Bélgica projeta uma Copa do Mundo diferente de quatro anos atrás

Hora de reunir a família, vestir a camisa e se preparar para mais uma Copa do Mundo. Disputando a competição pela 15ª vez, sendo essa a quarta consecutiva, para a Bélgica, a esperança é de que o roteiro seja completamente diferente de 2022, quando a seleção, ainda cercada de expectativas, caiu de forma precoce na fase de grupos com uma campanha decepcionante.
De lá para cá, o cenário não trouxe alívio, pelo contrário. A eliminação nas oitavas de final da Eurocopa, em julho de 2024, aprofundou a sensação de queda, que se confirmou de vez na Liga das Nações. Com uma campanha fraca, a Bélgica não só ficou fora da fase decisiva como também chegou a flertar com o rebaixamento, e o pior só não aconteceu após um triunfo por 4 a 3 no agregado diante da Ucrânia, nos playoffs.
No meio disso tudo, a seleção ainda passou por uma troca no comando técnico, com a saída de Domenico Tedesco e a chegada de Rudi Garcia, que assumiu a missão de dar uma nova cara ao time e liderar a transição para uma nova geração. Isso porque nomes como Romelu Lukaku, Thibaut Courtois e Kevin De Bruyne podem disputar sua última Copa do Mundo este ano, enquanto os olhos passam a se voltar para nomes como Jérémy Doku, Leandro Trossard e Amadou Onana, que trazem mais intensidade, velocidade e um perfil físico ao time belga.
Falando em medalhões, a lista final dos Diabos Vermelhos foi divulgada na última sexta-feira (15) e trouxe alterações importantes, algumas ausências significativas, além de polêmicas. O defensor Zeno Debast, que atua no Sporting CP, apesar de ainda se recuperar de uma lesão, consta na lista de convocação, assim como o atacante Fernández-Pardo, que optou por defender a Bélgica mesmo após passagem pelas categorias de base da Espanha.
Com isso, o jovem Mika Godts, considerado por muitos uma das grandes promessas dessa nova geração, acabou ficando fora da convocação. Outros nomes importantes ausentes na lista final dos 26 jogadores são Loïs Openda, Senne Lammens e Nathan De Cat.
Com a presença de Romelu Lukaku na convocação mesmo com pouca minutagem em campo, Rudi Garcia ressaltou a importância do artilheiro belga para a seleção:
“Romelu se recuperou, mas está fora de forma. Não tenho certeza se poderá começar os jogos. Ainda assim, ele é nosso melhor atacante e o maior artilheiro da história da Bélgica, além de ser um líder importante. Não podemos ficar sem ele. Não posso dizer qual será o seu papel, mas ele já está treinando para se recuperar o melhor possível.”

Já falamos sobre mudanças e convocados. Agora, resta entender como chega essa seleção belga em busca de conquistar o tão sonhado título mundial e superar a campanha de 2018, quando terminou a Copa do Mundo na terceira colocação.
Apostando na experiência dos veteranos, além de jovens promessas que representam a renovação da famosa “geração belga”, os comandados por Rudi Garcia têm na agenda amistosos e períodos de preparação antes da estreia na Copa do Mundo, diante do Egito, no próximo dia 15.
Em entrevista, o comandante belga falou sobre essa mesclagem na convocação:
“O conceito de coesão da equipe era importante; precisávamos dar continuidade a um grupo que havia apresentado um bom desempenho na seleção nacional, levando em consideração as habilidades complementares e o equilíbrio entre experiência e juventude. Esta equipe foi construída em torno de jogar bem e conviver bem em conjunto. Precisamos separar o objetivo da ambição. A habilidade é ilimitada; sonhamos em chegar até o fim. O objetivo principal é terminar em primeiro lugar no grupo, avançar da fase de grupos e então descobrir quem enfrentaremos nas fases seguintes. Não somos os favoritos, mas prefiro essa posição de azarão, que não exclui a ambição.”
É evidente que a seleção não chega cercada do mesmo prestígio e favoritismo de anos anteriores, mas ainda carrega respeito e temor no cenário mundial. O peso da chamada “geração belga” continua presente, mesmo com o histórico recente da equipe.
A instabilidade de Kevin De Bruyne e as poucas partidas de Romelu Lukaku na temporada são, sim, motivos de preocupação. Por outro lado, a ascensão de Jérémy Doku, a boa fase de Leandro Trossard e a nova base convocada trazem esperança de que a Bélgica possa voltar a viver um grande momento.
Pertencente ao Grupo G, juntamente com Egito, Irã e Nova Zelândia, é inegável que os Diabos Vermelhos carregam favoritismo para, ao menos, avançarem às oitavas de final sem grandes sustos. Além disso, também entram pressionados pela obrigação de buscar a liderança da chave.
Copa do Mundo nunca foi fácil, e essa certamente não será, principalmente agora com 48 seleções, o que torna o torneio ainda mais competitivo. Porém, não faltam chances para a Bélgica realizar uma boa campanha, construir uma fase de grupos sólida e, quem sabe, ir crescendo aos poucos, um passo de cada vez, sempre sonhando com a tão desejada final.
Ainda em entrevista após a convocação, Rudi Garcia voltou a comentar sobre o fato de sua equipe não aparecer entre as favoritas:
“O objetivo é, simplesmente, terminar em primeiro no grupo e avançar da fase de grupos; depois veremos quem enfrentaremos nas próximas rodadas. Não somos favoritos, mas preferimos essa posição de equipe menos favorita, algo que não representa um obstáculo para nossa ambição.”
Não podemos negar a desconfiança causada pelas últimas competições, mas Copa do Mundo também é sobre recomeços. A Bélgica chega pressionada, em reconstrução e longe do status de favorita absoluta, porém ainda cercada de talento, ambição e expectativa.
Agora, resta ao torcedor reunir a família, vestir a camisa e acreditar que os Diabos Vermelhos podem escrever uma nova história em 2026.
“Allez les Diables Rouges!”
Por: Thais Santos
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo