O gigante volta frio para o Brasil


Cruzeiro estreia com vitória na Libertadores e Matheus Pereira decide

Na noite desta terça-feira (7), o Cruzeiro estreou na Libertadores após anos de ausência, não disputava a competição desde 2019 e venceu o Barcelona de Guayaquil por 1 a 0, com gol do nosso gelado Matheus Pereira.

A vitória tem um peso enorme para a Nação Azul, que vem sofrendo com um início de temporada de altos e baixos do Cabuloso. Começar a Libertadores com triunfo reforça a grandeza do clube e traz a confiança necessária para a sequência da caminhada em 2026.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Primeiro tempo: Entre a Posse e a Hesitação

Ao dar o pontapé inicial em seu primeiro desafio na Libertadores de 2026, o Cruzeiro entrou em campo com uma missão clara: conquistar a vitória, resgatar a confiança e, finalmente, encantar sua torcida. As novidades da escalação foram Lucas Silva e Fagner, que carregavam a esperança de serem os amuletos necessários para uma estreia triunfal.

O jogo começou com o Cabuloso trocando passes e estudando espaços. No entanto, o Barcelona não tardou a impor uma pressão sufocante. Aquela pressão inicial dos mandantes tornou-se pesadelo do torcedor Celeste nós minutos iniciais, a defesa deixou de ser o pilar de segurança do time, por apresentar instabilidade preocupante, expondo fragilidades que o adversário tentava explorar a todo custo.

Após suportar a pressão inicial, o Cruzeiro conseguiu colocar a bola no chão. O time passou a ditar o ritmo, buscando o espaço ideal para ferir o adversário.

Aos 16 minutos, a criatividade deu as caras: Kaio Jorge recebeu na área, limpou para a direita e serviu Arroyo. O meia superou a marcação, mas, na hora da finalização, o cruzamento saiu mascado, facilitando a vida do goleiro adversário.

O time mineiro demonstrava iniciativa, mas pecava cruelmente no último toque. Até mesmo nosso artilheiro KJ, teve a chance de ouro nos pés, mas a finalização teimou em não encontrar o caminho das redes.

Aos 29 minutos, o coração do torcedor parou por um segundo. O Cabuloso levou um susto enorme em um contra-ataque rápido, mas Mateus Cunha operou uma defesa espetacular, mantendo o zero no placar, apesar que a jogada estava com impedimento.

A partir dali, a Raposa assumiu o controle da partida. A posse de bola era azul, mas faltava o entrosamento e a pressão para impor o ritmo. O time dominava, mas era uma superioridade burocrática, faltava agressividade, profundidade e aquela verticalidade que assusta defesas bem postadas. Sobrava passe, mas faltava o diferencial qualitativo para transformar o volume de jogo em vantagem real.

Os três minutos de acréscimo não alteraram o jogo. O confronto seguiu morno, arrastado e carente de criatividade. O que se viu em campo foi um Cruzeiro que detinha a bola, mas parecia ter esquecido a garra e a fome de gol necessárias para uma noite de Libertadores.

O apito do árbitro para o intervalo deixou no ar a sensação de que o potencial estava lá, mas a alma do time ainda não tinha despertado. Para o segundo tempo, 0 a 0 poderia virar gol a qualquer momento para ambas as equipes.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Segundo tempo: Despertar no Equador

Para a etapa final, o time mineiro retornou do vestiário sem alterações, mas com uma postura renovada. O Cruzeiro tomou as rédeas da posse de bola, subindo as linhas para pressionar os equatorianos em busca do gol que traria a tão desejada tranquilidade em solo estrangeiro.

A insistência do Cabuloso não demorou a dar frutos. Aos 8 minutos, o talento apareceu: Matheus Pereira, fazendo jus à sua fama de “gelado”, balançou o gol em sua estreia na Libertadores. O gol não apenas abriu o placar, mas pareceu injetar a dose de confiança e criatividade que faltava ao elenco para dominar a partida.

O Barcelona respondeu de imediato e quase arrancou o empate em um lance de perigo, que para a sorte mineira, terminou com a bola raspando a trave. Naquele momento, ficou claro que a concentração teria que ser absoluta para não deixar a vitória escapar.

Com o jogo intenso e as divididas cada vez mais ríspidas , como no lance em que Gerson precisou de atendimento após uma queda dura, o técnico decidiu renovar o fôlego da equipe. Wanderson entrou no lugar de Arroyo, que estava abaixo do esperado e sem a explosão habitual. E Matheus Henrique substituiu Gerson, trazendo novo vigor ao meio-campo para sustentar a reta final.

O Cruzeiro teve a chance de ouro para liquidar a fatura após uma jogada de cinema: Christian serviu Kaiki com um passe de calcanhar primoroso; o lateral cruzou na medida para Kaio Jorge que, mesmo cara a cara com o gol, acabou desperdiçando.

A falha na finalização custou caro aos nervos da torcida. Aos 41 minutos, o drama se intensificou quando Parrales testou firme após um cruzamento perigoso. No entanto, Matheus Cunha estava lá, seguro e bem posicionado, para agarrar a bola e não dar chances ao rebote.

Nos minutos finais, o Barcelona cresceu, empurrado pelo desespero e pelos escanteios consecutivos que mantiveram a bola viva na área celeste. O Cruzeiro, por sua vez, demonstrou uma maturidade defensiva que não havia mostrado no início do jogo. Cada corte e cada interceptação eram celebrados como gols. Por fim, Chico da Costa ainda teve a oportunidade de ampliar nos acréscimos, mas errou a pontaria.

Apesar disso, o apito final selou o destino, o Cruzeiro venceu por 1 a 0. A vitória magra, mas gigantesca, representou a primeira vitória fora de casa e a base de confiança necessária para a caminhada rumo à Glória Eterna em 2026.

Próximo jogo

A equipe Celeste recebe o Red Bull Bragantino no domingo (12/04), às 18h30, no Mineirão, em Belo Horizonte. Jogando diante da sua torcida, o Cabuloso busca manter o embalo e somar pontos importantes na competição nacional, em um confronto que promete ser equilibrado diante de um adversário competitivo.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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