Cruzeiro sofre no Morumbi


Raposa reage no segundo tempo, mas erros defensivos e eficiência tricolor resultam em goleada paulista

A vida do torcedor cruzeirense não foi fácil na noite deste sábado (04). Cruzeiro e São Paulo enfrentaram-se no Morumbi em uma partida que não trouxe felicidade à torcida celeste: o time mineiro foi derrotado pelo paulista por 4 a 1.

A goleada sofrida fora de casa representou um grande sofrimento para o torcedor, que esperava que o Cabuloso apresentasse um desempenho melhor e corrigisse os erros que a equipe vinha cometendo há vários jogos.

Sabia-se que seria um desafio enorme, dado que o clube ainda enfrentava um processo de reestruturação após um início de ano muito difícil, mas, desta vez, a vitória não veio. Agora, a expectativa é que a Raposa se reencontre o mais rápido possível para se recuperar no Brasileirão.

Foto: Marco Galvão/Cruzeiro

Primeiro tempo

Logo nos primeiros minutos, a Raposa mostrou intensidade contra o São Paulo. Kaiki Bruno descolou um lançamento milimétrico em profundidade para Kaio Jorge, obrigando o goleiro Rafael a sair desesperado da meta para fazer a defesa.

Pouco depois, ocorreu um susto: Matheus Henrique foi ao chão após uma dividida ríspida com Ferreira. Minutos mais tarde, o caminho parecia aberto. Christian aproveitou um vacilo clamoroso da zaga tricolor e saiu cara a cara com o gol. Era a chance de ouro, mas, no momento da decisão, o jogador titubeou, a bola “queimou” nos pés e a finalização, que poderia ter mudado o destino da etapa inicial, acabou não saindo.

Após uma série de escanteios e bolas alçadas, o inevitável aconteceu aos 8 minutos: Fabrício Bruno derrubou Artur dentro da área. A tensão tomou conta do estádio. Enquanto os jogadores celestes protestavam contra a marcação, Luciano posicionou a bola na marca do pênalti, mas a responsabilidade mudou de mãos e Calleri assumiu a batida. Com a frieza característica dos artilheiros, o argentino estufou a rede aos 11 minutos.

O Cruzeiro, que havia começado o jogo sendo mais perigoso, viu-se obrigado a recuar e buscar forças para reagir após o 1 a 0 precoce. No entanto, a situação piorou aos 15 minutos, quando veio o segundo gol. A Raposa precisou se reorganizar na partida para evitar uma goleada ainda maior e tentar se recuperar no restante do confronto.

Após sofrer o segundo gol, o time mineiro buscou o jogo pelas alas. Aos 21 minutos, William foi lançado em profundidade, mas parou no corte de Wendell. Logo em seguida, ele mesmo arriscou da entrada da área após cruzamento de Kaiki Bruno; a bola desviou, ganhou um efeito traiçoeiro, mas o goleiro Rafael estava atento para fazer a defesa.

Aos 24 minutos, em uma tentativa de ataque promissora, Kaio Jorge acabou usando a mão para dominar a bola, matando a jogada e gerando lamento na torcida. Enquanto isso, o São Paulo controlava o ritmo, mantendo a posse no campo ofensivo e obrigando o Cruzeiro a correr atrás do prejuízo.

O relógio chegava aos 33 minutos e o jogo se transformava em uma verdadeira guerra, com muitas disputas, divididas ríspidas e pouco espaço para o futebol fluir. O Cruzeiro lutava para converter sua leve superioridade na posse de bola em algo concreto, mas esbarrava em uma defesa tricolor bem postada e em uma tarde inspirada do goleiro adversário.

A reta final da primeira etapa foi marcada por um Cruzeiro que tentava, a todo custo, encontrar uma brecha na armadura paulista, enquanto o tempo parecia correr cada vez mais rápido.

Assim, o time foi para o intervalo com muito o que refletir. Embora tenha lutado, mantido a posse em alguns momentos e arriscado jogadas, a equipe esbarrou em erros individuais e em uma marcação implacável. O placar de 2 a 0 era o grande desafio a ser superado em uma etapa final que exigiria perfeição.

Foto: Marco Galvão/Cruzeiro

Segundo tempo

O Cruzeiro voltou do intervalo com outra postura. Logo cedo, a pressão surtiu efeito e o time conseguiu balançar as redes, diminuindo o placar para 2 a 1 com um gol de Christian.

Aos 6 minutos, o empate parecia questão de tempo: Matheus Pereira cobrou uma falta venenosa na segunda trave e Fabrício Bruno escorou para o meio da confusão, mas a zaga tricolor conseguiu se antecipar por um triz.

Pouco depois, aos 13 minutos, o grito de gol ficou entalado na garganta: Kaiki Bruno cruzou com perfeição e Matheus Pereira cabeceou firme, mas Rafael operou um milagre cinematográfico para salvar o São Paulo.

No momento em que o Cabuloso era superior, o futebol castigou. Aos 16 minutos, após um escanteio fechado de Artur, a bola explodiu na trave depois de um desvio de Kaio Jorge. No rebote, Ferreira não perdoou e finalizou forte, ampliando para 3 a 1 e esfriando a reação celeste.

Apesar das tentativas de Kaiki Bruno e das faltas sofridas por Arroyo, o Cruzeiro via o tempo escorrer entre os dedos. A equipe lutava contra o marcador e contra a sólida barreira defensiva armada no Morumbi. O volume de jogo existia e a vontade era nítida, mas a tarde foi de eficiência máxima do adversário.

O relógio passava dos 33 minutos e o Cruzeiro tentava manter a organização enquanto buscava o ataque. Christian acabou derrubando Artur na lateral, cedendo uma falta perigosa. Logo depois, aos 34, Lucas Ramon tentou um cruzamento que obrigou Lucas Silva, em um esforço solitário, a jogar para escanteio e afastou o perigo.

Aos 36 minutos, a defesa celeste voltou a oscilar. Ferreira, o nome do jogo, aproveitou um novo vacilo, infiltrou-se na área e cruzou rasteiro para Cauly. Por sorte, o passe saiu sem força, permitindo que a retaguarda da Raposa se recuperasse e efetuasse o desarme. Parecia um aviso do que estaria por vir.

Aos 46 minutos, o “balde de água fria” veio de forma definitiva. Em um contra-ataque letal, o carrasco da noite apareceu novamente: Ferreira não teve piedade e estufou as redes pela segunda vez no tempo complementar, anotando o quarto gol do São Paulo.

O lance selou o destino do confronto em 4 a 1. O Cruzeiro, que mostrou lampejos de bom futebol e muita garra no início da etapa final, sucumbiu à eficiência tricolor e aos erros defensivos que custaram caro demais.

A Raposa deixou o gramado com o peso de uma derrota elástica, mas com a ciência de que, em certos momentos, deteve o controle do jogo. Agora, resta juntar os cacos, corrigir as falhas de marcação e focar as atenções no próximo desafio continental, onde não haverá margem para vacilos.

Próximo jogo

Após o desafio contra o Tricolor, o Cruzeiro vira a chave e foca todas as suas energias no “modo Libertadores”. O horizonte agora é o Equador, onde a Raposa terá um compromisso crucial pelo Grupo D.

O Cabuloso cruzará as fronteiras para enfrentar o Barcelona SC em um território tradicionalmente hostil para os visitantes. É hora de mostrar a força da camisa azul em palcos internacionais!

Data: Terça-feira, 07 de abril

Horário: 21:00 (Horário de Brasília).

Local: Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, em Guayaquil (Equador).

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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