Espanha se encontra a 90’ da eternidade

Foram 16 anos de espera. Dezesseis anos vendo outras seleções levantarem a taça, soltando o grito de “campeão” e sonhando com o dia em que a Espanha voltaria a disputar uma final de Copa do Mundo e esse dia finalmente chegou. Sete partidas nos trouxeram até aqui: seis triunfos, um empate, apenas um gol sofrido e 13 marcados.
Neste domingo (19), às 16h, em Nova Jersey, a La Roja entra em campo para escrever mais um capítulo da sua história, e a esperança é que esse capítulo se encerre com a taça voltando para casa, com toda a Espanha em festa à espera desse elenco.
O duelo final é contra ninguém menos que a Argentina, atual campeã mundial, dona de uma das camisas mais pesadas do futebol e que chega até aqui com viradas inacreditáveis, se recusando a perder. Mais do que uma final, teremos um duelo entre duas seleções acostumadas a decidir grandes competições e que carregam milhões de apaixonados ao redor do mundo.
Diferentemente da semifinal, onde o sentimento de ansiedade era gritante, o desta finalíssima é um pouco diferente. Claro que tem aquele sentimento de aflição, o coração palpitando e os nervos à flor da pele, mas dessa vez também trago comigo um sentimento de orgulho, de missão “cumprida” por terem chegado até aqui, deixando para trás aquele fantasma de eliminações precoces e a comparação com a seleção de 2010.
Como torcedora fanática do Barcelona, preciso abrir um parêntese enorme para ressaltar que ver esses meninos de La Masia em uma grande final é algo que acalenta o coração, que bate aquele sentimento de orgulho como se fosse alguém da família. Acompanhar esses meninos crescendo na base, estreando pelo Barça, entendendo o Barcelonismo e depois com a chance de cravar os seus nomes na história do futebol é algo inenarrável, totalmente fora da curva.
Sabemos que não vamos ter um jogo fácil, mas, independentemente do que acontecer nos próximos 90 minutos, essa geração já recolocou a Espanha onde ela merece estar, mostrando o melhor futebol na hora certa e dando o recado ao mundo de que esse time sabe muito bem jogar contra as favoritas. Mas, é claro, ninguém chegou até aqui para bater na trave, e o objetivo sempre foi um só: trazer a taça de volta para casa.
Trajetória
Apontada como uma das favoritas e fazendo jus até o presente momento, o elenco comandado por Luis de la Fuente começou a competição levando um certo “balde de água fria”, empatando com Cabo Verde, seleção que depois se tornou uma grande surpresa desta competição.
Precisando dar uma resposta de imediato, a segunda rodada veio com uma goleada diante da Arábia Saudita, mas ainda faltava um “futebol espanhol” de verdade. A última partida do Grupo H veio com o Uruguai, onde vencemos por 1×0 e mandamos a Celeste de volta para casa.
Já na fase de mata-mata, nossa primeira vítima foi a Áustria, onde vencemos por 3×0, e ali a Fúria já começava a apresentar uma melhora no futebol dentro das quatro linhas. Nas oitavas, veio nada menos que Portugal, onde tivemos um “the last dance” para Cristiano Ronaldo e um “one more dance” para Yamal e companhia, após triunfo pelo placar mínimo.
As quartas de final nos reservaram a geração belga e o jogo mais difícil até aqui, com Unai Simón sendo vazado pela primeira vez nesta competição, mas com Mikel Merino saindo do banco, fazendo o gol do desempate e selando nossa classificação nos minutos finais. Na semifinal, tivemos a favorita e badalada França, mas, sem nenhum pingo de dificuldade, como de praxe, mandamos os franceses para casa após dar uma aula dentro de campo, ganhar de 2×0 e selar nossa vaga para a tão sonhada final, após 16 longos anos!

Preparação
Após os momentos de festa e euforia pela classificação, o elenco espanhol rapidamente virou a chave e voltou todas as atenções para a grande decisão. Luis de la Fuente comandou os últimos treinamentos realizando os últimos ajustes, os pequenos detalhes que podem decidir uma partida desse tamanho, além de priorizar a recuperação física dos atletas.
A única preocupação da torcida ficou por conta de Lamine Yamal. O camisa 19 sofreu uma forte pancada no último jogo, foi poupado no treinamento e foi visto com uma faixa na coxa, mas Luis de la Fuente tratou de tranquilizar os espanhóis durante a entrevista coletiva e afirmou que o craque está em ótimas condições para entrar em campo neste domingo (19):
“Lamine está 100%. Ele sofreu uma pancada forte, mas terminou a partida perfeitamente. Demos descanso a ele ontem e, hoje, ele esteve com os companheiros de equipe como de costume. Ele está bem, não há problemas com ele.”
Muito provavelmente teremos em campo o mesmo time que vem dando certo e mostrando resultado, com:Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo e Álex Baena; Lamine Yamal e Oyarzabal.

O futebol e seus destinos
Se dentro das quatro linhas o destino reservou esse encontro entre Espanha e Argentina, fora delas ele começou a escrever essa história há muitos anos, por duas figuras importantes dessas seleções.
Você, amante do futebol e totalmente online nas redes sociais, certamente já viu circulando por aí essa foto de Lionel Messi dando banho no bebê Lamine Yamal. Um grande ídolo do Barcelona com a nova joia, o novo prodígio do clube culé.
Apesar de muita gente ainda achar que essa foto não é verdadeira, ela foi feita lá em 2007, durante uma campanha beneficente realizada em Barcelona. Quis o destino que Lionel Messi participasse de um ensaio fotográfico ao lado de um bebê de apenas alguns meses. Na época, ninguém imaginava que aquele menino se tornaria uma das maiores promessas da história do futebol.
Dezoito anos depois, a fotografia ganhou um significado que ninguém poderia imaginar: o garoto que um dia esteve nos braços do ídolo argentino agora divide com ele o maior palco do futebol mundial. De um lado, um dos maiores jogadores de todos os tempos, que já ganhou tudo o que o futebol pode proporcionar e vai em busca de mais uma Copa do Mundo. Do outro, temos a joia espanhola, que sonha em colocar seu nome para sempre na história dos Mundiais.
O destino escreveu o primeiro capítulo dessa história. Agora, cabe aos dois protagonistas decidir como será o último. E esperamos muito que seja com a Espanha de volta ao topo, que tenhamos mais uma aula de futebol dos comandados de Luis de la Fuente, e que Madri e todos os seus arredores possam estar em festa após o apito final.
Chegamos ao momento de separar os homens dos meninos, de realizar uma partida fora da curva, de almanaque, sem margem para erros, e entrar ligado, com “sangue nos olhos”, em busca dessa tão almejada taça. Hora de repetir tudo o que foi feito até aqui e seguir cada superstição para não dar chance ao azar. Precisamos desse título, precisamos soltar o grito de campeões.
Que esses meninos entrem em campo leves, desfrutando de cada segundo, porque finais de Copa do Mundo não acontecem todos os dias. Outras oportunidades podem até surgir, mas nenhuma será igual à de 2026. Que joguem como sempre sonharam, que honrem essa camisa. Oremos para que eles venham a fechar esse torneio com chave de ouro, ou melhor, taça de ouro!
Por: Thais Santos
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.