Em estreia de Umberto Louzer, América perde novamente e segue afundado na lanterna da Série B
Em uma noite fria em Belo Horizonte, o torcedor americano foi mais uma vez para casa carregando o mesmo sentimento que tem acompanhado a temporada inteira: frustração. Na estreia de Umberto Louzer no comando técnico, o América foi derrotado de virada pelo Atlético-GO por 2 a 1, na Arena Independência, pela 12ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

O título deste texto poderia ser qualquer outro, mas a sensação é exatamente essa: mudam os treinadores, mudam as escalações, mudam as promessas, mas o filme continua o mesmo. E, pior, cada rodada parece trazer um capítulo ainda mais difícil de assistir.
O jogo começou com o América sofrendo uma pressão que assustou boa parte da torcida presente no Independência. O Atlético-GO criou as primeiras oportunidades e mostrou desde cedo que a noite não seria tranquila. E existe um ponto que já não dá para ignorar: a falta de confiança da torcida em Gustavo. Mesmo em recuos simples, a arquibancada demonstra nervosismo. Não necessariamente por falhas recentes do goleiro, mas pelo ambiente de insegurança generalizada que tomou conta do clube (e também pelas falhas).
Apesar da pressão inicial dos visitantes, foi o América quem abriu o placar. Aos 30 minutos do primeiro tempo, após cobrança de escanteio de Segovinha, Felipe Amaral apareceu para cabecear para o fundo das redes e colocar o Coelho em vantagem, conforme relatado por Giovanna Rafaela Castro, da Itatiaia. Durante alguns segundos, ouviu-se aquele velho grito vindo das arquibancadas: “agora vai”. Parecia que, finalmente, o time poderia transformar uma boa atuação em resultado.
Mas o otimismo durou pouco.
Apenas dois minutos depois, Marrony aproveitou uma jogada construída justamente pelo lado esquerdo da defesa americana e empatou a partida. O gol teve um efeito devastador no aspecto emocional do time. Ainda assim, na minha visão, o América conseguiu terminar o primeiro tempo de forma razoável. Felipe Amaral, um dos poucos jogadores que realmente demonstraram capacidade de competir durante a partida, quase marcou novamente em uma finalização de fora da área. O time parecia vivo.
O problema é que o segundo tempo trouxe de volta todos os fantasmas que acompanham o América desde o início do ano.
Depois de um começo até equilibrado, a equipe foi perdendo intensidade, qualidade e organização. O ataque voltou a apresentar enorme dificuldade para criar oportunidades claras e o time passou a transmitir uma sensação de apatia que já se tornou familiar ao torcedor. Aos 28 minutos da etapa final, em um contra-ataque rápido do Atlético-GO, Gustavo Coutinho marcou o gol da virada, também conforme registrado pela reportagem de Giovanna Rafaela Castro, da Itatiaia.
E talvez seja justamente isso que mais assuste: não foi uma derrota surpreendente. Foi uma derrota previsível.

O América até tenta. Em alguns momentos cria. Em outros, demonstra alguma organização. Mas parece incapaz de sustentar um desempenho minimamente competitivo durante os noventa minutos. A cada gol sofrido, a equipe desmorona emocionalmente. A cada revés, a confiança parece diminuir ainda mais.
Fora das quatro linhas, o clima também segue pesado. A torcida continua extremamente insatisfeita com Val Soares. O volante voltou a ser alvo de críticas após mais uma atuação abaixo do esperado e o desgaste com parte dos torcedores aumentou depois dos episódios envolvendo cobranças no CT. Em um momento tão delicado, qualquer atrito entre elenco e arquibancada só contribui para tornar o ambiente ainda mais difícil.
E aqui cabe uma observação que já destaquei no meu pós-jogo no Bendito Seja o Futebol: desde o retorno de Lisca se fala sobre a necessidade de um departamento de psicologia no América, mas o tema nunca parece ter sido levado a sério como deveria. Clubes com alto desempenho têm esse suporte e falam abertamente sobre sua importância. O América, por outro lado, conforme confirmado pelo atual técnico, segue sem um departamento estruturado na área. E o mais grave é que os três últimos treinadores passaram pelo mesmo ponto: o desempenho do time também passa por uma questão psicológica. Até quando isso vai ser tratado como detalhe?
Com o resultado, o América segue sem vencer na Série B e permanece na lanterna da competição com apenas três pontos conquistados. Enquanto isso, o Atlético-GO ganhou fôlego e subiu para a parte intermediária da tabela. Mais uma vez, o Coelho vê um adversário em crise encontrar justamente contra ele a oportunidade de reagir.
Agora resta saber se Umberto Louzer conseguirá fazer algo que, até aqui, ninguém conseguiu: resgatar um time que parece ter perdido não apenas a confiança, mas também a identidade. Porque a sensação que fica para o torcedor é de que o problema já não está mais apenas no banco de reservas.
E isso talvez seja o mais preocupante de tudo.
Laura Assis Ferreira
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