Fora de casa, o Internacional de Paulo Pezzolano precisa — necessita, urge — jogar futebol
É simples e direto, sem curvas ou explicações. Com o que apresentou até aqui em 2026, entre raras evoluções e repetidas falhas que se acumulam de forma exaustiva, vencer o jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil, nesta quarta-feira (22), às 20h30, no Orlando Scarpelli, diante do Athletic, deixa de ser apenas um objetivo e passa a ser obrigação.

O recado do torcedor é claro. Direto. Sem rodeios. O que se vê em campo é um time que gira, gira e parece correr atrás do próprio rabo, na ânsia de encontrar um mínimo de paz— porque pedir felicidade, hoje, soa como um luxo caro demais.
Após a derrota na manhã de domingo (19), pelo Campeonato Brasileiro, o Inter voltou a olhar para a parte incômoda da tabela, se aproximando perigosamente da zona de rebaixamento. Mais do que isso, viu novamente seu elo com a torcida sofrer uma ruptura emocional. E não, não é apenas sobre o resultado.
Nós, apaixonados por futebol, aprendemos a conviver com vitórias e derrotas. Sorrimos mesmo em dias ruins, choramos conquistas, prometemos nos afastar — e em menos de 72 horas já estamos de volta, à porta do estádio que mais parece casa, ou diante do rádio e da televisão, tomados pela ansiedade de ver o time jogar novamente. Mas o que machuca, o que realmente fere como ferro quente, é ver um time entrar em campo sem concentração, sem objetivo, sem alma. Isso rompe um laço construído, muitas vezes, em dias bastante nublados.
Fora das quatro linhas, as cobranças foram diretas. A indignação tomou forma na saída de jogadores e dirigentes, e nas redes sociais ganhou ainda mais força. A Torcida Organizada Camisa 12 elevou o tom, com protestos claros, direcionados, com nome e sobrenome.
Agora, fora de casa — mas nem tão longe assim —, o Internacional precisa colocar a cabeça no lugar. Reorganizar as próprias emoções. Fazer um jogo honesto. Um jogo que permita sair em vantagem em uma competição que, além de possível, é fundamental também para o respiro financeiro do clube.
O duelo em Santa Catarina acontece porque o Estádio Joaquim Portugal, em Minas Gerais, não atende à capacidade mínima exigida, o que levou o Athletic a transferir o mando para Florianópolis, aproximando o confronto da vizinhança colorada.
Com pouco tempo entre recuperação e preparação, o elenco se reapresentou sob pressão. E, nesse momento, o principal ajuste não é físico — é mental. As declarações recentes escancaram um grupo que tem se abalado com facilidade dentro de campo, algo que já não precisa de explicação: é visível.
Para o confronto, Pezzolano contará com retornos importantes: Bernabei e Gabi Mercado voltam a ficar à disposição. Por outro lado, Sérgio Rochet segue no departamento médico, ainda sem informações detalhadas sobre lesão ou prazo de retorno.

A provável escalação deve ter: Anthoni; Bruno Gomes, Gabi Mercado, Félix Torres (ou Victor Gabriel) e Bernabei; Villagra, Bruno Henrique, Vitinho e Alan Patrick; Carbonero e Alerrandro.
Por Jéssica Salini
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