Com goleada acachapante, Bélgica confirma vaga no mata-mata e Nova Zelândia dá adeus à Copa do Mundo
Existem placares que contam histórias muito maiores do que os números frios impressos no telão, e o massacre de 5 a 1 aplicado pela Bélgica sobre a Nova Zelândia no encerramento deste Grupo G é o exemplo perfeito disso.
No papel, o torcedor menos atento vai olhar o atropelo e imaginar um rolo compressor belga pronto para conquistar o planeta. No entanto, o futebol real exige honestidade: essa goleada acachapante serviu para maquiar uma seleção que ainda está devendo futebol e jogando com o freio de mão puxado. Por outro lado, mesmo com esse resultado horroroso e dolorido que decreta o adeus dos neozelandeses, a carismática caminhada dos All Whites em solo mundial deixou uma certeza reconfortante: há muita dignidade no futuro da Oceania.

Antes da bola rolar no BC Place, os desenhos táticos já mostravam propostas bem desenhadas. A Nova Zelândia entrou postada no 4-2-3-1, com o iluminado Elijah Just como um ponta esquerda de muita mobilidade, Ryan Thomas centralizado no meio, Singh pela direita e o veterano Chris Wood fincado na referência como o clássico camisa 9.
Do outro lado, a Bélgica se espelhou no mesmo 4-2-3-1 ofensivo, trazendo De Ketelaere improvisado como centroavante, Doku espetado na ponta direita para dar amplitude, De Bruyne flutuando como o cérebro no meio e Trossard atacando com total liberdade pelo corredor esquerdo. Sem a bola, no entanto, os belgas rapidamente se fechavam em um compacto e rígido 4-4-2, com duas linhas de quatro bem estruturadas.
Com o apito inicial, a cronologia do massacre começou a ser desenhada na base do abafa. Aos 10 minutos do primeiro tempo, a Bélgica descolou uma blitzkrieg fantástica na área neozelandesa. Trossard dominou e soltou uma pancada linda com endereço certo, mas a zaga dos All Whites operou um milagre e salvou a bola em cima da linha.
Pouco depois, o jogo flertou com a polêmica quando Trossard bateu cruzado e a bola carimbou o braço flexionado de Surman. O VAR chamou o árbitro para checagem de um possível pênalti, mas, em uma decisão acertada, o juiz considerou o movimento natural do cotovelo do defensor, que tentava recolher o corpo, e mandou o jogo seguir.
A pressão era asfixiante, e o prêmio belga veio aos 28 minutos. Após um cruzamento fechado que passou por todo mundo, a zaga neozelandesa vacilou feio e Trossard, com puro faro de gol, se jogou no gramado para empurrar a pelota para as redes mesmo caído. 1 a 0.
O primeiro tempo seguiu com os All Whites se defendendo de uma artilharia pesada que se postou em sua área sem ideia de sair. Mesmo muito defensivos, os Kiwis não estavam escondidos, procurando trabalhar seus contra-ataques na base da insistência sempre que conseguiam dar uma escapada daquela pressão belga.
Na segunda etapa, o bombardeio continuou sem dar tempo para os neozelandeses respirarem. Aos 49 minutos, Doku costurou uma jogada linda e individual pela esquerda e acionou Trossard dentro da área. O camisa 10 limpou a marcação com enorme categoria e, mesmo após a bola desviar nas costas do zagueiro, pegou a sobra para desferir uma sapatada violenta no fundo da rede. A porteira abriu de vez e, aos 66 minutos, Trossard clareou a jogada da esquerda para o centro e serviu De Bruyne na meia-lua. O craque bateu cruzado, rasteiro e letal, sem chances para Crocombe. 3 a 0.
Foi então que, aos 83 minutos, o estádio em Vancouver testemunhou a pintura que, pelo menos, honrou a persistência dos neozelandeses. Após uma cobrança de escanteio de De Vries, Courtois tentou afastar o perigo de soco, mas a bola viajou viva até a intermediária. Foi lá que Elijah Just, com a frieza dos grandes craques, domou a sobra e meteu uma bomba monumental de fora da área.
A bola pegou uma curva sutil e plasticamente perfeita, desenhando uma parábola indefensável que acabou no meio do gol do gigante belga. Esse gol de honra foi também o terceiro de Just nesta Copa do Mundo, consolidando o camisa 11, não apenas como o artilheiro isolado de sua seleção no torneio, mas como a cara indiscutível e reluzente do futuro do futebol da Nova Zelândia.

A resposta belga ao gol de honra veio de forma avassaladora com as mexidas cirúrgicas de Tedesco. Aos 86 minutos, apenas um minuto após pisar no gramado, Lukaku aproveitou um levantamento na medida feito por Raskin, subiu no terceiro andar mais alto que todo mundo e testou com violência para fazer o quarto. Para fechar o caixão nos acréscimos, aos 91 minutos, Surman cortou mal na defesa e a bola sobrou com Lukaku. O centroavante esbanjou agilidade, tabelou com Vanaken e cruzou rasteiro, com açúcar, para Saelemaekers empurrar de chapa na boca do gol, fechando a conta na marca de 5 a 1.
Mesmo com a goleada, a Bélgica precisa se preocupar. Quando o técnico tentou oxigenar o time com Saelemaekers e Onana na pausa para hidratação, o refino técnico caiu drasticamente, provando que o banco de reservas não oferece o mesmo estofo dos anos anteriores. Contra camisas mais pesadas e seleções de elite no mata-mata, essa lentidão criativa, a dependência extrema de lampejos individuais e a facilidade com que o sistema defensivo cede espaços serão punidas sem dó. Se a Bélgica quiser sonhar além das oitavas de final, precisará de uma metamorfose coletiva urgente. Do contrário, será presa fácil para qualquer potência europeia ou sul-americana bem estruturada. Não falta qualidade, mas talvez sobre um pouco de afobação.
Pensando no outro lado, nem tudo é terra arrasada. Essa Copa do Mundo marca o fim de uma era de isolamento para a Nova Zelândia. Agora que a Oceania finalmente garantiu uma vaga direta para o Mundial, o cenário muda completamente de patamar. Essa vaga direta é a chave de ouro para o desenvolvimento do futebol no país e enterra de vez o fantasma daquelas repescagens intercontinentais injustas e cruéis que sabotavam projetos inteiros a cada quatro anos.
Saber que o caminho até a Copa está pavimentado permite planejamento financeiro, atração de patrocínios, intercâmbio tático e um calendário competitivo de verdade para os jovens talentos locais. O resultado foi elástico, é verdade, e o goleiro Crocombe teve que se colocar como xerife com defesas espetaculares para evitar um vexame ainda maior, mas o futebol dos All Whites está evoluindo a olhos vistos. Eles saem de cabeça erguida e prontos para, no mínimo, incomodar muita gente grande nos próximos Mundiais.
Parabéns imenso à Bélgica pelo resultado incontestável e pela vaga garantida! Fica aqui o desejo de muita sorte e inspiração aos belgas na caminhada que se inicia nos 16 avos de final para frente, onde as margens de erro desaparecem por completo. E um parabéns igualmente caloroso à Nova Zelândia, que dignificou demais este torneio. Fica a torcida sincera para continuarmos acompanhando a evolução dos All Whites, com a vontade profunda de vê-los de volta e cada vez mais fortes no Mundial de 2030!
Por Luiza Corrêa
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