Empate no fim não alivia a crise no Flamengo


Atuação apática no Beira-Rio aumenta a pressão sobre Leonardo Jardim, Flamengo acaba com mais um empate e assiste Palmeiras disparar na liderança

Na noite desta quarta-feira (29), o Flamengo voltou a decepcionar. Em partida válida pela 21ª rodada do Brasileirão, o Rubro-Negro empatou em 1 a 1 com o Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre.

Samuel Lino marcou o gol do empate já na reta final da partida, depois de Vitinho abrir o placar para os donos da casa ainda no primeiro tempo. O resultado mantém o Flamengo na vice-liderança, com 39 pontos, oito atrás do líder e apenas um jogo a menos.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O jogo começou animado para os cariocas. Logo aos seis minutos de bola rolando, Carrascal recebeu ótimo passe de Pedro, invadiu a área e finalizou cruzado, obrigando Matheus Cunha a fazer grande defesa com o pé.

No entanto, como tudo que é bom dura pouco, a boa impressão se esvaiu rapidamente. O Internacional tomou conta da partida, venceu praticamente todos os duelos no meio-campo, pressionou a saída de bola rubro-negra e encontrou espaços com facilidade pelos lados do campo, especialmente nas investidas de Carbonero.

A superioridade colorada foi transformada em vantagem aos 26’ do primeiro tempo. Carbonero recebeu em profundidade e parou em grande defesa de Rossi, mas, no rebote, Vitinho apareceu livre para abrir o placar para o Colorado. Varela ainda tentou evitar o gol em cima da linha, mas não deu. O placar da primeira etapa saiu até barato para o Flamengo, já que houve outras boas chances dos donos da casa.

Além do desempenho coletivo preocupante, o time carioca ganhou mais um motivo de apreensão. Ainda na primeira etapa, Léo Pereira sentiu dores no joelho esquerdo após uma disputa com Carbonero. O zagueiro conseguiu permanecer em campo até o intervalo, mas foi substituído por Danilo para o segundo tempo, aumentando a preocupação da comissão técnica quanto à sequência da temporada.

Na volta dos vestiários, pouco mudou. O Internacional continuou mais organizado, intenso e confortável na partida, enquanto o Flamengo encontrava enorme dificuldade para construir jogadas, conectar seus principais jogadores e transformar posse de bola em chances reais. Faltava criatividade, intensidade e, principalmente, resposta dentro de campo para uma equipe que parecia incapaz de reagir diante das dificuldades impostas pelo adversário.

Quando a derrota parecia inevitável, o Flamengo encontrou o empate em um raro momento de eficiência. Aos 33’ do segundo tempo, Pedro finalizou cara a cara com Matheus Cunha, que fez nova defesa. Na sequência, Matheus Bahia afastou mal, Bruno Henrique brigou pela sobra e a bola ficou limpa para Samuel Lino marcar, decretando o empate no Beira-Rio.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O gol mudou momentaneamente o cenário da partida. O Flamengo passou a ocupar mais o campo ofensivo nos minutos finais e pressionou em busca da virada, enquanto o Internacional sentiu o desgaste físico e recuou suas linhas. Ainda assim, a reação foi insuficiente para esconder uma atuação muito aquém do esperado de um elenco que, mais uma vez, esteve distante do futebol capaz de justificar suas ambições na temporada.

Mais do que os dois pontos deixados pelo caminho, o desempenho acende um alerta cada vez mais difícil de ignorar. O Flamengo voltou a apresentar um time desconectado, sem intensidade, sem soluções táticas e com jogadores que aparentam não responder mais às ideias de Leonardo Jardim. A impressão que fica é a de um trabalho que perdeu força e convicção, cenário que naturalmente aumenta a pressão sobre o treinador. Entre a torcida, cresce a sensação de que o ciclo da comissão técnica se aproxima do fim e que a discussão deixou de ser “se” haverá uma mudança no comando para se tornar “quando” ela acontecerá.

Agora, o Flamengo terá um período de preparação antes de voltar a campo. O próximo compromisso será apenas no dia 9 de agosto, quando recebe o Vitória, às 19h30, no Maracanã, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Além da necessidade de voltar a vencer para não perder ainda mais terreno na disputa pelo título, a equipe chega pressionada a apresentar uma resposta convincente dentro de campo em meio ao aumento da insatisfação da torcida e às dúvidas que cercam o futuro de Leonardo Jardim.

Por Rayanne Saturnino

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se