apontar para a marca da cal. O Mineirão prendeu a respiração. Aos 40 minutos, chegou o momento da explosão de alegria. O artilheiro pegou a bola, bateu com categoria no canto direito, Anderson ainda tocou nela, mas não conseguiu evitar. A bola morreu no fundo das redes, o Mineirão veio abaixo e o Cruzeiro ampliou para 2 a 0, sacramentando a classificação às quartas de final da Copa do Brasil.

Próximo jogo

Depois de garantir a classificação na Copa do Brasil, o Cruzeiro volta suas atenções para o Brasileirão. Neste domingo (9), às 11h, a Raposa recebe o Mirassol, no Mineirão, em mais um desafio importante para seguir firme na parte de cima da tabela.Empurrado pela Nação Azul, o Cabuloso entra em campo com a confiança renovada e a força de quem transforma o Mineirão em um verdadeiro caldeirão. Cada ponto vale ouro, e diante da torcida, a missão é manter a intensidade, impor o ritmo desde o início e buscar mais uma vitória para seguir brigando entre os primeiros colocados.

Enquanto houver uma estrela no peito e uma Nação Azul empurrando das arquibancadas, sempre haverá motivos para acreditar. O Rei da Copa continua vivo, e o sonho do heptacampeonato também.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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