Classificação histórica disputada minuto por minuto


O placar de 0 a 0 para quem não assistiu pode esconder a batalha que aconteceu ao longo de mais de 120 minutos de futebol

Na tarde desta terça-feira (7), Suíça e Colômbia entraram em campo, em Vancouver, para disputar uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Confesso que, pela primeira vez desde o início deste Mundial, a simples setorista aqui ficou com o coração dividido. De um lado, a Suíça, seleção que tive o prazer de acompanhar desde antes da Copa, estudando seus jogos, analisando sua evolução e acompanhando sua busca incessante por deixar de ser vista apenas como uma seleção “mediana”. Do outro, nossos hermanos colombianos. E acho que todo brasileiro acaba criando um carinho especial pelos nossos vizinhos sul-americanos… com uma exceção bastante óbvia.

Fotos: Site FIFA 

Talvez justamente por isso o jogo tenha sido tão especial. Parecia que tudo aquilo que eu estava sentindo também acontecia dentro de campo. A vontade de vencer dos dois lados era evidente. Cada dividida valia uma classificação, cada bola recuperada arrancava um suspiro da arquibancada e ninguém estava disposto a abrir mão do sonho de seguir na maior Copa do Mundo da história.

Quem olhar apenas o placar final vai imaginar uma partida morna, sem emoção, mas foi exatamente o contrário. O empate em 0 a 0 esconde uma batalha intensa, decidida nos detalhes e marcada por muito equilíbrio. Durante os 90 minutos regulamentares e também nos dois tempos da prorrogação, Suíça e Colômbia buscaram o gol o tempo todo, mas encontraram dois sistemas defensivos extremamente organizados e dois goleiros em grande noite.

Segundo Victor Fardin, da CNN Brasil, a Colômbia levou perigo ainda no primeiro tempo com Gustavo Puerta, obrigando Gregor Kobel a fazer uma excelente defesa. A Suíça respondeu com Fabian Rieder e, principalmente, Dan Ndoye, que pararam nas boas intervenções de Camilo Vargas. O roteiro permaneceu parecido durante toda a partida: uma seleção atacava, a outra respondia logo em seguida e nenhuma delas conseguia encontrar o detalhe que faria a diferença.

Na volta do intervalo, a intensidade permaneceu alta. Djibril Sow desperdiçou boa oportunidade para os suíços, enquanto Luis Suárez respondeu pelo lado colombiano. O confronto foi ficando cada vez mais truncado, com muitas faltas, marcação forte e poucos espaços. Quando parecia que o jogo terminaria mesmo sem grandes emoções, a prorrogação trouxe novas oportunidades para os dois lados.

Ainda conforme a reportagem da CNN Brasil, Davinson Sánchez desperdiçou uma excelente chance logo no início do tempo extra. Depois foi a vez de Lucumí acertar o travessão, enquanto Campaz obrigou Kobel a fazer outra importante defesa. A Suíça também respondeu com Zeki Amdouni, mas Camilo Vargas apareceu novamente para impedir o gol. Parecia que o destino havia decidido que aquela classificação só poderia ser escrita da forma mais cruel e também mais emocionante possível: nas cobranças de pênaltis.

E convenhamos, poucas coisas no futebol mexem tanto com o emocional quanto uma disputa por pênaltis. Nessa hora, muitas vezes a técnica deixa de ser protagonista. Vale a frieza. Vale o psicológico. Vale conseguir controlar um coração que parece querer sair pela boca. E foi exatamente isso que aconteceu.

Fotos: Site FIFA 

Davinson Sánchez acertou o travessão logo na primeira cobrança colombiana. Manuel Akanji até devolveu esperança aos sul-americanos ao desperdiçar sua cobrança, mas Gregor Kobel apareceu mais uma vez como protagonista da noite ao defender o pênalti de Cucho Hernández e garantir a vitória suíça por 4 a 3, classificando sua seleção para as quartas de final, conforme destacou Victor Fardin, da CNN Brasil.

A classificação também representa um feito histórico. A Suíça volta às quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1954. São 72 anos de espera interrompidos por uma geração que talvez ainda não receba o reconhecimento que merece. É apenas a quarta vez que os suíços chegam entre as oito melhores seleções do planeta.

Mas se o caminho até aqui foi bonito, o que vem pela frente promete ser ainda maior.

Nas quartas de final estará ninguém menos que a atual campeã do mundo: a Argentina.

E aqui acaba qualquer coração dividido.

Agora terá pela frente talvez o maior desafio possível. Uma Argentina recheada de estrelas, acostumada com decisões, atual campeã do mundo e, naturalmente, favorita. Mas essa mesma Argentina também mostrou fragilidades nesta Copa. Precisou lutar até o fim para eliminar o Egito e deixou claro que ninguém está imune às surpresas neste Mundial.

Aliás, se existe uma lição que essa Copa vem deixando é justamente essa. Favoritismo não vence. Vimos seleções consideradas menores jogarem de igual para igual contra potências tradicionais. Talvez essa esteja sendo justamente a Copa mais democrática que tivemos em muito tempo.

E é exatamente por isso que eu me permito acreditar.

Não porque a Suíça seja favorita. Ela não é. Mas porque mostrou até aqui que sabe competir. Mostrou que consegue sofrer quando precisa sofrer, que sabe defender quando é pressionada e que possui um elenco extremamente comprometido com uma ideia de jogo. Em torneios curtos, muitas vezes isso vale tanto quanto um elenco estrelado.

Independentemente do resultado diante da Argentina, essa campanha já muda completamente o patamar da seleção suíça. Voltar às quartas de final depois de 72 anos não é apenas um número. É a confirmação de que existe um projeto sólido, uma geração competitiva e uma seleção que definitivamente deixou de ser apenas “mais uma” entre as europeias.

E, para mim, fica também um sentimento muito especial. Comecei essa cobertura praticamente conhecendo pouco da Suíça. Aos poucos fui estudando seus jogadores, acompanhando suas partidas, entendendo seu estilo de jogo e, sem perceber, acabei criando um enorme carinho por essa equipe. É curioso como o futebol faz isso com a gente. Às vezes escolhemos um time. Outras vezes é o time que escolhe a gente.

Que venha a Argentina.

Que a Suíça consiga fazer aquilo que, por muito pouco, Egito e Cabo Verde não conseguiram: eliminar uma das grandes favoritas ao título. Toda minha torcida estará com essa seleção que me conquistou ao longo desta Copa. E, mesmo que a caminhada termine nas quartas de final, vocês já mudaram de patamar. A Suíça não é mais apenas uma participante da Copa do Mundo. Hoje ela está, com todos os méritos, entre as oito melhores seleções do planeta.

Que prazer foi acompanhar essa trajetória até aqui.

E, sinceramente, espero escrever mais um capítulo dessa história.

Até o pré-jogo.

Por Laura Assis Ferreira

*Os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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