Sofri, reclamei, quase perdi a paciência… mas, no fim, comemorei!
Fala, Nação Azul!
Como torcedora do Cruzeiro, eu terminei o jogo com a nítida sensação de que “não precisava ter sido tão sofrido assim”. O Cruzeiro venceu o Vitória por 3 a 1, de virada, na tarde deste domingo (20), no Barradão, pela 28ª rodada do Brasileirão, mas o placar final contou uma história muito mais tranquila do que a partida realmente foi.

O jogo
O primeiro tempo foi, sinceramente, para esquecer. O Cabuloso entrou desligado, lento, com pouca intensidade e uma dificuldade enorme para construir as jogadas. O Vitória, mesmo sem dominar a posse de bola, conseguiu ser mais perigoso e encontrou espaços principalmente nas transições. O time celeste parecia estar sempre um passo atrás.
E aí veio o gol do Vitória. Depois de uma boa jogada de Matheuzinho, Renê recebeu dentro da área e bateu firme para fazer 1 a 0. Naquele momento, confesso que bateu aquela irritação típica de torcedora: de novo o time mineiro começava um jogo fora de casa parecendo que estava esperando o adversário tomar conta da partida.
O mais preocupante foi que o Cruzeiro até teve algumas oportunidades para reagir ainda no primeiro tempo, mas faltou capricho. Lucas Arcanjo fez defesas importantes, enquanto Otávio também apareceu bem quando foi exigido. Ou seja: não foi uma etapa em que o Vitória simplesmente atropelou, mas o Cruzeiro deixou a desejar demais na postura.

Logo no começo do segundo tempo, Arroyo empatou. Kaio Jorge participou da jogada e Arroyo finalizou dentro da área. Foi aquele gol que devolveu imediatamente a esperança. Depois do empate, a partida mudou completamente.
O Cruzeiro passou a pressionar mais, recuperou melhor a segunda bola e encontrou espaços que não existiam no primeiro tempo. Arroyo, que já tinha marcado, passou a ser muito importante também na criação. E aí veio a virada com Villalba, aos 20 minutos.
Nesse momento, eu já estava naquele estado clássico de torcedora: comemorando, mas ainda sem conseguir relaxar. Afinal, o Cruzeiro tinha feito uma ótima reação, mas já tinha mostrado no primeiro tempo que poderia sofrer se recuasse demais. E o Vitória tentou justamente isso: foi para cima.
O goleiro foi importante quando precisou
Se teve uma coisa que não deu para ignorar nessa partida, foi a atuação decisiva no gol celeste. Otávio apareceu em momentos cruciais, principalmente no primeiro tempo, quando o Cabuloso ainda estava desorganizado.
E isso fez toda a diferença. Em uma partida em que o time começou mal, o goleiro precisava impedir que o adversário transformasse uma superioridade momentânea em uma vantagem ainda maior. Se o time baiano tivesse feito o segundo gol antes do intervalo, talvez a história tivesse sido outra.
Por isso, apesar de todas as críticas ao desempenho inicial, também ficou evidente que o Cruzeiro teve jogadores capazes de segurar o jogo enquanto a equipe ainda não funcionava.
Arroyo foi decisivo
Para mim, um dos grandes personagens da partida foi Arroyo. Ele marcou o gol de empate e participou diretamente dos outros gols. Isso mostrou algo importante: quando o time mineiro conseguiu acelerar e colocar seus jogadores ofensivos para jogar, o adversário passou a ter muita dificuldade.
É justamente aí que ficou a minha principal crítica como torcedora: por que o Cruzeiro demorou tanto para jogar?
O time tinha totais condições de competir desde o início. Não precisava ter esperado levar um gol para acordar.
Quando o jogo já estava praticamente decidido, Matheus Pereira apareceu para transformar a vitória em goleada moral. No último minuto, ele recebeu dentro da área, cortou o marcador e finalizou com categoria para fazer o 3 a 1. Foi aquele gol que finalmente permitiu ao torcedor respirar.
E, sinceramente, foi um fechamento bonito para uma segunda etapa em que o Cruzeiro mostrou uma postura completamente diferente.
Mas nem tudo foram flores
É justamente aqui que eu faria minha principal ressalva. Não dava para o Cruzeiro repetir um primeiro tempo daqueles contra adversários mais fortes e esperar que sempre conseguiria virar.
O time sofreu com a falta de intensidade, teve dificuldade para pressionar a saída do Vitória e demorou para encontrar Matheus Pereira. Também houve momentos em que a defesa ficou exposta, principalmente quando o adversário acelerou pelos lados e colocou jogadores dentro da área. O placar acabou passando uma impressão de domínio que simplesmente não existiu durante os 90 minutos.
Foram dois jogos dentro do mesmo jogo: um Cruzeiro apático e pouco criativo no primeiro tempo e outro Cabuloso, muito mais agressivo, organizado e eficiente, na segunda etapa. E foi justamente essa irregularidade que me incomodou.
Porque quando a Raposa resolveu jogar, ficou evidente que tinha capacidade para controlar a partida. O problema foi ter precisado tomar um gol para que isso acontecesse. Apesar das críticas, não dava para diminuir o peso daquela vitória.
O Cruzeiro vinha de uma derrota para o Santos e carregava uma sequência complicada fora de casa. Antes da partida, o time também vinha de quatro derrotas consecutivas como visitante no campeonato, algo que aumentava ainda mais a pressão sobre o elenco. Por isso, virar um jogo fora de casa teve um valor enorme.
E teve um detalhe que deixou tudo ainda mais saboroso: o Cruzeiro estava há dez anos sem vencer o Vitória em Salvador pela Série A. A última vitória no Barradão tinha acontecido em 2016.
O Cruzeiro não fez uma partida perfeita. Longe disso. Mas mostrou poder de reação, encontrou seus jogadores decisivos e saiu do Barradão com três pontos importantíssimos.
A cobrança que ficou foi clara: se esse time realmente quisesse brigar na parte de cima da tabela, não podia se dar ao luxo de entrar tão desligado em uma partida e depender de uma reação no segundo tempo. Naquele dia deu certo. E, como torcedora, eu agradeci muito por isso. Mas o meu coração cruzeirense definitivamente não precisava ter passado por todo aquele sofrimento.
Próximos jogos
O próximo jogo do Cruzeiro será contra o São Paulo, no dia 7 de outubro, às 21h30, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 29ª rodada do Brasileirão. Depois, o Cruzeiro enfrenta o RB Bragantino, fora de casa, no dia 12 de outubro, às 21h.
Por Mury Kathellen
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