Botafogo se entrega ao ridículo na altitude e leva passeio do Cienciano no Peru


Cienciano 6 x 1 Botafogo: com direito a hat-trick e arbitragem desastrosa, Alvinegro cai na armadilha da altitude e vive noite tenebrosa na Copa Sul-Americana

O Cienciano venceu o Botafogo pelo avassalador placar de 6 a 1 nesta quinta-feira (13), no Estádio Garcilaso de la Vega, em Cusco, pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Em um jogo de apagão físico, tático e mental absoluto do Glorioso, que se arrastou em campo sob o ar rarefeito dos 3.400 metros de altitude. A apatia estarrecedora e o colapso coletivo desenharam a característica marcante de uma partida indigesta, que escancara feridas profundas na estrutura do time e projeta sombras de enorme desconfiança para a sequência do trabalho de Franclim Carvalho e do Botafogo na temporada.

A goleada histórica traz consequências devastadoras que vão muito além dos números vergonhosos no painel. O peso dessa derrota — um dos maiores vexames da história internacional do clube, cravado justamente na semana em que o Botafogo Football Club comemora seus 122 anos — instala um clima de revolta generalizada na torcida e uma pressão sufocante sobre o ambiente do elenco. Com a obrigação surreal de devolver uma diferença de cinco gols no Rio de Janeiro apenas para tentar levar a decisão para os pênaltis, a Sul-Americana virou uma montanha quase impossível de escalar, impactando diretamente o planejamento, a moral do grupo e a estabilidade na sequência das competições.

Apagado e sem ritmo, Álvaro Montoro virou um verdadeiro fantasma no gramado de Cusco e acabou sacado ainda aos 36 minutos do primeiro tempo — Foto: Vítor Silva/Botafogo

A arrogância da logística: do milagre de Potosí ao apagão planejado em Cusco

A raiva do torcedor alvinegro não nasce apenas dos 90 minutos de bola rolando, mas da soberba e da incompetência que desenharam essa tragédia dias antes. Seis meses atrás, pela Pré-Libertadores, este mesmo clube deu uma aula de como jogar na altitude ao encarar o Nacional Potosí na Bolívia, a 4.000 metros de altura. Naquela ocasião, o Botafogo agiu com inteligência: mandou uma equipe de apoio e o time B com antecedência para se adaptar ao clima, realizou treinos alternativos com bolas diferentes para simular a velocidade do ar e colheu os frutos ao suportar a pressão e sair de lá com uma derrota mínima por 1 a 0, perfeitamente reversível em casa.

Pois bem. O que a comissão técnica fez com esse aprendizado? Jogou na lata do lixo. Para o duelo contra o Cienciano, decidiram simplesmente ignorar a fisiologia e a história recente. Preferiram se hospedar no conforto de Lima, ao nível do mar, e viajar para Cusco poucas horas antes de a bola rolar. Acharam que enganariam o ar rarefeito. Para piorar o nível de negligência, parece que ninguém na comissão técnica se deu ao trabalho de assistir aos vídeos do Lanús nos playoffs. O time argentino caiu exatamente na mesma armadilha e foi atropelado pelo Cienciano no mesmo estádio. O Botafogo ignorou os avisos, ignorou a própria experiência e entregou os seus jogadores à exaustão antes mesmo do apito inicial.

Piores momentos: o massacre minuto a minuto de uma noite para esquecer

O Botafogo até começou a partida tentando manter a posse de bola no campo de defesa. Aos 12′, o time trocava passes sem conseguir empurrar o Cienciano, acabando por recuperar a posse na própria saída, em uma falsa sensação de controle. Mas a ilusão durou pouco.

Aos 15′, veio o primeiro aviso da tragédia: faltou marcação nas costas da zaga, a bola atravessou toda a extensão da área e o atacante peruano se apresentou livre, finalizando com perigo para fora. Aos 16′, a posse alvinegra despencava e o sufoco começava a se desenhar.

Aos 18′, o castigo inicial: em cruzamento vindo do meio-campo, Matías Succar abriu para o lado, mergulhou sozinho e testou firme para as redes. O Botafogo ofereceu uma liberdade vergonhosa na entrada da área.

Aos 20′, veio o golpe de misericórdia na mente do time. Em cobrança de falta alçada na área, a bola foi desviada na segunda trave e Bandiera empurrou para o gol vazio. Um gol totalmente irregular! A bola bateu na coxa e depois claramente no braço do próprio autor do gol. Desde 2015 a regra do futebol é clara: se a bola toca na mão do autor do gol, independentemente da intenção, o lance precisa ser anulado. O árbitro de vídeo demorou uma eternidade para analisar uma imagem que era óbvia, o juiz de campo sem pressa alguma foi à tela, e o inacreditável aconteceu: validaram o gol absurdo!

A partir daquele momento, o Botafogo, que sustentava um controle frágil até o primeiro gol, desmoronou por completo emocionado e irritado pela arbitragem. O nervosismo tomou conta.

Aos 30′, a falta de ar encontrou a falta de cinto de segurança: em cruzamento despretensioso, o goleiro Warleson bateu a cabeça no teto da altitude, não segurou, não espalma e soltou a bola nos pés de Succar. Um lance constrangedor, nível goleiro Neto, assistindo a bola entrar de mansinho no canto.

Aos 35′, mais uma derrota: Martinich recebeu com um latifúndio de espaço na intermediária e acertou um chute do meio da rua no ângulo de Warleson. 4 a 0.

Para coroar o desespero, aos 36′, Arthur Cabral entrou no lugar do nulo Kadir Barría e a primeira coisa que fez foi arrumar confusão com o árbitro.

Na volta do intervalo, aos 48′, Matheus Martins cobrou uma falta frontal impecável, acertando a gaveta do goleiro Espinoza para diminuir. No dia em que o menino acorda INSPIRADO e faz um golaço desse, o placar da partida é uma goleada humilhante.

Não deu nem tempo de ensaiar reação. Aos 62′, Huguinho deu um espaço imperdoável na marcação, Justino veio atrasado na cobertura e Hohberg pifou Bandiera, que fez o quinto.

Aos 78′, em contra-ataque rápido pela direita, Cristian Souza cruzou na cabeça de Succar, livre de marcação, para selar o seu hat-trick e o 6 a 1 no placar.

Nos acréscimos, aos 91′, Edenílson ainda marcou após lançamento de Ferraresi, mas o VAR — que só funciona contra nós — anulou por impedimento.

Omisso no combate defensivo, Cristian Medina largou todo o rojão do meio-campo nas costas do garoto Huguinho antes de ser substituído na etapa final — Foto: Vítor Silva/Botafogo

Show de horrores individual

Se o coletivo foi uma aberração, as atuações individuais conseguiram ser ainda piores. Começando pela equipe de arbitragem liderada por Augusto Aragón e pelo VAR Franklin Congo: uma vergonha internacional. Validar um gol em que o atacante empurra a bola com a mão é uma atrocidade que escancara o nível do apito no continente.

Mas a arbitragem não justifica o ridículo assinado pelos nossos jogadores e pela comissão técnica em campo. À beira do gramado, o técnico Franclim Carvalho deu uma aula de como se omitir taticamente e ter uma leitura de jogo vergonhosa. Sem postura para arrumar a cozinha enquanto o time levava um passeio, ele ainda apareceu na coletiva para soltar a frase: “Um dia que nos envergonha e que ficará marcado para sempre”. Pois saiba, Franclim: você vai embora na primeira oportunidade, mas essa vergonha ficará para sempre marcada na história do clube.

Álvaro Montoro e Kadir Barría entregaram atuações absolutamente nulas, fantasmas que passearam em Cusco. Marçal mostrou que não tem mais a menor condição de atuar como lateral-esquerdo aos 37 anos, muito menos em um jogo de altitude que exige recomposição física intensa. No meio-campo, Cristian Medina e Danilo protagonizaram uma omissão covarde: largaram a responsabilidade inteira de combater e marcar nas costas do garoto HUGUINHO, que ficou completamente sobrecarregado, exposto e baratinado. Na zaga, Gabriel Justino jogou de cabeça quente o tempo todo, chegando atrasado em quase todos os botes e acumulando falhas de posicionamento. E para fechar a noite dos terrores, o goleiro Warleson parecia se tremendo todo de nervoso, falhando feio em lance capital e passando zero segurança.

Próximo jogo

A delegação alvinegra nem sequer voltará ao Rio para lamber as feridas. O Botafogo engata uma viagem casada e embarca direto do Peru para Salvador, onde enfrenta o Vitória neste domingo (16), às 16h, no Barradão, pelo Campeonato Brasileiro. Um jogo em que o time entrará sob pressão máxima, moído fisicamente e com a obrigação de dar uma resposta para não ver o clima desmoronar de vez na temporada. O reencontro com o Cienciano será na próxima quinta-feira, 20 de agosto, às 21h30, no Estádio Nilton Santos. O cenário é caótico, desolador e beira o impossível.

Mas a nossa torcida precisa entender uma coisa de uma vez por todas: vão continuar sendo a pior torcida do G12 se acharem que algo vai mudar se ficarem em casa reclamando na internet. Torcedor de verdade TORCE e ACREDITA SEMPRE, porque esse é o papel de quem carrega essa Estrela Solitária no peito. Não vamos ao estádio por esses 11 em campo que possivelmente nos trarão outro vexame, nem por essa comissão técnica irresponsável. Vamos pelo BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS! A nossa história é movida por episódios que desafiam a própria lógica e a física. A remontada será no Nilton Santos e resta saber: você crê?

Por Adrielle Almeida | 14/08/2026 00h50

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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