Estados Unidos vencem a Austrália por 2 a 0 e avançam, mas arbitragem duvidosa rouba a cena no Lumen Field


Com gols de Burgess (contra) e Freeman no primeiro tempo, os donos da casa sofrem com o cansaço no segundo tempo e contam com a vista grossa do juiz alemão Felix Zwayer

Após derrotarem os Socceroos por 2 a 0, nesta sexta-feira (19), os Estados Unidos estão oficialmente classificados para a fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026, em Seattle. O confronto teve duas caras completamente opostas, a seleção americana impôs sua superioridade tática no primeiro tempo sob o apoio ensurdecedor de 66.925 torcedores no Lumen Field. Mas a verdade é que o time morreu fisicamente na segunda etapa, entregando o controle e sendo salvo tanto pela falta de pontaria australiana quanto por decisões de arbitragem para lá de polêmicas.

Com o triunfo, os coanfitriões alcançaram seis pontos no Grupo D e carimbaram a vaga antecipada no Round of 32, quebrando um incômodo jejum de 96 anos sem vencer as duas primeiras partidas de um Mundial. Sob uma temperatura de 22°C e céu parcialmente limpo, a atmosfera no noroeste do Pacífico ferveu com a presença de celebridades como Trinity Rodman e Ciara nas tribunas. Enquanto os americanos celebram a classificação precoce, a Austrália lamenta o resultado amargo e entra em clima de pura pressão, dependendo de si mesma na rodada final para sobreviver.

Vencedores, seleção americana garante vaga no mata-mata — Foto: Reprodução: @Antonee_Jedi/X

Primeiro tempo: Domínio absoluto dos donos da casa na marra

Desde o apito inicial, ficou nítido que os Estados Unidos queriam mandar na partida, sem dar espaço para os Socceroos respirarem. Mesmo desfalcada de sua estrela maior, Christian Pulisic — poupado devido a dores na panturrilha —, a equipe do técnico Mauricio Pochettino começou com um ritmo de pressão sufocante.

Aos 11’, essa blitz deu resultado. Balogun disparou em velocidade absurda pela ponta esquerda, deixando Jacob Italiano na saudade, e cruzou forte em direção à pequena área. Desesperado para se antecipar a Ricardo Pepi, o zagueiro australiano Cameron Burgess tentou o carrinho, mas acabou desviando a bola contra as próprias redes. Um gol contra trágico para a Austrália e o placar aberto: 1 a 0.

A Austrália tentou reagir imediatamente com Mathew Leckie aos 13’, arriscando de longe para uma defesa segura de Matt Freese, mas o controle tático seguiu totalmente com os americanos, que rodavam a bola com extrema fluidez e ganhavam todos os duelos no meio-campo. A recompensa pelo domínio veio na reta final da primeira metade.

Aos 43’, após cobrança rápida de falta na lateral da área, Sergiño Dest recebeu livre e arriscou o chute. A bola desviou na zaga de Harry Souttar e subiu muito. Com incrível impulsão, o jovem lateral-direito Alex Freeman se antecipou ao goleiro Patrick Beach e testou firme para o fundo das redes. O bandeirinha chegou a assinalar impedimento, mas, após revisão milimétrica do VAR, o gol foi validado, mandando os EUA para o vestiário com um 2 a 0 confortável e Seattle abaixo de tanta festa.

Segundo tempo: Pernas pesadas e Austrália toma a frente

Na volta do intervalo, o enredo mudou de figura de um jeito drástico. Insatisfeito, o técnico Tony Popovic promoveu três mudanças de uma vez e jogou a Austrália para frente.

O impacto físico e tático foi imediato: os Socceroos passaram a pressionar alto e dominar o território, enquanto os EUA simplesmente apagaram fisicamente sob o sol de Seattle. Com as pernas pesadas e um desgaste severo, os americanos viram os adversários colecionarem chances claras.

O grande susto veio aos 62’, quando Irankunda quebrou a linha defensiva pela direita e cruzou para Volpato. O meia surgiu livre no meio da área, mas isolou o chute de forma inacreditável por cima do travessão.

Aos 65’, Metcalfe arriscou de longe e forçou Matt Freese a fazer boa defesa para segurar a vantagem. A pressão foi ficando cada vez mais ríspida e as divididas viraram discussões quentes.

Aos 85’, a Austrália teve a chance de ouro do jogo após cobrança de escanteio reciclada na área. Souttar acabou errando a cabeçada, mas a bola sobrou viva para o chute de Geria. De forma heróica, Tyler Adams se atirou na bola para bloquear o gol certo e aliviar o sufoco de uma defesa americana que precisou se fechar em uma linha de cinco homens até o apito final.

Com arbitragem fraca, o clima do jogo esquentou durante o segundo tempo — Foto: Reprodução: Socceroos/X

Maturidade coletiva para superar a ausência do “‘LeBron James of soccer”: como atuou os Estados Unidos

A seleção dos Estados Unidos provou que tem elenco e estofo tático para sonhar grande nesta Copa do Mundo. Entrar em campo sem Christian Pulisic, o capitão e termômetro da equipe, era o teste definitivo para o trabalho de Mauricio Pochettino. O treinador mudou o desenho tático para um 3-5-2 que usou muito bem a amplitude de Antonee Robinson e Sergiño Dest, mostrando enorme inteligência coletiva no primeiro tempo.

O grande herói da noite foi Alex Freeman. Além de ditar o ritmo defensivo com desarmes cruciais, o garoto de 21 anos apareceu na área para marcar o gol da segurança. No entanto, a nítida queda física e o recuo excessivo no segundo tempo acendem um sinal de alerta vermelho: contra adversários mais letais na fase de mata-mata, abdicar de jogar tão cedo pode custar muito caro.

Castigo pela covardia inicial e reação tardia: como atuou a Austrália

Do lado australiano, fica aquele gosto amargo de “e se?”. Tony Popovic simplesmente abdicou do jogo na etapa inicial ao deixar Irankunda e Metcalfe — as estrelas da estreia contra a Turquia — sentados no banco de reservas por pura opção de rotação física. A postura ultra defensiva em um bloco baixo custou o controle tático e atraiu o domínio dos EUA.

Quando resolveu ousar e lançar as crias no intervalo, a Austrália virou outro time, sufocando os donos da casa com velocidade e agressividade. Faltou apenas o refino técnico na hora de mandar a bola para a rede. Apesar da derrota, a reação valente mostra que os Socceroos têm futebol e dignidade de sobra para encarar o mata-mata, desde que Popovic deixe a covardia tática de lado e jogue com coragem desde o primeiro minuto.

Arbitragem: show de horrores que não precisávamos ver

Agora, foca aqui porque o assunto é sério. Os Estados Unidos jogaram melhor no primeiro tempo e provavelmente venceriam de qualquer forma, pois eram coletivamente superiores. Mas a arbitragem não precisava ser ruim, não precisava deixar passar aqueles lances evidentes a favor da Austrália.

Aos 61’, Richards atropelou Irankunda na área sem sequer olhar para a bola, em um lance claro de penalidade interpretativa que o juiz ignorou. Quinze minutos depois, aos 76’, veio o verdadeiro absurdo: Metcalfe sofreu um toque claro no tornozelo dentro da grande área, uma rasteira sem qualquer contato com a bola que nem o árbitro e nem o VAR tiveram a decência de revisar.

Para completar o ranço, sonegou um segundo cartão amarelo cristalino para Antonee Robinson por uma cotovelada fora do lance em Volpato. Mas, sinceramente, depois de um cartão vermelho claro que não foi dado ao grande Lionel Messi na estreia argentina, fica difícil supor para quem a FIFA “supostamente” vendeu o título.

Não sabendo controlar um jogo quente, o árbitro teve que distribuir cartões amarelos de forma desesperada para tentar segurar os ânimos que ele mesmo inflamou. E, pra complicar, ainda passou vergonha sentindo lesão na reta final do jogo. Já nos acréscimos, o árbitro alemão despencou no gramado com cãibras na perna, parando o confronto e precisando ser alongado pelos próprios jogadores enquanto a quarta árbitra corria para lhe dar isotônico. Tá querendo chamar atenção, mona? Deixa a cena para quem sabe jogar futebol.

O Grupo D pega fogo na próxima rodada

Apesar dos Estados Unidos já estarem classificados para o Round of 32 com a liderança do grupo muito bem encaminhada, o Grupo D segue pegando fogo e tem muita gente brigando por vaga na marra. Os confrontos da terceira e decisiva rodada acontecem na próxima quinta-feira (25) e prometem drama até os segundos finais.

Para os Estados Unidos, o próximo jogo contra a já eliminada Turquia, no SoFi Stadium, em Inglewood, será puramente protocolar. Com a vaga na mão, a partida serve apenas para Pochettino descansar seus titulares fadigados, recuperar a condição física do elenco e possivelmente dar alguns minutos de rodagem para os reservas sem qualquer peso nas costas.

Para a Austrália, por outro lado, é clima de guerra e vida ou morte. Os Socceroos decidem seu destino na Copa diretamente contra o Paraguai, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, disputando palmo a palmo o segundo lugar do grupo. A equipe de Tony Popovic precisará resgatar a coragem do segundo tempo de Seattle e deixar a vida no gramado se quiser continuar sonhando acordada com o mata-mata mundial.

Por Adrielle Almeida

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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