O retorno austríaco 


Depois de anos longe dos holofotes, a Áustria quer surpreender o mundo

Durante 28 anos, a Áustria assistiu à Copa do Mundo de longe.

Viu outras seleções escreverem histórias, viu novas gerações surgirem, viu o futebol mudar. Enquanto isso, dentro do coração austríaco, permanecia uma sensação difícil de explicar: a saudade de pertencer novamente ao maior palco do esporte.

Agora, essa espera acabou.

A Áustria está de volta à Copa do Mundo de 2026. E o retorno carrega muito mais do que uma simples classificação. Carrega anos de frustrações engolidas em silêncio, eliminações dolorosas, reconstruções interrompidas e uma torcida inteira que nunca deixou de acreditar que um dia voltaria a ouvir seu hino em uma Copa.

Existe algo especial nessa seleção.

Talvez porque ela representa exatamente o que o futebol tem de mais humano: resistência. Persistência. Recomeço.

A história austríaca em Mundiais é antiga e cheia de capítulos marcantes. Em 1954, o país viveu seu maior momento ao conquistar o terceiro lugar do mundo, encantando o planeta com um futebol técnico e ousado. Décadas antes, o lendário “Wunderteam” já fazia a Europa se apaixonar pelo estilo austríaco de jogar bola. E em 1978, veio uma das noites mais inesquecíveis da história do país: o “Milagre de Córdoba”, quando a Áustria derrotou a Alemanha Ocidental em uma partida eternizada como símbolo de orgulho nacional.

(Foto: Reprodução athlet.org)


Mas o futebol também sabe ser cruel.

Depois da Copa de 1998, a Áustria desapareceu dos Mundiais. Vieram anos difíceis. Gerações promissoras que não se encaixavam, campanhas frustrantes e a dolorosa sensação de estar sempre perto, mas nunca suficiente.

(Foto: Reprodução Facebook)

Até que algo mudou.

Sob o comando de Ralf Rangnick, a seleção voltou a ter alma. Voltou a competir com coragem. Voltou a olhar nos olhos de seleções maiores sem medo. A intensidade virou marca registrada. Cada jogo passou a carregar entrega, organização e uma vontade quase desesperada de provar que a Áustria merece estar novamente entre as melhores do mundo.

E talvez seja exatamente isso que torne essa equipe tão perigosa.

Porque quem passou tanto tempo sonhando em voltar não entra em uma Copa apenas para participar.

Entra para viver cada segundo como se fosse a última chance.

David Alaba segue sendo o grande símbolo dessa geração. Um líder respeitado dentro e fora de campo, carregando nas costas anos de esperança austríaca. Mas agora ele não está sozinho. Marcel Sabitzer chega vivendo um dos melhores momentos da carreira. Konrad Laimer transforma intensidade em combustível. Christoph Baumgartner, Nicolas Seiwald e Patrick Wimmer representam a juventude que cresceu sem ver a Áustria em Copas mas que agora quer escrever sua própria história.

A convocação anunciada nesta semana reforça exatamente essa sensação de força coletiva e renovação.

Convocados da Áustria para a Copa do Mundo 2026:

( Foto: Divulgação / @oefb1904)

Goleiros:
Alexander Schlager, Florian Wiegele e Patrick Pentz; 

Defensores:
David Affengruber, Kevin Danso, Stefan Posch, David Alaba, Philipp Lienhart, Phillipp Mwene, Alexander Prass, Marco Friedl e Michael Svoboda; 

Meio-campistas:
Xaver Schlager, Nicolas Seiwald, Marcel Sabitzer, Florian Grillitsch, Carney Chukwuemeka, Romano Schmid, Christoph Baumgartner, Konrad Laimer, Patrick Wimmer, Paul Wanner e Alessandro Schopf; 

Atacantes:
Marko Arnautović, Michael Gregoritsch e Sasa Kalajdzic;

Talvez a Áustria não esteja entre as favoritas. Talvez o mundo ainda olhe primeiro para outras seleções. Mas as Copas do Mundo nunca foram feitas apenas de favoritismo.

Foram feitas de histórias.

E poucas histórias em 2026 carregam tanta emoção quanto a de uma seleção que esperou 28 anos para voltar a sentir que pertence ao maior palco do futebol mundial.

A Áustria voltou.

E voltou faminta.

Por Roanna Marques

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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