Inter afunda no Beira Rio


Colorado perde para o Santos e aumenta a crise no Brasileirão

O Internacional vive um dos momentos mais delicados da temporada e ganhou mais um motivo para preocupar o torcedor. Na noite deste domingo (6), o Colorado foi derrotado pelo Santos por 3 a 2, no Beira Rio, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, em uma partida que resumiu boa parte dos problemas enfrentados pela equipe nas últimas semanas.

Imagem: Ricardo Duarte/Internacional

A derrota mantém o Internacional na zona de rebaixamento e aumenta ainda mais a pressão sobre jogadores, comissão técnica e direção. O Colorado chegou aos 25 pontos e ocupa a 18ª colocação na tabela, em uma situação que está muito distante das expectativas criadas no início da temporada. Para quem acompanha o clube, o sentimento depois do apito final foi de frustração, principalmente pela maneira como a equipe voltou a apresentar os mesmos problemas que vêm sendo vistos ao longo do campeonato.

O início da partida até dava a impressão de que o Inter tentaria assumir o controle diante de sua torcida, mas o Santos rapidamente encontrou espaços na defesa colorada. Aos sete minutos, Gabriel Barbosa abriu o placar e colocou os visitantes em vantagem. O gol aumentou a pressão sobre o Internacional, que passou a ter dificuldades para construir suas jogadas e encontrar espaços no setor ofensivo.

O cenário ficou ainda pior aos 28 minutos. Gabigol recebeu dentro da área, sofreu pênalti e, no mesmo lance, o Inter teve Matheus Bahia expulso. O atacante santista foi para a cobrança e ampliou a vantagem. Com 2 a 0 no placar e um jogador a menos, o Colorado passou a ter uma missão ainda mais complicada pela frente.

Antes do intervalo, o Santos conseguiu marcar novamente. Aos 38 minutos, Christian Oliva aproveitou uma cobrança de escanteio para fazer o terceiro gol dos visitantes. O resultado de 3 a 0 refletia um primeiro tempo em que o Internacional pouco conseguiu produzir e, principalmente, voltou a apresentar uma fragilidade defensiva que já se tornou uma das maiores preocupações da equipe.

A atuação irritou profundamente os torcedores presentes no Beira Rio. As vaias começaram a tomar conta do estádio e parte da torcida deixou as arquibancadas antes mesmo do intervalo. O ambiente, que já vinha sendo de muita cobrança por causa da campanha ruim no Brasileirão e da eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil, ficou ainda mais pesado depois da atuação apresentada na primeira etapa.

Como torcedora do Internacional, é difícil não olhar para esse momento com preocupação. A equipe chegou a uma situação em que cada partida parece aumentar ainda mais a pressão. O clube não consegue encontrar regularidade, sofre com erros defensivos e, quando precisa buscar os resultados, frequentemente demonstra dificuldades para transformar a necessidade de vencer em um futebol consistente. A eliminação para o maior rival na Copa do Brasil também deixou marcas e aumentou a insatisfação da torcida.

Depois de um primeiro tempo para esquecer, o Inter voltou do intervalo com uma postura completamente diferente. Mesmo com um jogador a menos, o time passou a pressionar mais e conseguiu diminuir a vantagem logo aos três minutos. Braian Aguirre recebeu próximo da entrada da área e acertou um chute forte, marcando o primeiro gol colorado na partida.

O gol devolveu um pouco de esperança ao Beira-Rio. O Santos, que havia controlado completamente a primeira etapa, passou a encontrar mais dificuldades para sair jogando, enquanto o Internacional começou a ocupar mais o campo de ataque. Aguirre voltou a aparecer em uma boa oportunidade, mas o goleiro Gabriel Brazão fez a defesa e evitou o segundo gol colorado.

A reação continuou durante a etapa final, mas o problema era o tempo. O Inter precisava de pelo menos mais dois gols para buscar o empate e tinha que fazer isso com um jogador a menos. A equipe passou a apostar mais nas bolas alçadas na área e nas jogadas pelos lados do campo, tentando aproveitar qualquer oportunidade para diminuir ainda mais a diferença.

A insistência acabou sendo recompensada já nos minutos finais. Vitinho foi derrubado dentro da área, e o árbitro confirmou o pênalti após revisão do VAR. Bruno Henrique assumiu a responsabilidade e converteu a cobrança aos 45 minutos do segundo tempo, deixando o placar em 3 a 2.

A partir daquele momento, o Santos passou a administrar como podia a pressão colorada. O Internacional ainda tentou buscar o empate nos minutos de acréscimo, e a torcida voltou a empurrar a equipe na tentativa de conseguir ao menos um ponto. No entanto, a reação veio tarde demais e o apito final confirmou mais uma derrota do Colorado.

O resultado é especialmente preocupante porque o Inter já não tem margem para continuar desperdiçando pontos. A situação na tabela exige uma reação imediata, e a sequência de resultados negativos começa a transformar a luta contra o rebaixamento em uma ameaça cada vez mais concreta. O time precisa encontrar respostas rapidamente, principalmente porque o campeonato entra em uma fase decisiva e cada rodada perdida aumenta a dificuldade para sair da parte de baixo.

A reação no segundo tempo mostra que o Internacional ainda tem capacidade de competir, mas também deixa uma pergunta incômoda para o torcedor: por que essa postura só apareceu depois que a equipe já estava perdendo por três gols? A diferença de comportamento entre as duas etapas foi evidente. O time que entrou em campo depois do intervalo mostrou mais disposição, mais intensidade e mais vontade de buscar o resultado, justamente o que havia faltado durante boa parte dos primeiros 45 minutos.

Para o torcedor colorado, porém, não basta mais esperar por reações tardias. O Inter precisa começar as partidas com concentração e organização, principalmente porque os erros cometidos contra o Santos não são acontecimentos isolados. A equipe vem sofrendo com problemas semelhantes em diferentes jogos, e a falta de consistência tornou-se um dos principais obstáculos para uma recuperação no campeonato.

A situação também aumenta a pressão sobre a direção. A torcida tem demonstrado insatisfação com o momento do clube e cobra mudanças capazes de interromper uma sequência que está deixando o Internacional cada vez mais próximo de uma situação extremamente perigosa. O Beira-Rio voltou a ser palco de protestos depois da partida, demonstrando que a paciência do torcedor está perto do limite.

É compreensível a revolta de quem acompanha o clube. O Internacional é um dos grandes do futebol brasileiro e não deveria estar disputando as últimas posições do Campeonato Brasileiro nesta altura da temporada. Mais do que os números negativos, preocupa a dificuldade de enxergar uma evolução clara no futebol apresentado pela equipe. A cada rodada, o torcedor espera uma resposta e acaba recebendo mais motivos para preocupação.

A derrota para o Santos, portanto, não pode ser analisada apenas pelo placar de 3 a 2. Ela representa mais um capítulo de uma campanha marcada pela irregularidade, por falhas defensivas, pela dificuldade de reação e por uma pressão que cresce a cada partida. O segundo tempo mostrou que o Inter ainda pode lutar, mas também deixou claro que não existe mais espaço para esperar até os minutos finais para tentar resolver os problemas.

Próximo jogo

O próximo compromisso será contra a Chapecoense, fora de casa, no sábado (12), em mais uma partida decisiva para o Colorado. A equipe precisa transformar a indignação da torcida em resposta dentro de campo e, principalmente, começar a somar pontos. Neste momento do campeonato, não importa se a atuação será bonita ou se o time conseguirá dominar todos os adversários. O que o Internacional precisa é voltar a vencer.

A torcida continuará cobrando, mas também continuará apoiando, porque abandonar o Inter nunca foi uma opção para quem carrega o clube no coração. O que se espera agora é que os jogadores entendam a dimensão do momento e entrem em campo com a mesma intensidade demonstrada no segundo tempo contra o Santos, mas desde o primeiro minuto.

O Campeonato Brasileiro ainda não acabou, e justamente por isso o Internacional precisa acreditar que é possível mudar o rumo da temporada. Mas, para isso, não basta acreditar. É preciso jogar, competir e vencer. O tempo está passando, a tabela está apertando e a torcida colorada já não aguenta mais assistir ao seu time sofrer sem encontrar uma solução.

O Inter precisa reagir. E precisa ser agora.

Por Larissa Ferreira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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