Depois do grande, o necessário


Inter volta para casa diante do Remo, em um confronto direto que exige maturidade para transformar confiança em resultado

Depois de uma longa viagem a São Paulo e duas partidas extenuantes fora de casa, o Internacional volta a jogar no Beira-Rio. Pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Colorado recebe o Remo na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, às 20h.

A casa colorada será palco, para mim, de um dos jogos mais importantes deste mês de agosto. Não pelo tamanho do adversário, mas pelo tamanho daquilo que o Inter precisa fazer: entrar em campo consciente da sua realidade no Brasileirão e transformar em pontos tudo aquilo que conseguiu recuperar nos últimos dias.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional 

O Internacional chega ao Beira-Rio depois de dez dias que mexeram com o ambiente colorado. Em São Paulo, eliminou o Corinthians na Copa do Brasil e, na sequência, arrancou um ponto do Palmeiras. Foram duas respostas importantes de um time que precisava voltar a acreditar e que, junto dele, fez o torcedor voltar a acreditar também. Talvez seja essa a mudança mais importante que tenha rondado a Avenida Padre Cacique em 2026.

Mas o Brasileirão continua ali, cobrando a conta.

O Inter chega à 23ª rodada na 17ª colocação, na entrada da zona de rebaixamento e apenas um ponto à frente do Remo. É confronto direto. É jogo de seis pontos. E é justamente por isso que a partida desta segunda-feira exige uma dose ainda maior de consciência. O que aconteceu em São Paulo foi grande, mas não pode enuviar o time que entra em campo no Beira-Rio.

A classificação diante do Corinthians e o ponto conquistado contra o Palmeiras devolveram confiança, mas não resolveram a situação no campeonato. O Inter continua precisando pontuar e, diante de um adversário que está logo atrás na tabela, não pode acreditar que tudo se resolveu em passe de mágica.

É por isso que, para mim, o confronto com o Remo está entre os jogos mais perigosos deste mês de agosto, mesmo com um Grenal ainda por acontecer dentro do Beira-Rio. O perigo não está no tamanho do adversário, mas na facilidade com que um time pode confundir confiança com soberba e esquecer que ainda existe uma batalha importante sendo travada no Brasileirão.

Lá no começo da competição, no Pará, Inter e Remo ficaram no empate. Agora, no retorno do campeonato, o Colorado não pode se dar esse luxo. Dentro de casa, vai precisar jogar tudo o que sabe, tudo o que pode e arrancar os três pontos de um confronto que pode fazer diferença lá na frente.

E, para isso, existe um jogador que não aparece na escalação, mas que também entra em campo: o torcedor.

O Beira-Rio precisa estar presente. Precisa entender o tamanho da noite e fazer da casa colorada aquilo que ela pode ser em um jogo como esse. Não é apenas sobre empurrar o time quando ele estiver bem; é sobre permanecer junto quando a partida exigir paciência, intensidade e até sofrimento. O Inter vai precisar de quem veste a camisa sem estar dentro das quatro linhas.

Do outro lado, Pezzolano teve cinco períodos de treinamento desde a reapresentação, em 12 de agosto. Depois de duas partidas de desgaste físico e mental muito alto, o treinador precisou recuperar os jogadores e, ao mesmo tempo, colocar novamente a cabeça do grupo no lugar certo: no Brasileirão e no confronto que se aproxima.

Era preciso recuperar o corpo, mas também mudar a chave. Deixar São Paulo para trás, guardar a euforia da classificação na Copa do Brasil e entender que a segunda-feira pede outro tipo de jogo. Menos encanto, talvez. Mais responsabilidade.

São Paulo exigiu coragem. O Beira-Rio vai exigir consciência.

E Pezzolano terá uma notícia daquelas que fazem diferença: Villagra está de volta. O argentino se recuperou, treinou normalmente e deve retornar aos onze iniciais. Sua ausência foi sentida, e sua volta chega em um momento importante, dando ao treinador mais uma peça para um jogo que vai cobrar intensidade, concentração e maturidade.

O provável Internacional tem Matheus Cunha; Bruno Gomes, Gabi Mercado, Maripán e Matheus Bahia; Villagra e Bruno Henrique; Vitinho, Alan Patrick, Bernabei e Carbonero. Um time que, dentro do Beira-Rio e diante de um concorrente direto, precisa entender desde o primeiro minuto que não existe espaço para assistir à partida acontecer.

O Inter já fez o grande. Foi buscar a classificação na casa do Corinthians, arrancou pontos do Palmeiras e devolveu ao seu torcedor uma esperança que parecia adormecida. Agora, precisa fazer o necessário: jogar o Campeonato Brasileiro como quem sabe exatamente onde está, o que precisa buscar e o quanto cada ponto pode importar.

Talvez esse seja o verdadeiro teste depois de uma semana tão bonita. Não provar que o Inter ainda consegue enfrentar gigantes — isso ele já provou.

Mas mostrar que também sabe fazer aquilo que precisa ser feito quando não há glamour, quando não há surpresa e quando a obrigação está estampada na tabela.

Na segunda-feira, contra o Remo, o Inter precisa ser grande o suficiente para entender que, desta vez, o necessário é tudo.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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