Raposa joga de igual para igual com o Flamengo, empata em 1 a 1 e leva a decisão da vaga nas quartas de final da Libertadores para o Maracanã
Fala, Nação Azul!
Na noite dessa quarta-feira (12), o torcedor cruzeirense vestiu o seu manto para acompanhar um dos jogos mais aguardados da Libertadores: um duelo de gigantes entre Cruzeiro e Flamengo. Sabemos que em campo o clima era de guerra, mas fora das quatro linhas as torcidas se respeitam. Diante desse cenário, o primeiro confronto aconteceu no Mineirão, nossa casa, embalado pela nossa energia e por uma torcida que ama este time incondicionalmente. No entanto, o resultado não foi o que esperávamos e ficamos no empate em 1 a 1.

Agora, a decisão da vaga para as quartas de final será resolvida no Rio de Janeiro, no Maracanã. Mas lembramos bem de 2018, quando conseguimos aquela classificação histórica por lá. Será que a história irá se repetir? Porque sabemos que, quando pensamos em nossa tradição, muitas situações boas voltam a acontecer e, desta vez, queremos que a história seja vivida com o que há de melhor para o nosso Cruzeiro!
Sentimento de torcedora
Como torcedora desse time que me deixa louca e testa o meu coração todos os dias, é impossível terminar este jogo sem aquele sentimento misturado de orgulho e frustração. Orgulho porque o Cabuloso não se intimidou diante de um Flamengo que muitos consideram o “poderoso”, jogou de igual para igual e, em vários momentos, colocou o adversário em apuros. Frustração porque, depois de abrir o placar com um golaço de Arroyo e ter a vitória nas mãos, a Raposa acabou sofrendo o empate, um gosto amargo, afinal, tínhamos tudo para sair com o triunfo e uma boa vantagem para o jogo fora de casa.
Mas o mais importante foi ver que a Raposa teve personalidade. A equipe mostrou intensidade, encontrou espaços pelos lados, foi perigosa nos contra-ataques e criou oportunidades suficientes para buscar um resultado ainda melhor. Ao mesmo tempo, ficou evidente que enfrentar um adversário desse nível exige concentração absoluta durante os 90 minutos.
Quando o Flamengo aumentou a pressão, Otávio apareceu milagrosamente, a defesa precisou suar a camisa e o time se desdobrou para evitar a virada. Sabemos que, nesse patamar, qualquer deslize custa caro. Fica a lição para o próximo confronto na casa deles: manter o que tivemos de melhor e corrigir o que falhou, porque capacidade para buscar a classificação nós temos de sobra.
Olhando para o jogo com os olhos de quem respira esse clube, fica uma certeza: o Cruzeiro provou que pode olhar nos olhos de qualquer um. O empate não era o resultado dos sonhos, principalmente após a vantagem construída em casa com um lindo gol, mas ele não diminui a atuação de um time que não se acovardou diante de um dos favoritos ao título.
Agora, o que prevalece é a confiança. Se o Flamengo esperava encontrar um Cruzeiro fraco e com medo, esbarrou em uma Raposa competitiva, organizada e totalmente capaz de ferir o adversário. E é exatamente essa postura que precisa entrar em campo no Maracanã.
Porque ser Cruzeiro também é isso: sofrer até o último minuto, reclamar de cada lance, vibrar com cada chance e, mesmo depois de um tropeço com sabor de derrota, continuar acreditando. A Raposa mostrou as garras, e a nossa história nessa Libertadores ainda tem muito capítulos pela frente. Agora vamos falar sobre o jogo.

Primeiro tempo
O apito inicial começou e o gramado logo virou um tabuleiro de xadrez tenso entre Cruzeiro e Flamengo. O primeiro tempo iniciou elétrico: logo cedo, o Cabuloso quase abriu o placar quando Arroyo encontrou Wesley livre na grande área nas costas de Royal, o atacante ficou cara a cara com Rossi, mas tentou uma finalização inusitada de peito e mandou a bola raspando o travessão.
A intensidade logo cobrou seu preço e transformou em uma batalha de muita tensão. Matheus Henrique entrou duro em um carrinho frontal em Bruno Henrique, gerando fortes reclamações no gramado e um debate nacional onde até a arbitragem da TV apontava para o cartão vermelho, embora o volante tenha recebido o amarelo. O camisa 27 rubro-negro sentiu muitas dores, preocupou o banco com o aquecimento de Pedro, mas conseguiu retornar à partida minutos depois.
O jogo ficou truncado em vários momentos, devido à forte marcação e muitos passes errados no meio-campo. Arrascaeta tentou comandar as ações do time carioca ao lado de Jorginho, mas a defesa celeste e os desarmes travavam a criação. O uruguaio acabou recebendo cartão amarelo após um carrinho por trás em Matheus Henrique.
Ainda assim, a Raposa seguia rondando o perigo. Arroyo levou vantagem pela direita e cruzou forte, e pouco depois Kaio Jorge desarmou Jorginho na intermediária para servir novamente Arroyo, que bateu cruzado tirando tinta da trave de Rossi. Do lado adversário, o ataque tentava responder com cruzamentos de Royal e cabeçadas de Plata ou Bruno Henrique, mas faltava calibrar a pontaria.
Antes do intervalo, o clima voltou a fechar com sustos físicos: Matheus Pereira desabou sentindo fortes dores na barriga após uma pancada de Jorginho fora do lance, enquanto o Cruzeiro trocava passes em velocidade na intermediária e o Flamengo tentava cadenciar a partida até o apito que encerraria os primeiros quarenta e cinco minutos de muita transpiração e zero placar.
Segundo tempo
O segundo tempo recomeçou com o Flamengo tentando sufocar a saída de bola celeste, mas logo a Raposa encontrou o caminho da explosão nas arquibancadas. William acionou Kenji Arroyo pela ponta direita, o atacante entortou Samuel Lino deixando o marcador no chão, cortou para a perna esquerda e disparou um chute colocado indefensável que encontrou o ângulo, estufando a rede e transformando o Mineirão em festa com um golaço.
Em vantagem, o Cruzeiro acelerou o ritmo e rondou o segundo gol. Arroyo voltou a aparecer livre nas costas da zaga para cruzar e achar Wesley na área, enquanto Jorginho testava Otávio em batida colocada e Lino respondia criando oportunidades para o Flamengo, incluindo um chute forte de Pulgar que tirou tinta do travessão.
O panorama, no entanto, mudou com o banco rubro-negro. Em uma cobrança de falta de Ayrton Lucas pela esquerda, Léo Ortiz cabeceou com muita força no travessão e, no rebote relâmpago, Lucas Paquetá, que acabara de sair do banco, soltou uma bomba para empatar a partida. O lance gerou intensa revolta celeste, rendendo cartão amarelo ao técnico Artur Jorge por reclamação e incendiando os ânimos após um toque de mão anterior contestado.
O duelo ganhou ares dramáticos na reta final. O Cruzeiro quase recuperou a liderança quando Matheus Pereira desviou de cabeça um lançamento com efeito de João Costa, vendo a bola rasgar a pequena área e sair tirando tinta da trave de Rossi. Do outro lado, o Flamengo quase virou com uma pancada de Carrascal defendida milagrosamente por Otávio e um chute forte de Royal invalidado por impedimento. Entre sustos, falhas defensivas e pressão até o último apito.
O apito final selou o empate e deixou o coração na mão, mas com aquele orgulho gigante de quem viu o Cruzeiro jogar de igual para igual o elenco mais forte da América. Agora, a decisão por uma vaga nas quartas de final da Libertadores ficou todinha para o Maracanã: quem vencer no Rio segue vivo no sonho do título continental, e qualquer novo empate vai mandar a decisão dramática para os pênaltis.
É verdade que nossa defesa teve que trabalhar como nunca com Otávio fechando o gol e a zaga se virando nos trinta para segurar a pressão, mas o gramado da Toca 3 provou que a Raposa jogou com inteligência, mobilidade e perigo nos contra-ataques, mostrando para todo mundo que o Flamengo passou longe de ser soberano aqui na nossa casa.
Próximo jogo
A Raposa volta a campo neste domingo (16), pelo Campeonato Brasileiro, para mais um desafio importante na competição. O Cruzeiro encara o Corinthians, às 19h30, na Neo Química Arena, em São Paulo, pela 23ª rodada.
Em quinto lugar na tabela, o Cruzeiro chega ao confronto buscando somar mais três pontos e seguir firme na parte de cima da classificação. Do outro lado, o Corinthians ocupa a sétima posição e entra em campo de olho na vitória. Fora de casa, a Raposa terá pela frente um adversário tradicional e um estádio que promete estar cheio. A expectativa é de um duelo equilibrado, com duas equipes buscando se aproximar ainda mais dos seus objetivos na competição.
Agora é foco total, porque domingo tem Cruzeiro em campo. É dia de vestir o manto, apoiar a Raposa e acreditar em mais uma vitória!
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.