O meu melhor amigo é o VAR


Com dois gols anulados, pênalti cancelado e muita tensão até o fim, a Raposa vence a Chapecoense por 2 a 1 em uma noite marcada pelo protagonismo do VAR no Mineirão

O Cruzeiro parece não querer que seu torcedor termine o ano com saúde, a cada jogo, o time testava o coração da gente de uma forma diferente. Neste domingo (24), jogando em casa, na nossa Toca 3, o Mineirão, enfrentamos a Chapecoense, lanterna da competição. O que parecia ser um roteiro de jogo tranquilo acabou se transformando em puro sofrimento, e só vencemos por 2 a 1 após o VAR fazer aquela participação especial dramática e necessária.

Talvez tenha sido a tal maldição: com um 9 a 0 nos palpites de vitória para o Cruzeiro entre os comentaristas, a famosa “zika” da unanimidade rondou o Mineirão. Toda vez que o time é favorito absoluto, ou vem derrota ou esse sofrimento que vimos em campo. Parece que o destino adora pregar uma peça quando o clima é de já ganhou.

O importante é que a vitória veio. Os três pontos eram essenciais para subirmos na tabela, mas ficou a lição: o time precisa ter mais calma e concentração, especialmente no segundo tempo. Uma vitória que, na percepção de todos, parecia tão fácil, quase se transformou no nosso maior pesadelo. Agora, vamos aos detalhes desse jogo que quase nos tirou do sério e fez o Cabuloso perder os seus 3 pontos.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Primeiro tempo

O primeiro tempo no Mineirão foi um roteiro de domínio absoluto, tensão tecnológica e o alívio do grito de gol. Desde o apito inicial, o Cruzeiro impôs seu ritmo, empurrando a Chapecoense contra as cordas e transformando o campo de ataque em seu habitat natural.

A pressão começou cedo. Logo aos 7 minutos, Kenji deu o primeiro susto real com um chute rasteiro e venenoso que exigiu uma boa defesa do goleiro Anderson. O Cruzeiro explorava bem as pontas, com Kaiki Bruno e Matheus Pereira distribuindo o jogo, enquanto a Chape tentava se segurar como podia, apelando para faltas táticas e chutes para afastar o perigo.

O volume de jogo cruzeirense era sufocante. Aos 19, Matheus Pereira quase furou a rede com uma bomba em cobrança de falta, novamente defendida por Anderson. A insistência, porém, foi recompensada aos 24 minutos, quando Carvalheira derrubou Matheus Pereira dentro da área. Sem hesitar, o árbitro apontou para o pênalti. Na cobrança, Kaio Jorge mostrou frieza de centroavante: chute firme no meio do gol, sem chances para o arqueiro, abrindo o placar e explodindo a arquibancada.

O que parecia o início de uma goleada ganhou tons dramáticos aos 31 minutos. Em uma jogada bem trabalhada, Kauã Moraes cruzou e Sinisterra mandou para o fundo das redes. Seria o segundo gol, mas o VAR entrou em cena. Após uma longa revisão, o árbitro identificou uma falta na origem da jogada e anulou o gol, mantendo a vantagem mínima no marcador.

Mesmo com o balde de água fria do gol anulado, a Raposa não se abateu e continuou empilhando chances até o intervalo. Kenji e Kaio Jorge seguiram incomodando a defesa catarinense, que terminou os primeiros 49 minutos exausta e sob o alívio do cronômetro.

O Cabuloso foi para o vestiário com a sensação de que o 1 a 0 era magro diante de tamanha superioridade, mas com a confiança de quem mandava no jogo.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Segundo tempo

Se o primeiro tempo foi de domínio, a etapa final foi um teste para o coração do torcedor na Toca 3. O segundo tempo começou com o Cruzeiro querendo liquidar a fatura.

Logo aos 7 minutos, Sinisterra soltou uma pancada que obrigou Anderson a trabalhar, mas o gol estava amadurecendo. Aos 29 minutos, a insistência deu resultado: em uma triangulação precisa, Kaio Jorge serviu Christian, que rolou para Sinisterra. O atacante bateu de primeira e, após uma tensa revisão do VAR que confirmou sua posição legal, pôde enfim comemorar o 2 a 0.

Tudo parecia sob controle, mas a Chapecoense não se entregou e resolveu colocar fogo no jogo. Aos 34 minutos, em uma jogada de bola parada, Pacheco levantou na área e o zagueiro João Paulo subiu sozinho para cabecear firme, diminuindo a diferença.

O gol animou os visitantes e trouxe nervosismo para o lado celeste. Pouco depois, Bolasie chegou a balançar as redes, o que seria o empate catarinense, mas a arbitragem assinalou interferência de Jean Carlos, que estava impedido, invalidando o lance.

A reta final foi um verdadeiro teste de sobrevivência para a Raposa. Aos 41, o goleiro Otávio se tornou o herói da tarde ao realizar uma defesa dupla espetacular em finalizações de Bolasie e Meritão, mantendo a vantagem cruzeirense.

Como se não bastasse a tensão, então veio o lance mais polêmico do jogo: aos 43, o árbitro marcou pênalti para a Chape por toque de mão de Bruno Rodrigues. O Mineirão silenciou. No entanto, após longa análise no monitor, o VAR novamente foi protagonista ao identificar um impedimento de Bruno Leonardo na origem da jogada. O pênalti foi anulado, para o delírio da torcida.

Após 55 minutos de muita entrega e drama tecnológico, a tortura finalizou com a vitória.

O que pensar do jogo

Olha, se for para ter um domingo tranquilo, o Cruzeiro definitivamente não é o lugar certo! Que teste para o meu coração foi esse contra a Chape? Saí do Mineirão com a alma lavada, mas com uns dez anos a menos de expectativa de vida.

Vou te falar, o primeiro tempo foi um luxo. O time parecia um rolo compressor, não deixava a Chape respirar. Quando o Kaio Jorge guardou aquele pênalti, eu já estava pronta para pedir mais uma rodada e comemorar a goleada. O Sinisterra até guardou o dele, mas o VAR resolveu começar o show de tira casaco, põe casaco e anulou. Mas tudo bem, o time estava voando, a gente estava feliz.

Aí veio o segundo tempo… e Cruzeiro sendo Cruzeiro, né? A gente gosta de emoção. Quando o Sinisterra finalmente fez o dele e o VAR confirmou, eu pensei: agora sim, pé no freio e vitória garantida.

Doce ilusão! A Chape resolveu que queria estragar o meu domingo e semana, aquele gol de cabeça do João Paulo me fez roer até a última unha.

O final do jogo? Um filme de terror com final feliz. O Otávio não é um goleiro, é um anjo que caiu no gol! Aquela defesa dupla salvou a nossa dignidade. E o que foi aquele drama do pênalti aos 43? Eu já estava xingando até a terceira geração do árbitro quando o VAR, que eu critiquei o jogo todo, confesso, virou meu melhor amigo e chamou o impedimento.

Ganhamos de 2 a 1, mas o Cruzeiro precisa entender que a gente é torcedora, não é dublê de ação para aguentar tanto susto! Valeu pelos três pontos, Raposa, mas na próxima, por favor, resolve logo no primeiro tempo! Zêêêêro!

Próximo jogo

O Cruzeiro volta a campo nesta quinta-feira (28), às 21h30, para enfrentar o Barcelona SC pela fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. A partida será disputada no Mineirão, em Belo Horizonte, em mais um duelo decisivo da competição continental.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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