A conta chegou!


Mais uma eliminação precoce na conta da “nova era”. Quem paga essa conta? Sempre o torcedor…

Meus amigos e minhas amigas, hoje escrevo este pós-jogo em forma de desabafo. Um relato de quem se entregou e se entrega ao Coritiba durante boa parte da vida; de quem chora e sente raiva, mas está sempre lá, seja para xingar o jogador “pé de rato”, o time adversário ou até mesmo o torcedor do outro lado do campo.

Ir ao estádio sempre foi a minha terapia. A vida nos cobra seriedade e rotina, e ir ao Couto Pereira — ou a qualquer outro estádio — para mim é sinônimo de distração. Ver os amigos, tomar aquela cervejinha, conversar e fazer aquela resenha de pré-jogo. O resultado nem sempre importa, mas, dependendo da configuração da partida, machuca a alma…

Esta quarta-feira (13) fria na capital paranaense, onde mais de 36 mil torcedores saíram de suas casas quentinhas para apoiar o seu time do coração, tinha tudo para ser uma noite de festa, de redenção e de soltar aquele grito preso. Tinha. E ela foi — mas não para nós, e sim para o adversário.

Foto: Ernani Ogata

Coritiba e Santos se enfrentaram pela quinta fase da Copa do Brasil nesta quarta-feira (13), às 19h30. O duelo era o de volta. Na ida, um 0 a 0 amargo para o torcedor alviverde, que lamentou várias chances claras de gol perdidas. O empate na Vila Belmiro com gosto de derrota cobraria o seu preço…

A torcida, como sempre, fez a sua parte. Já o time até tentou fazer, iniciando a partida indo para cima, pressionando e marcando a saída de bola do time paulista, além de marcar de perto um certo camisa 10, o qual boa parte dos olhos do país estava voltada.

O gol chegou a sair da cabeça de Bruno Melo, mas o apito de Ramon Abatti Abel marcou impedimento. Copos e líquidos foram arremessados ao ar na comemoração à toa. Após o lance, logo viria o castigo: gol do adversário. O golpe fez o Coxa sentir o baque, e logo veio o segundo. Ali, desandava qualquer chance de reação.

Na segunda etapa, os problemas causados pelo elenco curto apareceram. Ronier sentiu, Lavega cansou, Josué sentiu dores nas costas — talvez por carregar, muitas vezes, esse time sozinho. Nossos melhores jogadores não tinham mais força física, e restou a Seabra tentar fazer milagre com o que tinha disponível. Até houve entrega, não podemos negar, mas faltou coragem. E time que se acovarda paga o preço.

Quem paga, na verdade, não são os atletas. Eles vão para suas casas luxuosas, enquanto seus empresários avaliam as melhores oportunidades de mercado para aumentar suas cifras bancárias. Quem paga mesmo é o torcedor, que luta para manter as contas em dia e entra nas arquibancadas movido não só pelo lazer, mas por uma paixão inexplicável. Gostar de futebol é maravilhoso, mas muitas vezes tem um preço elevado.

Minha menção honrosa fica ao atleta Jacy. Novamente, o zagueiro se desdobrou: marcou, cercou o camisa 10 deles, arriscou-se no ataque… É um jogador que você vê que coloca o coração na ponta da chuteira, tanto que sempre merecerá qualquer homenagem feita pela torcida. Até Neymar Jr. se rendeu e pediu sua camisa como lembrança. Nós te entendemos, Neymar, o Jacy Maranhão é f&@* mesmo.

Foto: Rogério Scarione

Menção honrosa também, novamente, ao torcedor. Mas falo daquele que vai sob chuva e frio, que viaja quando pode, que não escolhe adversário. Muitos não vão por dificuldades financeiras ou de logística, e eu entendo. Mas se você é daqueles que apareceu nesta quarta-feira apenas para ver um certo jogador que nem veste a camisa alviverde, você não nos representa.

A esse torcedor fiel e coxa-branca, restam a lamentação por mais uma eliminação e a preocupação com a sequência da temporada. Ainda temos um longo Campeonato Brasileiro a disputar, onde o objetivo é único: se manter na elite. Seguimos apoiando, mas também cobraremos. Chega de ser feito de palhaço!

E se não quer mais vestir essa camisa… tchau e bênção!

Quis o destino que o próximo adversário do Coritiba fosse o mesmo Santos, mas dessa vez pela 17ª rodada do Brasileirão, na Neo Química Arena, em São Paulo. E a colunista que vos escreve estará lá, fazendo mais uma vez a sua parte: apoiando!

RAÇA, MEU VERDÃO!

Por Viviane Mendes, coxa doida de coração.

Esclarecemos que os textos trazidos não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se