Seleção escocesa anuncia convocação para a Copa do Mundo de 2026

A seleção da Escócia está de volta à Copa do Mundo após 28 anos de ausência. Sob o comando de Steve Clarke, a equipe britânica conquistou uma classificação marcante ao superar a Dinamarca e garantir destaque nas Eliminatórias Europeias.
Depois de quase três décadas longe do principal torneio do futebol mundial, os escoceses chegam à América do Norte com o objetivo de quebrar um tabu histórico: avançar pela primeira vez à fase mata-mata de uma Copa do Mundo.
A estreia da Escócia será contra o Haiti, no dia 13 de junho, às 21h (horário local) / 22h (de Brasília), em Boston, nos Estados Unidos. Na sequência, a equipe enfrentará o Marrocos, no dia 19 de junho, às 18h (horário local) / 19h (de Brasília), novamente em Boston. Para fechar a fase de grupos, os escoceses duelam com o Brasil no dia 24 de junho, às 18h (horário local) / 19h (de Brasília), em Miami.
Apesar da classificação histórica nas Eliminatórias Europeias, o momento da equipe ainda gera dúvidas. A Escócia teve desempenho decepcionante na Eurocopa de 2024, terminando na última colocação do Grupo A, além de ter sido rebaixada para a Liga B da Nations League 2024/25 após derrota para a Grécia nos playoffs.
A seleção também chega pressionada após uma Data FIFA negativa, com derrotas para Japão e Costa do Marfim.
Além das limitações técnicas do elenco, alguns dos principais jogadores vivem momentos irregulares em seus clubes. É o caso do capitão Andy Robertson, símbolo da atual geração escocesa, que perdeu espaço no Liverpool durante a última temporada.
Jogadores convocados
Para a competição, o técnico Steve Clarke convocou os seguintes atletas: Craig Gordon (Heart of Midlothian), Angus Gunn (Nottingham Forest) e Liam Kelly (Rangers) foram os goleiros escolhidos.
Na defesa, os convocados são Grant Hanley (Hibernian), Jack Hendry (Al-Ettifaq), Aaron Hickey (Brentford), Dom Hyam (Wrexham), Scott McKenna (Dínamo Zagreb), Nathan Patterson (Everton), Anthony Ralston (Celtic), Andy Robertson (Liverpool), John Souttar (Rangers) e Kieran Tierney (Celtic).
O meio-campo conta com Ryan Christie (Bournemouth), Findlay Curtis (Kilmarnock), Lewis Ferguson (Bologna), Ben Doak (Bournemouth), Billy Gilmour (Napoli), John McGinn (Aston Villa), Kenny McLean (Norwich City) e Scott McTominay (Napoli).
No ataque, Steve Clarke convocou Che Adams (Torino), Lyndon Dykes (Charlton), George Hirst (Ipswich Town), Lawrence Shankland (Heart of Midlothian) e Ross Stewart (Southampton).

Scott McTominay: o símbolo da nova Escócia
Se o cenário coletivo ainda apresenta incertezas, Scott McTominay surge como a principal esperança da torcida escocesa. Campeão da Serie A pelo Napoli e citado entre os destaques da temporada europeia, o meio-campista vive o melhor momento da carreira e foi decisivo na campanha que recolocou a Escócia em uma Copa do Mundo após 28 anos.
A classificação foi confirmada em uma vitória emocionante por 4 a 2 sobre a Dinamarca. McTominay marcou um golaço de bicicleta, em um dos momentos mais marcantes das Eliminatórias Europeias. O lance levou a torcida ao delírio e consolidou o camisa 4 como o grande protagonista da nova geração escocesa.
O impacto do jogador vai além dos números. Sob o comando de Steve Clarke, McTominay deixou de ser apenas um meio-campista de funções defensivas para atuar de forma mais ofensiva, chegando constantemente à área adversária. A mudança transformou seu papel na equipe nacional e elevou o nível técnico da seleção.
Sua trajetória também simboliza uma reinvenção pessoal. Durante anos, no Manchester United, era visto como um jogador de apoio, responsável pelas funções menos vistosas do meio-campo. A transferência para o Napoli mudou esse cenário. Na Itália, ganhou liberdade para atuar mais próximo do ataque e passou a explorar melhor suas características ofensivas.
Uma seleção em reconstrução
A Escócia chega à Copa do Mundo tentando consolidar um processo de crescimento iniciado nos últimos anos. A equipe voltou a disputar grandes torneios recentemente, participando da Eurocopa de 2020 e da Eurocopa de 2024, mas ainda sem conseguir campanhas expressivas.
Na Euro de 2020, os escoceses retornaram a uma grande competição após mais de duas décadas afastados, mas mostraram limitações técnicas e táticas. Já em 2024, apesar de uma seleção mais competitiva, a eliminação ainda na fase de grupos evidenciou que o time seguia distante das principais potências europeias.
Agora, porém, o cenário parece diferente. Com McTominay vivendo o auge da carreira, além da experiência de jogadores como Andy Robertson e John McGinn, a Escócia aposta em uma geração mais madura e competitiva para tentar surpreender no Mundial.
Campanhas da Escócia em Copas do Mundo
A Escócia participou de oito edições da Copa do Mundo, mas nunca conseguiu avançar para a fase eliminatória — um recorde negativo entre seleções com tantas participações.
A presença escocesa foi constante entre as décadas de 1970 e 1990, mas a última participação havia sido em 1998, justamente na França, quando caiu ainda na fase de grupos após enfrentar Brasil, Marrocos e Noruega.
Agora, após 28 anos de ausência, o tradicional “Exército de Tartan” retorna ao principal torneio do futebol mundial tentando finalmente escrever um novo capítulo em sua história.
O que esperar da Escócia em 2026?
A Escócia não chega como favorita no Grupo C, mas pode ser uma seleção competitiva. O time de Steve Clarke aposta em organização tática, intensidade física e na grande fase de Scott McTominay para tentar surpreender.
Ainda que existam dúvidas sobre o nível técnico do elenco e a consistência da equipe, os escoceses chegam embalados pelo retorno à Copa do Mundo e pela confiança em seu principal jogador. Caso consiga manter equilíbrio defensivo e aproveitar o momento de McTominay, a Escócia pode sonhar com sua melhor campanha em Mundiais.
Por Thamires Barbosa Araújo
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.