Com gol heróico de Kadir nos acréscimos, Glorioso vence o Santos por 2 a 1 em noite de forte emoção no Nilton Santos
Na noite desta quinta-feira (16), o Botafogo conquistou uma vitória na raça e no talento de sua base ao bater o Santos por 2 a 1 no Estádio Nilton Santos. Em uma partida de intensidade, forte imposição física e drama até o último segundo, a garotada alvinegra chamou a responsabilidade e definiu o confronto. O resultado não apenas coroa a persistência do time na busca pelos três pontos, mas dá uma injeção de ânimo e confiança essencial para a sequência do Glorioso no campeonato, provando que o elenco tem peças prontas para decidir jogos pesados.
Mais do que três pontos, o triunfo em cima de um rival histórico alivia a pressão interna, consolida a força do Nilton Santos como nossa fortaleza e reposiciona o Botafogo de forma muito positiva na tabela de classificação. Sob o olhar atento da torcida, o clima geral de tensão que se desenhou após o empate santista deu lugar a uma catarse coletiva com o gol no apagar das luzes.

Primeiro tempo: intensidade e pressão alta
O primeiro tempo começou em ritmo elétrico, com as duas equipes buscando o ataque, embora as defesas levassem a melhor na maioria das jogadas. Taticamente, o técnico Franclim mandou a campo uma equipe que projetava os laterais mais à frente e trazia os meias por dentro, buscando gerar superioridade numérica e vantagem no corredor central. A ideia era manter Kauan Toledo e Lucas Emanuel próximos, encurralando a zaga santista, com Matheus Martins aberto pela esquerda.
O Glorioso tentava acelerar. Aos 12’, após uma finalização bloqueada de Escobar, Villalba puxou um contra-ataque promissor, mas acabou pecando pela pressa: correu e correu até cair sozinho com a bola pela linha de fundo.
A resposta veio aos 14’, quando Huguinho arriscou um belo chute de fora da área, sua marca registrada, assustando o goleiro Brazão.
O Botafogo controlava o ritmo e forçava o erro do adversário com uma pressão alta muito bem coordenada. Aos 26’, Kauan Toledo ganhou na velocidade, limpou a marcação e bateu cruzado, mandando para fora.
A insistência deu resultado aos 40 minutos. Em uma subida agressiva de marcação, Villalba forçou o passe errado de Escobar, e Kauan Toledo atacou com inteligência o ponto cego de Veríssimo. A bola sobrou para Lucas Emanuel. Até então meio escondido na partida, o garoto mostrou frieza de veterano para dar um toque sutil por cobertura, sem chances para Brazão: GOOOOOL do Botafogo!
A bandeirinha chegou a assinalar um impedimento que quase estragou a festa do garoto de 2009, o primeiro de sua geração a marcar no Campeonato Brasileiro, mas o VAR fez justiça e validou a obra-prima da nossa joia do bairro.
Nos acréscimos, aos 45’, o clima esquentou. Barreal resolveu provocar o aniversariante do dia, Matheus Martins, forçando uma bola contra o peito do nosso camisa 11 na cobrança de um lateral. MM11 deu aquela valorizada básica na queda, gerando um empurra-empurra que terminou com cartão amarelo para os dois.
Segundo tempo
Na volta para a segunda etapa, o panorama do jogo mudou. O Santos adiantou suas linhas e o Botafogo passou a sofrer com a falta de transição rápida.
Logo aos 48’, Léo Linck apareceu gigante mais uma vez ao defender um chute de Barreal, abafando o atacante santista.
O Glorioso tentou responder, mas começou a desperdiçar chances claras de matar o confronto. Aos 52’, após boa roubada de bola, Medina recebeu livre na intermediária, mas hesitou na hora do chute e mandou por cima do travessão.
A punição pelo gol perdido veio pouco depois. Aos 56’, após cobrança de escanteio, Léo Linck saiu mal, deu um soco parcial na bola para a entrada da área e, ao tentar se recuperar, chocou-se com Justino, preferindo ficar no chão valorizando para cavar uma falta. O futebol pune: Barreal aproveitou a sobra, dominou no peito e bateu de primeira para empatar. Apesar do choro alvinegro pedindo falta no arqueiro, o árbitro mandou seguir.
Correndo atrás do prejuízo, o Botafogo criou outra grande chance aos 80’, quando Villalba recebeu um cruzamento sozinho na grande área, mas cabeceou fraco, facilitando a vida do goleiro Brazão.
O jogo ficou dramático, lá e cá, com o cansaço cobrando seu preço. Franclim mexeu no time e oxigenou o ataque.
Quando o empate parecia definitivo, o destino reservou o melhor para o final. Aos 90+5’, na derradeira bola do jogo, Marçal teve a visão de jogo que dele se esperava e descolou um lançamento espetacular em profundidade para Kadir. A joia disparou em velocidade absurda. Desesperado, Brazão tomou uma decisão tosca, saiu muito mal do gol e deixou a meta completamente escancarada. Com o gol vazio e a frieza de quem sabe o peso da camisa, Kadir só empurrou para as redes: GOOOOOOOOOOOL! Delírio completo no Nilton Santos.
Na comemoração, a joia tirou a camisa, foi para a galera e levou o cartão amarelo, mas quem se importa? Era a vitória sacramentada por mais um fruto da nossa base. Estaremos passando este pano por aqui.

Equilíbrio tático, saldo de cartões e a transição na meta
Apesar da festa indiscutível, a comissão técnica de Franclim tem pontos de atenção para corrigir. Coletivamente, o time apresentou lapsos de concentração que permitiram o crescimento do Santos no segundo tempo e as chances perdidas por Medina e Villalba poderiam ter custado caro. Outro grande problema estrutural para a sequência é a suspensão de Ferraresi, que levou o terceiro amarelo e será um desfalque de peso para o confronto direto contra o Vitória.
Por outro lado, o desempenho de Léo Linck sob as traves, apesar do erro crucial no gol de empate, foi de extrema importância em momentos de pressão do adversário, salvando o Botafogo em lances capitais de um contra um. O time mostrou coesão, mas a fragilidade nas bolas paradas ainda é um ponto que exige atenção redobrada do nosso comando técnico.
Jóias do bairro e o legado da base
Não há como falar desta vitória sem exaltar o celeiro de talentos do clube. Justino, hoje, é o dono da nossa zaga, uma segurança impressionante para sua idade. Huguinho e Kauan Toledo mostraram uma mobilidade que tem feito a diferença, enquanto Lucas Emanuel e Kadir Barría mostraram que a nossa base não é apenas promessa, é solução
A história de Lucas Emanuel é curiosa: recém-integrado ao elenco profissional, ele era um desconhecido tanto para o técnico Franclim Carvalho, que reservou a pausa do campeonato para o observar. A oportunidade surgiu apenas pela insistência de um captador interno do clube. Alex Telles revelou que conheceu o jovem na última semana.
Mesmo com o gol da vitória, Franclim Carvalho manteve os pés no chão, sendo honesto quanto ao desempenho do jovem de 17 anos: “Se você me perguntar se ele fez um bom jogo, que me agradou de forma geral, eu digo que não. Se me perguntar se fiquei satisfeito com o gol, digo que sim. Ele ainda não está pronto, mas o gol provou a qualidade de finalização diferenciada que ele carrega”.
A esperança de uma nova era Gloriosa
Como muito bem comparou o nosso bom e velho Marçal na saída do gramado, foi uma partida sabor de Inglaterra e Argentina, disputada palmo a palmo, com catimba, superação e muita rivalidade à flor da pele.
A sensação que fica para o torcedor é de pura felicidade e de esperança renovada com o início desta nova era do Glorioso, especialmente com os novos reforços que estão para chegar e qualificar ainda mais o grupo.
O Botafogo volta a campo no próximo domingo, dia 19 de julho, para enfrentar o Vitória fora de casa, buscando manter o embalo e provar que a garotada e o elenco profissional estão prontos para grandes conquistas.
Por Adrielle Almeida | 17/07/2026 04h26
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