Todo mundo em pânico: estrelando América 2026


Sem surpresa para o torcedor americano, Coelho perde por 3 a 0 para o Sport, chega à quarta derrota seguida e se afunda ainda mais na zona de rebaixamento da Série B

Nação americana, admito: já me faltam palavras para escrever sobre esse clube. E isso talvez seja uma das coisas mais assustadoras dessa temporada, porque nunca antes me aconteceu. Sempre existiu alguma raiva para transformar em texto, alguma esperança para defender, alguma crítica nova para fazer. Agora parece que estamos apenas repetindo, rodada após rodada, o mesmo roteiro de um filme de terror que ninguém pediu para assistir.

Na noite desta segunda-feira, 24 de agosto, uma bela oportunidade para o América Futebol Clube acabar com a semana do seu torcedor antes mesmo de ela começar, o Coelho voltou da Ilha do Retiro sem nenhum ponto, derrotado pelo Sport por 3 a 0 e carregando na bagagem mais frustração, mais reclamação e menos perspectiva.

Foto:Marlon Costa/AGIF

E não precisa nem ficar surpreso. O Sport confirmou o favoritismo, venceu com naturalidade e entrou no G-6 da Série B. O América, por outro lado, chegou à quarta derrota consecutiva, permanece na penúltima colocação, com apenas 11 pontos, e já está a 18 do primeiro clube fora da zona de rebaixamento, conforme destacou a ESPN na cobertura da partida.

Mas não se preocupe, torcedor. Afinal, Marcus Salum já disse que esse era o melhor projeto para o clube. E, para completar o combo do desespero, teremos ainda uma reunião do Conselho nesta semana. Então provavelmente veremos novamente a discussão sobre SAF ocupar todos os espaços enquanto tentamos entender como um clube que viveu Série A, Libertadores e Sul-Americana em um passado tão recente conseguiu chegar nesse estado.

E é justamente isso que me incomoda quando a SAF aparece como solução mágica para todos os problemas. O debate pode e deve existir, mas ele não pode virar cortina de fumaça para esconder os erros de quem conduziu o clube até aqui. Porque antes de discutir quem vai comprar, vender ou administrar o América no futuro, alguém precisa responder o que foi feito com o América do presente.

Eu poderia vir aqui dizer que, tirando o resultado, o jogo não foi tão ruim. E, de fato, não foi durante boa parte do tempo. Guilherme Parede teve bons momentos, Ricardo Silva fez uma partida razoável apesar da falha no segundo gol do Sport, e o América chegou a criar chances para alterar o rumo da partida.

Logo no início, Willian Bigode aproveitou um erro da defesa adversária e obrigou Thiago Couto a fazer boa defesa. O problema é que, aos 12 minutos, Claudinho recebeu dentro da área e abriu o placar para o Sport. O América ainda respondeu, especialmente com Guilherme Parede, mas novamente esbarrou naquilo que virou uma marca deste time: cria alguma coisa, ameaça reagir e não transforma nada em resultado.

Nos acréscimos do primeiro tempo, Ricardo Silva errou ao tentar afastar a bola, Juan Alano aproveitou e serviu Clayson, que marcou o segundo gol. Foi mais um daqueles lances que resumem bem essa temporada: quando parece que o time pode respirar, aparece um erro individual para tornar a situação ainda pior.

No segundo tempo, o América voltou tentando reagir. Guilherme Parede acertou o travessão e, pouco depois, Kayky Almeida marcou contra. Por alguns segundos, talvez tenha surgido aquela vontade quase irracional de acreditar que alguma coisa poderia mudar.

Mas o VAR apareceu. O gol foi anulado porque Ricardo Silva, em posição de impedimento, teria interferido na jogada. E seguimos no mesmo lugar.

Já nos acréscimos, quando o jogo praticamente tinha acabado, Dudu Teodora finalizou e a bola bateu no braço de Rafa Barcelos dentro da área. Após revisão, o árbitro marcou pênalti, e Perotti converteu para fechar o 3 a 0. Talvez até tenha sido um placar pesado pelo que aconteceu durante os 90 minutos, mas, olhando para o campeonato, parece quase adequado ao tamanho da nossa tragédia.

E talvez seja exatamente isso que dificulte falar apenas sobre futebol neste momento.

Não temos perspectiva.

Não temos técnico.

Não temos confiança.

Não temos qualquer segurança sobre qual é o plano para tirar o clube dessa situação.

É quase como viver um luto esportivo. E não digo isso como exagero. Tudo o que vivo no futebol passa pelo América. Minha rotina de jogos, meus textos, minhas amizades, minhas alegrias e minhas raivas passam por esse clube. E assistir ao que está acontecendo hoje traz uma sensação real de perda, como se estivéssemos acompanhando lentamente o desmonte de algo que levamos anos para construir.

A Série C, isoladamente, não seria nem a pior parte dessa história. O América já esteve lá. O problema é olhar para o caminho percorrido até aqui. É lembrar da Série A, da Libertadores, da Sul-Americana, de um clube que parecia finalmente ter encontrado uma estrutura capaz de mantê-lo em outro patamar e perceber que, poucos anos depois, estamos discutindo não se vamos cair, mas como chegamos a uma situação em que a queda parece cada vez mais inevitável.

É desesperador.

E acho que muitos torcedores chegaram a um estágio de apatia. Existe raiva, claro, mas existe principalmente medo. Medo do que ainda pode piorar. Medo de descobrir que o fundo do poço ainda tem mais alguns andares. Medo de que essa crise não termine simplesmente com o rebaixamento.

Eu gostaria de conseguir terminar este texto com alguma frase de esperança. Dizer que ainda existem rodadas, que matematicamente é possível, que uma sequência de vitórias mudaria tudo.

Mas eu mesma já não acredito nesse discurso.

Então escrevo para os outros americanos que, assim como eu, estão tentando encontrar no próximo jogo, no próximo ano ou em qualquer horizonte possível algum motivo para imaginar que dias melhores possam voltar.

Não porque exista hoje uma perspectiva concreta para isso.

Mas porque abandonar essa barca nunca pareceu realmente uma opção.

No próximo domingo, dia 30, às 16h, o América recebe a Ponte Preta. Será o duelo dos desesperados, com duas equipes mergulhadas na parte de baixo da tabela e tratando cada ponto como questão de sobrevivência. A partida acontece no Independência e terá transmissão pelo pacote premium do Disney+, conforme programação divulgada pela ESPN.

Talvez a gente ganhe.

Talvez aconteça outro desastre.

A única certeza de 2026 é que estaremos lá novamente.

Porque, no fim, os personagens mudam, os técnicos mudam, os jogadores mudam, os dirigentes seguem discutindo soluções e a torcida continua sendo obrigada a assistir.

Todo mundo em pânico.

Estrelando América Futebol Clube.

Por Laura Assis Ferreira

*Os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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