Do controle à desordem em 90 minutos


Flamengo vive atuação irreconhecível, é dominado e interrompe sequência que animava o torcedor

Havia uma expectativa silenciosa antes da bola rolar em Bragança Paulista. Não era euforia exagerada, nem salto alto, era aquela confiança que o torcedor reconhece quando o time começa a dar sinais de que está no caminho certo. O Flamengo vinha assim: organizado, seguro, sem sofrer gols, empilhando atuações que, mais do que vitórias, devolviam a sensação de controle.

No entanto, o futebol tem dessas, e digamos que nos retornos de data FIFA, a gente nunca sabe o que esperar, dessa vez, o que se viu contra o Bragantino foi quase o oposto de tudo que vinha sendo construído.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O primeiro tempo começou estranho, e não demorou muito para ficar preocupante. O Flamengo tinha a bola, mas não tinha o jogo. Faltava intensidade, faltava aproximação, faltava presença. Do outro lado, um Bragantino atento, direto, aproveitando cada espaço que aparecia. E apareceu logo no início, quando Pitta encontrou uma defesa desorganizada para abrir o placar.

Ali, o alerta acendeu, mas não houve resposta. Pelo contrário, o time seguiu disperso, como se ainda estivesse tentando entrar na partida. E, quando Gabriel teve liberdade para pensar e soltar um chute de fora da área, o segundo gol saiu como consequência natural do que já se desenhava em campo.

O intervalo chegou com 2 a 0 no placar e uma sensação incômoda: o Flamengo não só estava perdendo, como não parecia próximo de reagir.

Começou o segundo tempo: curto na esperança e longo no sofrimento. Com poucos minutos de bola rolando, Erick Pulgar foi expulso após agressão revisada pelo VAR. E, naquele instante, acabou, se faltava organização com onze, com dez o time se perdeu de vez.

O terceiro gol, marcado por Lucas Barbosa, veio pouco depois, como um retrato final da noite: espaços, desatenção e um adversário que não perdoava. A partir dali, restou assistir. Aos gritos de “olé” vindo da arquibancada, ao controle absoluto do Bragantino e à sensação de impotência de um Flamengo que, dias antes, parecia tão sólido. O placar de 3 a 0, no fim, não soou exagerado, soou até generoso.

Quando a bola parou de rolar, a frustração encontrou outro caminho. Empurrões, discussões, um clima tenso que terminou em confusão generalizada. De La Cruz foi tirar satisfação, houve revide, comissão técnica envolvida. Era o reflexo de um time que não conseguiu competir como queria, e deixou a raiva transbordar.

No meio de uma sequência que começava a empolgar, a noite em Bragança surge como uma freada brusca. A forma como esse time perdeu não tem explicação, o Flamengo que vinha se mostrando consistente, entrou em campo irreconhecível.

E é esse o incômodo maior! Perder faz parte do jogo, o que não se pode aceitar é não se encontrar em nenhum momento do jogo. 

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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