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No primeiro encontro entre dois continentes, dessa vez, deu Arsenal


Gunners confirmam vaga na final do Mundial de Clubes com goleada em cima das Black Devils

Na tarde desta quarta-feira (28), as mulheres de Islington entraram em campo para decidir a semifinal da Copa das Campeãs da FIFA contra o AS FAR, do Marrocos. O jogo aconteceu no Gtech Community Stadium, casa do Brentford no condado de mesmo nome, e rendeu um sonoro 6×0 para as mandantes. As comandadas por Renée Slegers entraram com o objetivo de mostrar que seu futebol não é só o melhor da Europa, mas, também, o melhor do mundo. 

Crédito: Alex Bustow

Para entender o verdadeiro atropelo que foi este jogo, talvez seja interessante compreender de antemão que esta foi a primeira vez que um clube africano enfrentou um clube europeu em um contexto competitivo. E, mesmo que o placar sugira o contrário, as Black Devils são uma absoluta potência na região conhecida como MENA – que se estende do Oriente Médio até o Norte da África. Chegar a uma semifinal de Mundial, depois de bater o organizadíssimo Wuhan da China diz muito mais do que uma goleada sofrida contra o atual campeão da Europa. 

O primeiro lance com bola no pé significou cruzar fronteiras que as levaram longe, mas não longe o suficiente. Porque uma semifinal não é o bastante. Ser subjugada pelo continente de onde você vem não é o bastante. As comandadas de Mohamed Amine Alioua serem lembradas apenas como semifinalistas não é o bastante e é por isso que isso é só o começo. Assim como seus 12 títulos de Campeonato Marroquino, as 12 Copas do Marrocos, as três taças da UNAF e as duas Ligas Africanas são apenas o começo. 

Um time que é 90% composto de mulheres marroquinas foi até Londres e jogou 90 minutos sem recuar, sem cair, sem acreditar por nenhum momento que o jogo estava perdido. E, mesmo depois do apito final, diante daquela goleada, elas continuaram de cabeça erguida diante das oponentes porque é isso que faz quem sabe que está batalhando por coisas muito maiores. Eventualmente, o título vai para a África, talvez até para Marrocos, mas, no momento, que bom que elas estão indo até o título. 

Agora, focando no jogo, o primeiro tempo começou intenso e de muito trabalho para as Gunners. O tipo atacava pelo alto e controlava completamente a ofensividade da partida, sem precisar abrir mão da posse de bola para encontrar espaços. Não demorou muito para que a boca da área das Black Devils virasse lugar de troca de passes frequentes das mandantes. 

Aos 10 minutos, a brincadeira ficou séria quando, em uma bola parada, a pelota acabou com Laia Codina no segundo pau. A volante escorou para o meio a tempo de deixar a assistência para que Stina Blackstenius abrisse o placar. Dois minutos depois, levando a bola pela avenida aberta do lado direito, Olivia Smith mostrou que a bola áerea realmente estava em dia e mandou direto para que a meio-campista norueguesa Frida Maanum ampliasse. 

Infelizmente, para as meninas do AS FAR, tem dia que é noite na vida de muita gente e, ainda se defendendo dos shoots constantes das Gunners, a defensora Redounai, camisa 2 das Black Devlis, acabou desviando a bola com a mão ao bloquear o chute da lateral Holmberg dentro da área. A camisa 8, Mariona Caldentey, deu dois passos para deslocar a goleira Er Rmichi só o suficiente para estufar as redes em uma bela cobrança. 

Os primeiros 45’ ainda foram o suficiente para marcar o quarto quatro minutos antes do final da etapa inicial. Aqui mais uma vez tivemos a participação de Olivia Smith, mas agora finalizando na meta. Pelova lançou Smith em velocidade quase do centro do campo. A camisa 15 dominou a bola e limpou o lance enquanto estava cercada por quatro adversárias e, mesmo antes de entrar na área, mandou a bola direto para para o gol, finalizando o primeiro tempo em 4×0. 

Se poupando no segundo tempo, as Gunners abriram mão da posse de bola, apostando em um volume ofensivo mais modesto, arrancando em contra-ataques mais inteligentes. Além disso, logo nos primeiros 15 minutos de etapa complementar, o Arsenal promoveu quatro mudanças, uma delas sendo a entrada de uma das lideranças do grupo: Alessia Russo. 

Assim, bastante versáteis, as mulheres de Islington demoraram 6 minutos desde a entrada da camisa 23 para deixar o quinto. Aos 21’ do segundo tempo, Maanum trabalhou a bola invadindo a área e teve a finalização bloqueada por Er Rmichi, que acabou permitindo o rebote. Alessia dominou rapidamente e mandou direto para dentro da meta. A atacante inglesa voltou a balançar as redes 10 minutos depois quando recebeu a bola em velocidade pela esquerda e invadiu a área colecionando defensoras em sua cola. Finalização para um lado, goleira para o outro, mesmo com a pelota rolando. 

É importante destacar que o segundo tempo teve uma participação bem interessante das jogadoras de ataque do AS FAR, que aproveitaram o jogo mais aberto do Arsenal para atacar espaços e dar o seu cartão de visitas em roubadas de bola que contrariam todos os comentaristas ignorantes que resumem o futebol africano a jogo físico. 

Crédito: Agência Senegalesa de Imprensa

As Black Devils voltam a campo, desta vez no Emirates Stadium, no Norte de Londres, neste domingo (1), para a disputa do terceiro lugar contra o Gotham FC, que perdeu na semifinal para as Brabas por 1×0. O jogo ocorre às 11h45, horário de Brasília. Pois é, Bats, tirar foto do lado de troféu não garante nada, né?

E, mais tarde, no mesmo dia e no mesmo local, a bola rola às 15h, horário de Brasília, para Arsenal e Corinthians, na decisão de quem leva a primeira taça copa das Campeãs da FIFA

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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