Com gol milagroso de Jordan Barrera, Glorioso segura o 1 a 1 contra o São Paulo
Apesar de toda a bizarrice de jogar praticamente sem meio-campo e de encarar um verdadeiro temporal na capital paulista, o Botafogo mostrou sua força mental e empatou por 1 a 1 com o São Paulo na tarde deste sábado (23). O jogo foi de resiliência pura do Alvinegro, que lutou até o final após sair perdendo muito cedo no Morumbis. Essa postura de guerreiro e a capacidade de buscar o resultado fora de casa de qualquer maneira são características fundamentais para o Botafogo na sequência do Brasileirão.
Com o resultado, o Glorioso se mantém na nona colocação com 22 pontos, coladinho no pelotão que sonha com as vagas da Libertadores. O ponto somado fora de casa alivia a pressão e consolida o trabalho do técnico Franclim Carvalho, que soma apenas duas derrotas em 14 jogos. Encarar o Morumbis debaixo de chuva e com o gramado pesado deu um peso enorme ao confronto, mas as implicações são claras: o Botafogo tem elenco e alma para brigar em qualquer pasto do país.

Primeiro tempo de caos e frango que quase estragou nossa noite
O início já foi um sofrimento daqueles. Logo aos 4’ de jogo, o São Paulo abriu o placar. Artur (aquele mesmo) trouxe da direita para o meio, Luciano escorou e o próprio Artur, sabendo que nosso goleiro é frangueiro, finalizou de fora da área. O suposto goleiro Neto tentou encaixar a bola molhada, mas não conseguiu e espalmou nos pés de Luciano, que aproveitou o rebote para fazer 1 a 0.
A partir daí, o São Paulo passou a trocar passes com facilidade dentro da nossa área. Franclim, o “gênio” que escalou Santi Rodríguez e Montoro para marcar, ficou visivelmente incomodado com um time totalmente perdido e incapaz de reter a bola.
Aos 25’, o malandro do Luciano arrumou uma confusão de graça com o nosso zagueiro Justino para forçar um cartão amarelo e cavar uma suspensão no próximo compromisso. Cartão amarelo para os dois. Que papelão.
O Glorioso só deu sinal de vida aos 33’: Santi achou Vitinho, que encarou Ferreirinha e cruzou na área. A bola sobrou para Montoro acionar Marçal, que cruzou de novo. O cruzamento encontrou Villalba, que escorou de cabeça para trás antes de a zaga afastar.
Aos 36’, o São Paulo voltou a causar dor de cabeça. Danielzinho cruzou na área, o Ferraresi afastou e o Artur bateu no rebote. O Vitinho cortou na hora, mas a bola ficou presa no pasto da grande área. Calleri tentou chutar no canto, Ferreirinha e Artur tentaram alcançar, mas ninguém achou nada.
Aos 40’, Sabino parou Villalba com falta dura quando ele corria sozinho. O Villalba dificilmente faria alguma coisa útil sozinho dali de onde estava, mas pelo menos garantimos essa falta no campo de ataque.
Apesar dessa melhora no fim, o Botafogo teve extrema dificuldade para entrar no jogo durante os primeiros 45 minutos. Huguinho e Santi Rodríguez não conseguiram dar o suporte necessário na marcação e na transição do meio-campo, deixando a equipe muito exposta.
Segundo tempo
Franclim já voltou do vestiário com mexida: sacou Villalba e colocou Kadir. O Botafogo voltou muito mais ofensivo, empurrando o São Paulo para trás e dominando as ações.
Logo aos 8’, a bola balançou a rede, mas não deu nem tempo de gritar gol. Marçal cobrou falta na área e Arthur Cabral testou para a rede, mas o assistente marcou impedimento, confirmado pelo VAR.
A pressão continuou aos 17’, quando Huguinho arrancou livre e soltou para Arthur Cabral acionar Kadir, que bateu firme para boa defesa de Rafael.
As joias Jordan Barrera e Edenilson entraram na partida para mudar o jogo. Barrera, que vinha oscilando na temporada, deu dinâmica e infiltração ao ataque.
Mas aos 27’, vivemos mais um momento de Bahia do Rogério Ceni, com outro gol impedido. Santi cruzou, Barrera desviou de cabeça e Arthur Cabral completou para o gol. No cruzamento, Vitinho estava legal, mas no desvio do colombiano, o lateral estava totalmente adiantado. O mundo realmente conspirou contra mais um hat-trick do nosso centroavante.
De tanto martelar, a recompensa veio aos 44’ com um golaço de cinema. Após escanteio, Rafael defendeu uma cabeçada de Kadir, mas, na sobra na meia-lua, Barrera dominou no peito e emendou um balaço de direita no ângulo, já saindo para comemorar antes mesmo de a bola entrar. Que estrela!
E ainda tivemos a chance da virada: aos 49’, Vitinho desarmou na defesa, Kadir correu até a linha de fundo e cruzou rasteiro na medida para Chris Ramos chutar bizarramente para fora. Fica o questionamento: como esse homem é o nosso camisa 9?
No fim, a arbitragem ainda nos garfou um escanteio claro, dando tiro de meta para acabar o jogo logo. Mesmo assim, o segundo tempo valeu pelo volume e pela raça.

Arbitragem de várzea
Se o futebol apresentado pelo Glorioso no segundo tempo encheu nossos olhos, a condução do jogo por parte do jovem árbitro paranaense Lucas Casagrande foi de muita raiva. Ele já é um velho conhecido nosso daquela vitória contra o Red Bull Bragantino, mas a atuação de hoje foi desastrosa. Casagrande mostrou uma inexperiência gritante, deixando de marcar faltas nítidas a nosso favor e caindo em qualquer catimba do adversário.
Para piorar, o empate teve muito mais paralização e cera do que jogo de verdade. No total dos 99 minutos de partida, tivemos vergonhosos 44 minutos de bola rolando. Se você acha isso ruim, saiba que no segundo tempo a bola ficou em jogo por míseros 19 minutos e 42 segundos. Esse tipo de palhaçada e falta de critério da arbitragem destrói o espetáculo e prejudica quem de fato quer propor jogo. Não dá para tolerar um amadorismo desse tamanho num campeonato da magnitude do Brasileirão.
Próximo jogo protocolar
Passado o Brasileiro, o Botafogo já vira a chave e se prepara para viajar até a Venezuela, onde enfrenta o Caracas na próxima quarta-feira (27), pela última rodada da fase de grupos da Sul-Americana. O jogo é puramente protocolar, porque o Fogão já está confirmadíssimo nessas oitavas de final! O único objetivo real em solo venezuelano é buscar mais três pontos para consolidar a melhor campanha geral do torneio, garantindo a vantagem de decidir os mata-matas decisivos no Niltão, diante da nossa torcida.
E digo mais: ninguém vai entender nada quando nosso Cidinho colombiano, aos 97’, marcar o gol e consagrar a conquista da gigantesca Sulamericana.
Por Adrielle Almeida | 24/05/2026 02h47
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