Cruzeiro vence fora, quebra tabu histórico e reacende a esperança da torcida celeste
Na noite deste sábado (25), o céu ficou estrelado pela primeira vez fora de casa. Cada torcedor enviou suas energias para Belém para que o Cruzeiro conquistasse a vitória, e essa corrente deu resultado: quebramos o tabu de nunca ter vencido na casa do adversário ao bater o Remo por 1 a 0.
Quem brilhou em campo, mais uma vez, foi o nosso menino Arroyo. A cada jogo, ele constrói seu protagonismo e mostra por que escolheu o Maior de Minas. Afinal, jogar neste time é viver momentos de magia e deixar o peso da camisa falar mais alto.
Como torcedora, nem sei descrever a emoção que sinto, dá até vergonha ter esse sentimento. É até difícil falar, pois 2026 começou de forma muito dolorida e sofrida, a ponto de nos fazer temer que a história de 2019 se repetisse. Eu chorei, sofri e deixei o time tirar minha paz e abalar meu psicológico. Mas o amor que sinto é tão grande que me faz suportar qualquer coisa.
Saber que essa vitória veio com entrega e com sofrimento, já que o Remo cresceu no segundo tempo e o fantasma do empate nos rondou, aquece o coração. Ver o time se doar para garantir os três pontos e sair de campo sem sofrer gols é recompensador.
Ao olhar a tabela e ver os 16 pontos na 11ª colocação mesmo no início da rodada, eu começo a acreditar que a maré de azar está passando e que estamos voltando para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído.
Torcer é sofrer, amar acima de tudo e, muitas vezes, questionar se o futebol realmente vale a pena. No meu caso, por mais que eu passe raiva, vale muito. Amo esse esporte e amo esse time acima de tudo. Agora, preciso descansar a mente, pois 2026 não tem sido nada fácil até aqui, mas hoje o sono será mais leve.

Primeiro tempo
O cenário era o Baenão, e o que representou os 45 minutos foi um embate de estratégias distintas entre Cruzeiro e Remo. Foi um jogo para deixar o torcedor nervoso, mas ao mesmo tempo teve a eficiência cirúrgica que colocou a Raposa em vantagem.
Desde o apito inicial, o clima foi tenso e pegado, o Cruzeiro impôs um ritmo físico forte, registrando três faltas em menos de dez minutos, enquanto o Remo buscava responder na técnica e na velocidade.
Aos 06 minutos, Bruno Rodrigues deu o primeiro susto nos paraenses em uma cobrança de falta que parou nas mãos de Rangel, mas o Leão não se intimidou. Marcelinho e Jajá tentavam articular tramas ofensivas, e aos 16 minutos, Zé Welison arriscou de fora da área, mandando a bola para fora e inflamando a torcida.
O jogo seguiu em um troca troca entre as equipes, onde cada um explorou suas possibilidades. O Cruzeiro explorava os cruzamentos de Kauã e a presença de Kaio Jorge, e o Remo tentou encontrar a jogada perfeita. E aos 30 minutos o time da casa assustou de verdade, quando Jajá estufou as redes, mas viu o grito de gol ser abafado pela anulação imediata da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, após a falta no goleiro Matheus Cunha.
O balde de água fria para os donos da casa veio logo em seguida, com o requinte de crueldade e como diz o ditado: “quem não faz, leva”. Aos 33 minutos, Arroyo chamou a responsabilidade, carregou pela esquerda, invadiu a zona de perigo e disparou um chute cruzado certeiro para abrir o placar. E foi bom ver o quanto o Arroyo está evoluindo a cada jogo e ganhando seu protagonismo.
O gol desestabilizou momentaneamente o Remo, que passou a ver o Trem Azul controlar a posse de bola com autoridade, mesmo atuando longe de casa.
Nos minutos finais da etapa inicial, o nervosismo dominou. Zé Ricardo, do Remo, acabou levando o cartão amarelo após uma entrada dura em Romero, simbolizando a frustração de uma equipe que tentava, mas não conseguia furar o bloqueio de Matheus Cunha.
Antes do intervalo, Pikachu ainda tentou levar perigo em cruzamentos e bolas paradas, encontrando Poveda que cabeceou para fora, mas a eficiência mineira falou mais alto, garantindo a ida para o vestiário com o 1 a 0 no marcador e o controle emocional da partida.
Agora fica a dúvida: vamos conseguir manter o controle no segundo tempo e garantir a vitória?
Segundo tempo

A segunda etapa começou como um teste de resistência, confiança e tentando manter a intensidade para a Raposa. Mas nos minutos iniciais houve intensidade, nervosismo e cada equipe tinha seu objetivo traçado.
O Leão tentou impor pressão com Tchamba e Marcelinho, mas a defesa celeste, bem postada, afastava cada bola alçada na área. A Raposa, por sua vez, não se limitava a defender, Kaiki assustou com um cruzamento perigoso, mostrando que o contra-ataque mineiro continuava letal.
Com o relógio avançando, o jogo ganhou contornos dramáticos. Aos 8 minutos, o goleiro Matheus Cunha acabou advertido com um cartão amarelo por retardar o jogo, um sinal claro de que o Cruzeiro valorizava cada segundo da vantagem.
O Remo teve sua melhor chance de empate aos 11 minutos, quando Mayk cruzou e a bola atravessou toda a extensão da área, quase encontrando Pikachu na segunda trave. A resposta cruzeirense veio com Lucas Romero e, principalmente, com o autor do gol, Arroyo, que aos 26 minutos obrigou Rangel a realizar mais uma defesa difícil após jogada individual.
Nos minutos finais, o técnico da Raposa oxigenou o time com as entradas de Matheus Henrique e Chico da Costa, tentando manter a posse de bola. O Remo, desesperado, tentava chegar ao gol de qualquer maneira, mas a falta de qualidade nas finalizações era evidente.
Alef Manga arriscou de longe, sem sucesso, e João Pedro desperdiçou uma oportunidade clara, mandando para fora após um cabeceio de Marcelinho. No último suspiro, João Marcelo ainda cortou um cruzamento perigoso antes que a bola chegasse aos atacantes remistas, selando a vitória magra, porém fundamental, do Cruzeiro em solo paraense.
Seguimos com a terceira vitória seguida, e um Cruzeiro que vem evoluindo a cada jogo. Só podemos agradecer aos deuses do futebol por esse milagre.
Próximo jogo
Vem aí mais um desafio daqueles que fazem o coração bater mais forte. O Cruzeiro entra em campo na próxima terça-feira, dia 28 de abril, às 21h30, para encarar o tradicional Boca Juniors, em confronto válido pela Copa Libertadores da América.
A partida será disputada no gigante Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, palco de grandes noites e que promete pulsar com a força da torcida cruzeirense. É jogo de peso, de história e de olho na classificação na fase de grupos.
Com a camisa estrelada e o apoio vindo das arquibancadas, o Cabuloso, vai em busca de mais um resultado importante diante de um adversário tradicional do continente. É noite de Libertadores e isso, por si só, já diz tudo.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.