Em noite de malhar judas, Glorioso empata em 0 a 0 com o Palmeiras e presenteia rival com a liderança
Botafogo e Palmeiras não saíram do zero a zero na noite deste domingo (6), no Estádio Nilton Santos, na 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. A postura combativa e a solidez inabalável da nossa retaguarda soube suportar os momentos de pressão e anular completamente os pontos fortes do adversário. Mais do que somar um ponto diante do até então líder do campeonato, o time mostrou a consistência tática e o espírito de luta necessários para garantir tranquilidade e estabilidade ao Botafogo na sequência da temporada.
O empate manteve o Glorioso na 13ª colocação, agora com 31 pontos, sustentando seis de vantagem para o Z4 e afastando o risco imediato de crise. Além de frustrar os planos dos paulistas — que perderam a liderança isolada —, o time encarou de cabeça erguida um ambiente elétrico no Niltão, marcado pela cobrança contundente das arquibancadas à traição dos ex-jogadores e por um apoio que sustentou o elenco até o apito final. A resposta em campo mostrou que a tempestade mais forte já passou e que a equipe tem plenas condições de respirar aliviada nas próximas rodadas.

Primeiro tempo
O jogo começou em ritmo acelerado, com o Glorioso tentando se impor logo cedo. Aos 3’, Montoro começou já querendo jogo: o meia argentino descolou um belo passe para Arthur Cabral, a bola acabou rebatida e voltou limpa nos seus pés para um chutaço de fora da área, exigindo que o goleiro Carlos Miguel se esticasse todo para salvar o Palmeiras. O início animou a galera, mas aos poucos o time visitante equilibrou as ações no terço central.
A tensão do reencontro logo veio à tona. Aos 18’, Huguinho pegou uma bola sobrando na intermediária e já ia se atirando com autoridade para o ataque quando Barboza chegou atrasado, dando um carrinho por trás para parar a jogada e receber o cartão amarelo. Teve flashbacks com o ex-zagueirão levando cartão na ex-casa, torcedor?
Aos 22’, Flaco López fez uma tabela rápida e disparou em velocidade até a linha de fundo, mas não alcançou a redonda, que se perdeu em tiro de meta. O goleiro Gabriel Batista, que apenas fazia a proteção da jogada, recebeu um EMPURRÃO desnecessário e covarde de Flaco já completamente fora do campo. Uma atitude digna de cartão amarelo, mas o juiz fingiu costume e achou o lance absolutamente normal.
Aos 24’, veio a maior chiadeira paulista. Maurício deu passe para Andreas Pereira, que infiltrava em velocidade pelo meio. Na meia-lua, Marçal chegou no combate e pisou no pé do meia adversário. Falta perigosa e cartão amarelo para o nosso capitão. A polêmica explodiu com o banco alviverde exigindo expulsão direta, alegando se tratar de lance de último homem. Acontece que Ferraresi vinha voando na cobertura logo ao lado esquerdo da jogada, em condições totais de desarme. A arbitragem apenas optou por manter o amarelo.
Passado o susto da cobrança de falta, aos 28’, o Botafogo tramou o seu grande contragolpe. Danilo Baiano e Danilo Pereira dispararam pela esquerda; Danilo Baiano acertou um passe precioso por dentro para Montoro, que enxergou a linha de defesa se desmanchando e lançou um bolão milimétrico, por baixo, para Lucas Villalba. O ponta invadiu a área, ficou cara a cara com Carlos Miguel e ERRA O CHUTEEEEEE, mandando para fora! O tipo de lance claro que custa caríssimo.
Nos minutos finais, o Palmeiras viveu o seu melhor momento, empurrando a nossa equipe para trás e rondando a área, mas esbarrou categoricamente na mais nova duplinha Ferraresi & Monzón e nas intervenções precisas de Gabriel Batista.
Segundo tempo
Aos 48’, Lucas Evangelista pisou no pé do onipresente Huguinho e tomou o amarelo na hora. A falta era distante e, como ainda estamos sem Alex Telles e o repatriado Matheus Martins para cobrar com excelência, coube a Danilo Baiano alçar a bola na bagunça; houve desvio no primeiro pau, mas ela viajou amortecida direto para as luvas de Carlos Miguel.
O Fogão insistiu: aos 50’, Montoro descolou mais um ótimo lançamento para Villalba, que dominou, passou pela marcação de Danilo Pereira e encontrou Danilo Baiano entrando na área, que não dominou legal e Barboza conseguiu travar no corte.
Seis minutos depois, veio a consagração debaixo das traves. Aos 56’, presenciamos uma daquelas atuações gigantescas que há muito tempo não víamos: QUE DEFESAÇA DO GABRIEL BATISTA! Giay descolou o cruzamento na segunda trave, Piquerez amorteceu e levantou com açúcar bem na boca do gol. Mauricio emendou uma cabeçada, à queima-roupa, com endereço certo, mas Gabriel Batista voou no puro reflexo para salvar a nossa meta e manter o placar zerado. Um verdadeiro milagre de quem honrou a camisa alvinegra!
Sentindo o cansaço dos atletas, o comando técnico agiu. Aos 78’, tivemos as tradicionais substituições à la Rodrigo Bellão: Montoro e Danilo deixaram o gramado para as entradas de Edenílson e Cristian Medina. O Botafogo perdeu o refino na armação, mas fechou os espaços e amarrou as investidas rivais na intermediária.
Quando o adversário tentou o abafa final, encontrou um paredão venezuelano. Aos 90’+2, novo cruzamento na segunda trave, Piquerez ajeitou para Flaco López e FERRARESI SALVOU de maneira providencial. Não muito tempo depois, Vitor Roque tentou arrancar pela ponta esquerda, mas FER-RA-RE-SI botou o Tigrinho na roda, tomou a frente do corpo e fechou a porta com soberania absoluta.
Para fechar a noite com chave de ouro, aos 90’+3, nos últimos segundos de partida, Barboza não aguentou se aguentou de saudade e levou o cartão vermelho para relembrar os velhos tempos! Depois de uma cobrança de tiro livre de Gabriel Batista, o zagueiro foi disputar pelo alto com Kadir e acabou acertando uma cotovelada violenta na joia do bairro no meio do processo. Segundo amarelo justíssimo e rua para o argentino!
FIM DE JOGO! Para quem esperava entretenimento de brigas e pancadaria nas quatro linhas, nada de cenas lamentáveis dessa vez. No encerramento da partida, o clima entre os atletas do Botafogo e os antigos companheiros de elenco foi bastante caloroso e fraterno. A gringada sente falta do mestre, convenhamos.

O copo meio cheio
É evidente que, olhando a pontuação, o empate não nos serve de muita coisa para dar um salto espetacular na tabela. Entretanto, podemos pensar pelo lado positivo: o Botafogo acabou de sobreviver à pior sequência do returno, tendo enfrentado em sequência o G3 do campeonato — Athletico Paranaense, Flamengo e Palmeiras. Esse ciclo pesado ficou para trás. Agora, a tabela reserva adversários bem mais acessíveis e confrontos que estão perfeitamente à nossa altura.
Pensando positivamente, a atuação defensiva foi uma vitória por si só. Nahuel Ferraresi e Lucas Monzón foram muito bem, muito bem mesmo! Uma partida impecável, de antecipação e dominância nos duelos físicos. Se a zaga continuar atuando nesse padrão, não tem erro para a estabilidade da equipe. Mérito de Rodrigo Bellão, que entendeu a tempo que este confronto caloroso não era para a joia Gabriel Justino. A leitura de colocar Monzón para elevar a estatura e sustentar a saída com um zagueiro canhoto foi cirúrgica. No mesmo sentido, Vitinho esteve muito melhor atuando resguardado na defensiva, protegendo o corredor com disciplina em vez de se perder quando tenta avançar desordenado ao ataque.
No meio-campo, Huguinho entregou uma autêntica masterclass. Aos 19 anos, o garoto dominou os combates com lucidez, desarmou e ditou o tempo com a maturidade de quem joga como gente grande. Presente nos camarotes do Niltão, Carlo Ancelotti estava de olho aberto nas opções brasileiras. Que o italiano tenha olhado Huguinho com bastante carinho, pois bola e personalidade o volante provou que tem de sobra.
O contraste, contudo, esteve do meio para a frente. Montoro foi muito bem, como sempre, encontrando brechas raras e distribuindo passes com inteligência. Mas o ataque simplesmente não correspondeu. Com Lucas Villalba na frente, não dá para contar muito: sobra raça, mas falta raciocínio. Ele corre por três, se mata pelos lados, mas na hora de decidir, não tem o cacoete do artilheiro e perdeu um gol inacreditável.
Para completar o cenário morno do ataque, os dois Danilos — Danilo Baiano no meio e Danilo Pereira na ponta — estiveram apagadinhos durante os noventa minutos, com pouca contundência para quebrar as linhas do adversário.
De olho no calendário
Agora, com o calendário espaçado onde parece que jogamos uma vez a cada década, o Botafogo ganha uma semana inteira de trabalho para descansar e recarregar as energias. O Glorioso volta a campo somente no próximo sábado (12), às 20h30, para encarar o Red Bull Bragantino novamente no Estádio Nilton Santos — aquele tipo de compromisso perfeito para fazermos valer o mando de campo e aplicarmos uma vitória protocolar.
O elenco terá baixas forçadas para a 27ª rodada: Arthur Cabral e Marçal foram advertidos com o terceiro cartão amarelo e cumprirão suspensão automática. Em contrapartida, as ausências abrem espaço para um momento aguardadíssimo pela torcida alvinegra. Sem Arthur Cabral, poderemos testemunhar a reestreia de Tiquinho Soares no comando do setor ofensivo. Além disso, a expectativa gira em torno da estreia do zagueiro Arthur Chaves e da integração de simplesmente Hakim Ziyech ao elenco!
Calma, torcedor! O pior momento do returno passou e ainda há muito tempo para sonhar com uma reta final de temporada tranquila.
Por Adrielle Almeida | 07/09/2026 03h52
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