O ano começou, mas o Flamengo ainda não chegou


Derrota na Supercopa expõe um time que se arrasta e não conversa com o torcedor

A temporada mal começou e o Flamengo já parece cansado de si mesmo. Neste domingo (1), no Mané Garrincha, o Rubro-Negro perdeu para o Corinthians por 2 a 0 e ficou com o vice da Supercopa do Brasil, vendo Gabriel Paulista e Yuri Alberto decidirem uma final que expôs algo além do placar. 

Era a primeira taça do ano, mas também a terceira derrota consecutiva, e a sensação que ficou foi a de um time que ainda não se reconhece em campo, enquanto o torcedor, que jurou não se estressar tão cedo, já começa a sentir o peso de um início de temporada arrastado e inquietante.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo até tentou se impor desde o início. Teve mais posse, circulou a bola, ocupou o campo adversário, mas esbarrou no mesmo problema que vem se repetindo: controle sem contundência. Faltou agressividade, faltou raça, faltou transformar domínio em gol. O Corinthians, mais confortável em seu plano, foi cirúrgico. Em uma das poucas chegadas realmente verticais, ganhou escanteio e castigou. Gabriel Paulista aproveitou a sobra na área e abriu o placar, como quem lembra que decisão não perdoa desatenção.

O golpe não acordou o Flamengo. Pelo contrário. O time seguiu rodando a bola sem conseguir acelerar o jogo, enquanto o Corinthians parecia sempre mais perto de machucar quando encontrava espaço. Rossi ainda evitou um prejuízo maior antes do intervalo, mas o sentimento nas arquibancadas já era de inquietação, aquele desconforto típico de quando algo não encaixa.

O segundo tempo trouxe um roteiro tão estranho quanto simbólico. Carrascal foi expulso antes mesmo da bola voltar a rolar, em um episódio raro, revisado apenas após o intervalo. Com um a menos, paradoxalmente, o Flamengo mostrou mais vontade. Passou a empurrar o Corinthians, acumulou cruzamentos, pressionou como deu. Pulgar acertou o travessão. O empate parecia possível mais na base da insistência do que da organização.

Foi nesse cenário que Lucas Paquetá reestreou. E ali, talvez, esteja a imagem que melhor resume a noite rubro-negra. Aos 48’, a bola sobrou limpa, na pequena área, como um convite ao alívio. Paquetá finalizou por cima. Um lance inacreditável, que não define o jogador, mas escancara o momento: nada dá certo. Nem quando o roteiro parece pronto para mudar.

O Corinthians, que já se defendia como podia, encontrou no último lance o desfecho cruel. Com o Flamengo inteiro no ataque, Yuri Alberto recebeu em profundidade, chapelou Rossi e marcou o segundo. Frio, definitivo, simbólico. Enquanto um time executou com precisão, o outro terminou o jogo olhando para o próprio reflexo, sem se reconhecer.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O apito final trouxe reclamações, expulsão de Jorginho e mais perguntas do que respostas. São três derrotas seguidas, em três competições diferentes. Um vice logo na primeira taça do ano. Um Carioca que ainda assombra. A sensação incômoda de que a temporada começou, mas o Flamengo segue em marcha lenta. E a verdade é que o calendário não espera, a exigência não diminui, e o Flamengo já entrou em 2026 devendo.

A essa altura, já não é só frustração. É raiva mesmo. Raiva de ver um Flamengo lento, previsível, que parece sempre chegar atrasado na dividida e na decisão. Raiva das escolhas que desmontaram o pouco que funcionava, das substituições que não mudaram o rumo e, em alguns momentos, pioraram o cenário. O torcedor, que empurra, cobra e exige porque sabe do tamanho desse escudo, olha para o campo sem reconhecer a intensidade que sempre o representou. Mais do que perder uma final, fica a sensação sufocante de estar sendo traído pela ausência de urgência.

Próximo jogo

O Flamengo volta a campo no dia 4 de fevereiro, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Série A, para enfrentar o Internacional, às 19h.

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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