Oportunidade desperdiçada


Naquela noite, o Grêmio não perdeu apenas três pontos. Deixou escapar mais uma chance de reagir no Campeonato Brasileiro

Foto Lucas Uebel Grêmio FBPA

Naquela noite, no Rio de Janeiro, o Grêmio não perdeu apenas três pontos. Perdeu mais uma oportunidade de mudar o rumo da própria história no Campeonato Brasileiro.

Na quarta-feira (16), no Estádio Nilton Santos, o Tricolor foi derrotado pelo Botafogo por 3 a 2, em partida atrasada da 21ª rodada. Jovane Cabral e Gustavo Martins marcaram para o Imortal. Danilo Oliveira, duas vezes, e Álvaro Monteiro fizeram os gols da equipe carioca. O Grêmio ainda balançou as redes em outra oportunidade, mas o lance foi anulado após revisão do VAR.

Nem a presença de dois dos maiores ídolos da história gremista conseguiu mudar um roteiro que insiste em se repetir. À beira do campo estava Luiz Felipe Scolari. Renato Portaluppi acompanhava de perto a equipe que voltará a comandar.

Felipão e Renato representam algumas das páginas mais importantes da história do clube. Carregam títulos, identificação e o respeito da torcida. Mas ídolos não entram em campo. E o peso da camisa, por maior que seja, não vence partidas sozinho.

No Nilton Santos, o Grêmio lutou. Marcou duas vezes, tentou reagir e permaneceu vivo até os últimos minutos. Ainda assim, voltou a apresentar falhas que custaram caro. Quando precisava de segurança, sofreu. Quando encontrou espaço para buscar o resultado, não conseguiu aproveitar. Ao final, voltou para casa sem nenhum ponto na bagagem.

A derrota escancara um problema que já deixou de ser passageiro. Longe da Arena, o Tricolor não consegue vencer e confirma a pior campanha como visitante do Campeonato Brasileiro. A esperança embarca com o time em cada viagem. No apito final, porém, fica novamente a sensação de que sempre falta alguma coisa.

Falta equilíbrio. Falta confiança. Falta transformar esforço em resultado.

O torcedor gremista conhece viradas improváveis. Aprendeu, ao longo da história, a acreditar até o último instante. Mas acreditar não significa fechar os olhos para a realidade. O Grêmio precisa reagir enquanto ainda há tempo.

Renato retorna cercado pela confiança de uma torcida que conhece sua capacidade de reconstruir ambientes e recuperar equipes. Desta vez, encontrará um grupo pressionado, vulnerável e que precisa reaprender a vencer.

Não basta mudar o comando. Será necessário mudar a postura, corrigir os erros e devolver ao time a confiança que parece ter ficado pelo caminho. A camisa continua pesada. A torcida ainda acredita. Mas as oportunidades estão diminuindo a cada rodada.

Naquela noite, o Grêmio esteve perto de reagir. Lutou, marcou e tentou. Mas voltou a perder.

Do jeito que está, parece que somente um milagre poderá mudar o destino gremista.

E até os milagres precisam começar com uma vitória.

Por Marcy Dutra

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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