Tricolor é derrotado por 2 a 1 em uma atuação deprimente, despencando na tabela e escancarando a bagunça tática de Zubeldía.
O Fluminense foi nocauteado pela própria apatia na noite deste domingo (12). Em um Maracanã que assistiu a uma das exibições mais covardes dos últimos tempos, o Time de Frouxos foi superado pelo Flamengo por 2 a 1.
O mais difícil foi aceitar um time completamente passivo e sem reação. Desde os primeiros segundos, o Fluminense se comportou como um time morto, entregando a bola, o campo e a honra para um adversário que, com exceção de um iluminado, nem precisou fazer muito para sair com a vitória.
A consequência imediata é o tombo na tabela, onde o Fluminense estaciona nos 20 pontos e vê o G4 ficar ameaçado pela falta de brio. A pressão sobre Zubeldía atingiu o ápice, não apenas pela derrota, mas pela forma como o time se desestruturou emocionalmente e tecnicamente. Com o calendário espremido e a Libertadores batendo à porta, a derrota vai pesar muito e aumentar a desconfiança no time em um momento em que a ambição deveria ser a regra, não a exceção.

Primeiro tempo de desastre anunciado
A tragédia tricolor começou antes mesmo de quem chegou atrasado sentar na cadeira. Com apenas 1′ de jogo, Lucho Acosta levou uma bolada na cabeça e ficou completamente nocauteado, forçando uma substituição precoce.
Foi aqui que a primeira decisão burra de Zubeldía apareceu: em vez de colocar o Savarino para manter a dinâmica, optou pela monotonia de Ganso. O resultado? O desenho tático virou uma bagunça inacreditável.
Aos 7′, o Fluminense resolveu entregar o jogo de vez. Fábio, em um erro bizarro na saída de bola, tentou jogar com os pés e entregou no peito de Samuel Lino. A bola sobrou para Pedro, que viu o goleiro adiantado e, do meio da rua, encobriu com uma facilidade irritante.
O que se viu depois foi um time sem alma. O Fluminense não gerou perigo nenhum no primeiro tempo, errando passes básicos e permitindo que o Flamengo controlasse o jogo em ritmo de treino.
Pedro, a cria de Xerém que parece ter um prazer sádico em nos atacar toda vez que pisa no Maracanã, quase ampliou em outras oportunidades, aproveitando uma zaga que batia cabeça a cada cruzamento. É impressionante como os moleques que a gente forma chegam com esse apetite contra nós. Xerém ensina bem demais a arte de castigar quem os criou.
Segundo tempo com modo desespero ativado
Se o primeiro tempo foi ruim, o início do segundo foi o enterro. Aos 50′, Samuel Lino cruzou de três dedos e achou Pedro — de novo ele — livre na pequena área. O atacante teve tempo de dominar de peito e empurrar para a rede, sem que ninguém da defesa sequer tentasse um bote. Era o 2 a 0 que premiava a nossa falta de vergonha.
A desorganização era tamanha que, aos 54′, Pedro marcou o terceiro, mas a arbitragem salvou o vexame maior ao marcar impedimento. Fábio, apesar do deslize no início do jogo, ainda operou milagres para evitar uma goleada histórica, consertando besteiras de uma defesa que deixou avenidas abertas.
A partida só mudou de figura aos 64′, quando Zubeldía finalmente admitiu o erro e colocou Savarino e Castillo. A entrada da dupla deu o volume que faltava, muito pela presença de área de Castillo fazendo o pivô.
Aos 75′, o improvável aconteceu: Alex Sandro cometeu uma falha grave ao tentar recuar, a bola sobrou limpa e Savarino, acreditando até o fim, se atirou nela para diminuir o prejuízo. O gol inflamou a torcida e o Fluminense se atirou no ataque, mas de forma desordenada.
Aos 94′, Carrascal ainda foi expulso após uma entrada criminosa de tesoura no Guga, deixando o Flamengo com um a menos e dando uma última esperança.
Tivemos dois escanteios no fim, mas Castillo não conseguiu encaixar a cabeçada perfeita e o apito final selou o fracasso.

Um time morto e sem rumos
O apito final trouxe a realidade nua e crua: o Fluminense não jogou. A troca forçada de Lucho por Ganso matou qualquer intensidade, e a insistência em erros de saída de bola é algo que beira o masoquismo. A atuação foi apática e deprimente. O time não teve o tempo da marcação em nenhum momento e a desorganização defensiva foi salva apenas pelo brilho individual de Fábio em certos lances. Para piorar, Martinelli e Canobbio, que jogaram pendurados, levaram o terceiro amarelo e estão fora do próximo compromisso pelo Brasileirão, deixando o elenco ainda mais capenga.
O sentimento é de revolta. Perdemos a invencibilidade como mandante em um jogo onde fomos inferiores do início ao fim. Zubeldía assumiu a responsabilidade, mas as desculpas não apagaram a imagem de um time que pareceu entrar em campo já conformado com a derrota. É preciso muito mais ambição e, principalmente, vergonha na cara para vestir essa camisa.
Próximo jogo
Agora, o Fluminense colhe os frutos de uma decisão administrativa questionável. Os frouxos da instituição aceitaram o adiamento do clássico para domingo, perderam e agora o time terá um dia a menos de preparação para a Libertadores. Na próxima quarta-feira (15), o Tricolor recebe o Independiente Rivadavia no Maracanã, às 21h30, pela fase de grupos da competição continental.
Sem Lucho Acosta, que saiu de campo com o joelho imobilizado e preocupa seriamente o departamento médico, o Fluminense chega para esse jogo sob total desconfiança. A maratona é pesada e o erro tático de hoje pode custar caro lá na frente. É vencer ou vencer na quarta-feira, ou a temporada que prometia tanto começará a ruir antes mesmo de maio chegar.
Por Adrielle Almeida
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo