Não foi Boca X Cruzeiro… Foi Boca X Otávio


Cruzeiro sofre, mas nosso paredão azul segura o placar

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Na noite desta terça-feira (19), achei que meu coração não aguentaria o teste de sobrevivência que o Cruzeiro me impôs. Enfrentar o Boca Juniors na mística Bombonera, pela Libertadores, é sempre um drama, mas saímos de lá com um empate de 1 a 1 arrancado na base da raça, após uma sucessão de lances polêmicos e muita pressão.

Foi um jogo de emoções extremas, aflição e o surgimento de um herói: Otávio. Nossa muralha azul, cria da base, entrou em campo para brilhar. Ele mostrou que, apesar da pouca idade, tem a maturidade necessária para encarar gigantes. Se não voltamos para casa com uma derrota amarga, devemos isso aos seus milagres debaixo das traves, ele foi, sem dúvidas, o melhor em campo.

A arbitragem e o VAR também foram protagonistas negativos, positivos, além de picotar o jogo e testar nossos nervos. O momento mais crítico foi a expulsão direta de Gerson, uma decisão polêmica que nos deixou em desvantagem. No entanto, o futebol é irônico, o próprio VAR, que nos tirou um jogador, acabou fazendo justiça ao invalidar um gol do adversário no final do jogo, mantendo o placar igualado.

Ser cruzeirense é viver nesse limite. O time nos faz oscilar entre a euforia e o desespero, entre o amor e o ódio, em questão de segundos. Dá vontade de invadir o campo, de ensinar a arbitragem a trabalhar, de gritar até perder a voz. No fim das contas, uma coisa é certa: o amor pelo Cruzeiro é maior do que qualquer erro ou resultado.

Foi uma batalha intensa e cheia de reviravoltas. Agora, com os nervos no lugar, vamos analisar como cada detalhe dessa partida se desenrolou.

Primeiro tempo

O que vimos no primeiro tempo entre Boca Juniors e Cruzeiro foi um duelo para deixar o torcedor com o coração acelerado. Desde o apito inicial, ficou claro que ninguém teria vida fácil.

O jogo começou frenético. Logo aos 2 minutos, Fagner tentou dar o cartão de visitas da Raposa, mas exagerou na força. O Boca respondeu imediatamente com a agressividade de Blanco pela esquerda, criando problemas para a defesa celeste.

Aos 6 minutos, a torcida argentina quase explodiu, Blanco cruzou e Merentiel finalizou à queima-roupa, mas parou em uma defesa espetacular de Otávio, que se consagrava como o paredão mineiro naquele início de partida.

Aos 15 minutos, o balde de água fria para os torcedores mineiros. Em uma cobrança de falta venenosa de Paredes, a bola passou por Otávio e encontrou Merentiel, que só teve o trabalho de empurrar para as redes. Era o 1 a 0 que inflamava Buenos Aires. Mas, mesmo após o gol, o nosso paredão continuou com confiança e fez defesas que impediram ampliar o placar.

Atrás no placar, o Cruzeiro mostrou maturidade. Em vez de desmoronar, a equipe se reorganizou. Fagner e Matheus Pereira buscavam jogadas em velocidade, enquanto a defesa, liderada por Fabrício Bruno, cortava os cruzamentos perigosos de Paredes e Blanco.

O jogo seguiu lá e cá, com Aranda sendo uma ameaça constante pelo lado do Boca e o Cruzeiro tentando responder em contra-ataques rápidos.

O Cruzeiro não se acovardou. Aos 30, protagonizou uma arrancada eletrizante, deixando a marcação para trás e exigindo uma defesa difícil de Brey. O time brasileiro trocava passes com paciência, buscando brechas, enquanto Christian arriscava de longe para manter a defesa Argentina em alerta.

Ao final dos 45 minutos, mais os 3 de acréscimo, e o placar não se alterou terminando o jogo 1 a 0 para o adversário argentino. O grande destaque dessa primeira etapa foi, a segurança de Otávio sob as traves e a persistência de Kaio Jorge no ataque foram os pilares que mantiveram o Cruzeiro vivo e perigoso em pleno território inimigo.

O segundo tempo, o time precisa voltar com força máxima para garantir o empate ou virar o jogo.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Segundo tempo

Se o primeiro tempo foi tenso, a etapa final entre Boca e Cabuloso na Bombonera transformou-se em um jogo épico de tirar o fôlego, onde o roteiro parecia escrito por um mestre do suspense. Foi um segundo tempo de superação, polêmicas e um coração que teimava em bater forte, mesmo sob as circunstâncias mais adversas.

O Cruzeiro voltou do intervalo com uma postura valente. Logo aos 8 minutos, a justiça parecia ser feita, após uma troca de passes paciente, Kaiki foi ao fundo e cruzou, a bola atravessou a área e encontrou Fagner, que dominou e soltou uma bomba no canto de Brey.

O empate em 1 a 1 silenciou momentaneamente a Bombonera e deu novo fôlego à Raposa. O VAR ainda tentou colocar drama no lance, chamando o árbitro Jesús Valenzuela para revisar um possível toque de braço de Kaiki, mas, após minutos de apreensão, o gol foi confirmado.

A partida, que já era difícil, tornou-se uma montanha-russa emocional aos 22 minutos. Gerson, em uma decisão daquelas que alimentam as críticas à arbitragem da Libertadores, foi expulso após revisão no monitor, deixando o Cruzeiro com um a menos.

Com a vantagem numérica, o Boca se lançou ao ataque. Foi então que brilhou a estrela de Otávio, que operou milagres em finalizações de Merentiel e Zeballos, enquanto a zaga se desdobrava, com destaque para uma bola salva sobre a linha pelo próprio time mineiro.

Mesmo em desvantagem, o Cruzeiro teve a bola do jogo aos 41 minutos. Em um contra-ataque fulminante, Neyser Villarreal saiu cara a cara com o goleiro Brey, mas a finalização parou nas mãos do arqueiro argentino. Um lance que fez o torcedor perder o fôlego por alguns segundos.

O Boca chegou a balançar as redes aos 45 minutos com Merentiel, mas a arbitragem, em mais uma consulta demorada ao VAR, anulou o tento por um toque de braço de Delgado no início da jogada. O clima era de guerra.

Diante de tantas interrupções, atendimentos médicos e revisões, o quarto árbitro ergueu a placa: 9 minutos de acréscimo, que acabaram se estendendo para 12 minutos de puro sofrimento e resistência para o coração do torcedor celeste.Agora

Agora, a decisão final será em nossa casa, onde conhecemos bem a força da nossa torcida e a magia que só o Mineirão tem. Apesar de liderarmos o grupo com 8 pontos, a classificação está por um fio, com os adversários colados com 7. Nesse cenário de tudo ou nada, não há espaço para erros: só a vitória nos interessa para carimbar o passaporte para a próxima fase. É hora de transformar o Gigante da Pampulha em um caldeirão e mostrar por que somos gigantes.

A arbitragem na Libertadores

A atuação da arbitragem na Libertadores é muito questionável em todos os jogos, e dessa vez não foi diferente, apresentando diversas falhas que são recorrentes.

Em um torneio do tamanho da Libertadores, espera-se que o árbitro seja um mediador, mas o que vimos na Bombonera foi uma sucessão de erros que interferiram diretamente no espetáculo e no psicológico dos jogadores.

A crítica começa pela falta de padronização. Enquanto lances de contato claro e entradas duras foram ignorados, sem a devida aplicação de cartões amarelos para segurar o jogo, a arbitragem demonstrou uma passividade perigosa. Essa omissão em lances duvidosos só serviu para elevar a temperatura do jogo, deixando os atletas nervosos.

O ponto mais baixo, no entanto, foi a expulsão de Gerson. Em um lance onde a interpretação passou longe da realidade do campo, o cartão vermelho aplicado ao jogador foi um erro e injustificável. Punir com a exclusão máxima um lance que não condizia com tal rigor mostra o despreparo para lidar com a pressão de um clássico sul-americano.

Próximo jogo

O Cruzeiro volta a campo neste domingo (24), às 16h, para enfrentar a Chapecoense, no Mineirão, em Belo Horizonte, pelo Campeonato Brasileiro. Diante da torcida celeste, a Raposa busca mais uma vitória importante para seguir firme na competição nacional e manter a boa fase na temporada, e conseguir subir na tabela.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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