Muchachos, ahora nos volvimos a ilusionar!


Botafogo vence o Racing e encaminha classificação para a próxima fase da Sul-Americana

O Botafogo enfrentou o Racing nesta quarta-feira (6), no estádio Nilton Santos, às 21h30, em partida válida pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Conmebol Sul-Americana. O Alvinegro venceu o duelo por 2 a 1, com gol contra de Di Cesare e gol de Danilo, e deu um passo importante rumo à classificação para as oitavas de final.

Vítor Silva 

Cómo te lo voy a explicar lo que no vas a entender?”

Chegamos para mais um! E eu inicio esse texto com uma célebre pergunta da música-título desta matéria. E realmente, é isso: Como eu vou te explicar algo que você não vai entender? (e nem eu)

Em meio a uma grande instabilidade financeira e à saída iminente de jogadores importantes, de alguma forma, o Botafogo gostou da Sul-Americana. 

Já tentei achar evidências, também apelei para alguma superstição que pudesse decifrar toda essa combinação de combinações bem sucedidas, mas nada! Enfim, não cabe a mim tentar entender. Por enquanto, vou me limitar a agradecer porque as coisas, ainda, caminham de maneira surpreendente. 

E vamos lá! Apesar de não ter sido uma noite muito inspirada, tecnicamente falando, são 3 pontos importantíssimos na luta pelos nossos objetivos dentro da competição. O Botafogo chegou aos 10 pontos e sendo isso bom ou não, agora só depende de si mesmo para se classificar em primeiro lugar  do grupo E e ir direto para as oitavas de final.

Uma grande preocupação reside nesse “que ótimo,

agora só precisamos de uma vitória ou de uma combinação de resultados”. Até porque, conhecer meu time como eu conheço me permite essa desconfiança natural.

Porém, acho que todos concordamos que isso é um problema para o amanhã. Agora, me deixa comemorar essa boa fase (enquanto ela ainda dura)

DE OLHO NA PARTIDA 

O Botafogo entrou com postura de quem entendeu o tamanho do jogo. Bloco médio bem ajustado, linhas próximas e uma preocupação clara em fechar o corredor central contra o Racing. 

A ideia era simples: deixar o adversário rodar a bola por fora e morder quando surgisse a oportunidade de jogadas infiltradas. Não foi brilhante nos início da partida, até mesmo com uma certa demora em sair com a bola, mas conseguiu preencher os espaços do campo, não deixando muitas oportunidades para chegadas efetivas da equipe Argentina. 

O primeiro lance de perigo veio numa pressão alta que quase resultou em finalização limpa dentro da área, mostrando que o Botafogo não estava ali apenas para reagir. O gol que abriu o caminho nasceu dessa insistência: bola alçada na área, defesa argentina batendo cabeça e a jogada terminando no fundo da rede após desvio contra.

Botafogo 1, Racing 0! 

 Mérito de quem ocupa espaço e força o erro. Em competição continental, gol feio também vale três pontos e às vezes vale mais, porque desmonta o plano do adversário.

O Racing tentou responder acelerando o jogo pelas pontas e explorando cruzamentos. Encontrando um Botafogo com marcação mais baixa e, talvez, mais desatento, ‘La Acade’ conseguia aproveitar melhor os espaços deixados no meio de campo alvinegro. 

A essa altura, o Botafogo parecia não fazer questão de ter o controle da partida. Já o Racing explorava as saídas em velocidade e buscava nas bolas altas lançadas na área o cabeceio de seus homens mais altos.

Apesar da vontade comovente do Botafogo de deixar o adversário empatar, foi para o intervalo à frente no placar.

Na segunda etapa, o Racing já mostrava que continuaria em alta velocidade, tentando tirar proveito de cada erro de passe do time brasileiro. E então, em um cruzamento preciso, o castigo veio.  Adrián Martínez apareceu com muita liberdade e percorrendo cada centímetro da falha coletiva de marcação, deixou tudo igual do Niltão.

Botafogo 1, Racing 1.

Quando o gol de empate saiu, a torcida ficou ainda mais impaciente. Mas o que nenhum botafoguense esperava foi a reação de maneira muito rápida. Nada de desorganização ou chutão desesperado. O meio-campo retomou o controle territorial, os laterais voltaram a apoiar com critério e o time empurrou o Racing para trás. 

A partir do momento que o time alvinegro quis voltar ao jogo, a vida dos argentinos já não estava tão simples. As finalizações de média distância exigiram boa defesa do goleiro, além dos chutes que tiravam fino da trave. 

O Botafogo rondava.

Até que apareceu o Danilo. 

Movimentação inteligente atacando o espaço entre zagueiro e lateral, domínio orientado e conclusão firme. Gol construído com leitura de jogo e convicção. Nada de enrolação, tudo com eficiência.

Botafogo 2, Racing 1.

E quando parecia que o roteiro já estava escrito, veio a cereja do bolo: a expulsão do goleiro do Racing após sair da área e interceptar a bola com a mão numa chance clara de contra-ataque. A partir dali, o Botafogo teve cenário perfeito para controlar superioridade numérica, campo aberto e emocional do adversário já muito abalado.

Mesmo assim, o time escolheu maturidade em vez de euforia. Circulou a bola, esfriou o ritmo quando necessário e evitou dar qualquer respiro emocional ao adversário. Houve ainda uma chance clara em transição rápida que poderia ter ampliado o placar, mas a finalização parou no goleiro reserva.

No fim, ficou a sensação de atuação sólida. O Botafogo não estava muito inspirado, mas foi consciente. Soube pressionar, reagiu ao golpe, aproveitou o erro adversário e administrou a vantagem com autoridade. Em torneio continental, isso não é detalhe, é credencial.

E como dizemos por aqui: noite de copa não se joga, se ganha! 

FOTO: Vítor Silva 

UM PÉ NAS OITAVAS 

Mais do que o resultado, a partida escancarou muito do momento que o clube atravessa. A equipe demonstrou entrega e competitividade em diversos momentos, especialmente quando precisou enfrentar os imprevistos dentro de campo. 

Houve erros, claro. Algumas falhas de concentração, decisões precipitadas em momentos-chave e certa dificuldade na construção ofensiva, mas também ficou evidente um grupo que não se esconde, que tenta assumir responsabilidade mesmo sob pressão.

A postura foi, em muitos aspectos, grandiosa.. Ainda que a falta de constância durante a partida seja um ponto muito importante para se trabalhar, percebe-se um elenco que busca intensidade e compromisso, algo fundamental quando o contexto extracampo é turbulento. 

E é impossível dissociar o que acontece nas quatro linhas da instabilidade financeira e política que ronda o clube. Salários atrasados, incertezas administrativas e disputas internas inevitavelmente impactam o ambiente. Até porque, futebol não é uma bolha isolada; ele reflete a estrutura que o sustenta.

Mesmo assim, o que mais chama atenção é a tentativa de transcendência. Há um esforço coletivo para que as dificuldades não se transformem em desculpas. Em meio ao caos, o espírito da camisa que “entorta varal” parece trabalhar de maneira incansável. O grupo aparenta saber que representa mais do que uma gestão passageira; representa uma instituição que já “flertou” com o fim inúmeras vezes e, mesmo assim, resistiu.

Se há algo que essa partida deixa como mensagem, é que o momento exige maturidade. Nem euforia quando as circunstâncias são positivas, nem terra arrasada diante dos tropeços. A reconstrução passa por estabilidade fora de campo, mas também por atitude dentro dele. 

O que vemos é um Botafogo que, por onde vai, deixa seu ideal de luta e resistência. Nem sempre o amanhã será bonito, mas hoje é possível lutar para que ele seja o melhor possível.

Nós lutamos. O tempo todo! 

Y ser campeones otra vez 

PRÓXIMO JOGO

O Botafogo vai voltar a campo no domingo (10) contra o Atlético Mineiro, na Arena Mrv, às 16h, em partida válida pela décima quinta rodada do Campeonato Brasileiro. 

Vamos juntos, meu Glorioso!

Por Julia Aveiro

Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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