Tricolor é derrotado 2 a 0 no Beira-Rio e agora viaja pressionado para a Argentina com todas as energias na decisão pela Libertadores
Na noite deste domingo (3), o Fluminense perdeu para o Internacional por 2 a 0 no Beira-Rio, em uma partida que custou caro. Inovando com um esquema de três zagueiros, Luis Zubeldía deixou a equipe exposta e sem criatividade, um aspecto preocupante para a fase decisiva que o time enfrentará na temporada.
Com a derrota, o Tricolor perdeu a oportunidade de conquistar a vice-liderança e agora precisa enfrentar a instabilidade física e técnica antes de um jogo de vida ou morte na fase de grupos da Libertadores.
O Tricolor permanece com 26 pontos e na terceira posição, mas vê o líder Palmeiras aumentar a vantagem. O clima em Porto Alegre foi bastante tenso, com uma arbitragem que picotou o jogo e impediu qualquer fluidez, contribuindo para o nervosismo que resultou em confusão após o apito final. A atuação revela um elenco cansado pela intensa sequência de viagens e que sente fortemente a falta de jogadores como Lucho Acosta e Martinelli.

Primeiro tempo
Zubeldía surpreendeu — negativamente — ao escalar o Fluminense com Jemmes, Freytes e Millán, sacrificando o meio-campo contra um adversário que lutava contra o rebaixamento. Como resultado, houve uma partida no meio de campo, onde o Tricolor trocava passes ineficazes e cometia muitos erros de comunicação.
O Flu só conseguiu finalizar aos 20 minutos, com um chute isolado de Bernal, que passou longe do gol.
A insistência em bolas longas e a falta de soluções na intermediária facilitaram a vida do Inter, que estava pronto para a transição ofensiva.
O castigo veio aos 38’. Em uma jogada direta, Alerrandro fez o pivô e acionou Bernabei, que surgiu livre nas costas da defesa para chutar cruzado entre as pernas de Fábio. Foi o prêmio para a objetividade contra um Fluminense perdido em suas próprias invenções.
Segundo tempo
Na volta do intervalo, Zubeldía reconheceu o erro e desfez a formação com três zagueiros, colocando Serna e Savarino em campo.
A mudança surtiu efeito imediato: aos 47’, Soteldo driblou a marcação e passou para Savarino, que soltou uma bomba no travessão. Parecia o início de uma virada, mas a felicidade durou pouco.
Apenas um minuto depois, aos 48’, Carbonero iniciou um contra-ataque rápido. Fábio conseguiu fazer uma defesa milagrosa no primeiro chute, mas Alerrandro aproveitou o rebote e a falha de cobertura de Arana para marcar o segundo gol.
O Fluminense tentou pressionar e até melhorou com a bola nos pés, mas parou em uma atuação histórica do goleiro Anthoni — mais um goleiro virando o Neuer contra o Tricolor.
Aos 67’, Serna saiu cara a cara e parou no goleiro. Logo no minuto seguinte, John Kennedy também finalizou com força, mas o goleiro rival fez mais uma defesa espetacular.
Para fechar a noite melancólica, Samuel Xavier e Kayky ainda se envolveram em uma confusão após o fim do jogo, demonstrando o descontrole emocional da equipe.

Atuação abaixo e um meio campo fraco
A performance tricolor no Beira-Rio reforçou uma dura realidade: sem Lucho Acosta, o Fluminense se torna um time previsível e comum. A inferioridade não foi apenas técnica, mas também estrutural. As invenções de Zubeldía, que custaram o primeiro tempo, agravaram a situação. A equipe teve 58% de posse de bola, mas foi um domínio inútil, sem agressividade, chutando pela primeira vez apenas aos 20′ da etapa inicial.
Para piorar o cenário, a arbitragem de Felipe Fernandes de Lima foi tenebrosa. O jogo foi picotado do início ao fim, com o árbitro assinalando impressionantes 24 faltas apenas no primeiro tempo, impedindo qualquer ritmo de jogo. No total, foram aplicados 7 cartões amarelos: 4 para o Inter e 3 para o Fluminense.
Tudo ou nada na Libertadores
Agora, a delegação tricolor agora realiza uma viagem casada, partindo diretamente de Porto Alegre para Mendoza, na Argentina, sem retornar ao Rio de Janeiro. O próximo desafio é contra o Independiente Rivadavia, na quarta-feira (6), às 21h30, no Estádio Malvinas Argentinas.
Para o Time de Guerreiros, a partida é uma final antecipada, já que o Tricolor ainda não venceu na fase de grupos e amarga a lanterna de sua chave. Zubeldía sabe que, após os erros no Beira-Rio, a margem para novas experiências táticas acabou. Apenas a vitória na Argentina trará a paz necessária para a sequência da temporada.
Por Adrielle Almeida
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo