O Inter ainda não convence, mas finalmente começa a respirar


Colorado enfrenta o Coritiba em Curitiba tentando transformar estabilidade em evolução dentro do Brasileirão

Fora de casa, o Internacional, que enfim parece respirar um pouco de futebol, volta a campo neste sábado (9) para enfrentar o Coritiba, na capital paranaense. No Estádio Couto Pereira, o Coxa recebe o Clube do Povo às 16h, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

O Colorado chega embalado por duas vitórias consecutivas. Nenhuma delas contra o supra-sumo do futebol brasileiro e tampouco acompanhadas de um desempenho belíssimo, empolgante ou encantador. O Inter simplesmente cumpriu suas obrigações: venceu o Fluminense no Beira-Rio e o Brasil de Pelotas, no Bento Freitas, pela Recopa Gaúcha. Resultados importantes, necessários e que recolocam o time em um terreno minimamente respirável.

E vamos lá: isso ainda não representa uma “evolução considerável”. Mas nem só de pegação no pé se vive, não é?

Na Avenida Padre Cacique, enfim começam a surgir algumas luzes — ainda tímidas, talvez em meia-fase, distantes daquilo que o torcedor imagina para a temporada. Ainda assim, até a mais pesada das cornetas terá dificuldade para não admitir o óbvio: fazia tempo que o Inter não transmitia ao menos a sensação de estabilidade. Duas vitórias seguidas já pareciam quase um evento histórico. Eu mesma já nem me lembrava como era essa sensação.

Agora, no estado vizinho, o Inter de Paulo Pezzolano terá uma missão importante e cercada de boas lembranças no Couto Pereira. Apesar de não enfrentar o Coritiba em Curitiba desde 2023 — consequência da ausência do Coxa na Série A nas últimas temporadas — o estádio traz memórias recentes positivas ao Colorado. Foi justamente ali, em 2024, que o Internacional venceu o Grêmio como visitante durante o período em que os clubes gaúchos precisaram atuar fora do Rio Grande do Sul em razão das tragédias climáticas.

Para o duelo deste sábado, a expectativa é de que o time consiga consolidar parte daquilo que apresentou nas últimas partidas. Voltar a ser convincente e confiante talvez seja hoje a principal necessidade do elenco.

Pezzolano preservou boa parte dos titulares na disputa da Recopa Gaúcha e deve ter à disposição uma base descansada fisicamente e mais preparada para sustentar intensidade no Couto Pereira. A tendência é de manutenção da estrutura que funcionou diante do Fluminense: linhas mais compactas, pressão pós-perda mais agressiva e aceleração pelos lados do campo, explorando especialmente a capacidade de explosão de Carbonero e Bernabei.

Outro ponto que começa a aparecer com mais clareza é um meio-campo menos espaçado defensivamente. Villagra e Bruno Henrique deram maior sustentação ao setor nos últimos jogos, reduzindo a exposição da defesa e permitindo ao Inter competir mais fisicamente sem a bola — algo que faltou em muitos momentos da temporada.

Na escalação, as dúvidas não parecem formar uma grande incógnita. Rochet foi finalmente liberado pelo departamento médico e viajou com o elenco para o Paraná nesta sexta-feira (8), mas existe uma tendência de preservação do uruguaio, mantendo Anthoni entre os titulares. Thiago Maia e Alan Rodríguez também retornam à lista de relacionados e aumentam as opções de Pezzolano para o decorrer da partida.

A tendência é de manutenção de uma espinha dorsal repetida, algo raro no Inter de 2026 até aqui. Assim, Pezzolano deve escalar: Anthoni (ou Rochet); Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel e Bernabei; Villagra, Bruno Henrique e Allex; Carbonero, Vitinho — com possibilidade de variação mais avançada de Bernabei — e Alerrandro.

Desde a perda do Campeonato Gaúcho, talvez essa seja a primeira semana genuinamente positiva do Internacional. E isso impacta diretamente no aspecto mental do elenco — um fator que não aparece nas pranchetas, não se explica apenas taticamente e nem se traduz em estatísticas frias, mas que entra em campo carregando um peso gigantesco.

E a gente? A gente vai junto com o mental, com a superstição, com a magia. Vai com o retrospecto favorável de um Coritiba que não vence o Inter no Couto Pereira pelo Brasileirão desde 2012. Vai com o gosto recente de já ter vencido um Gre-Nal no mesmo palco. E vai, principalmente, com um pequeno argentino que vem fazendo o torcedor colorado sorrir novamente a cada bola na rede.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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