Glorioso vence peruanos por 1 a 0 no Nilton Santos com gol de Danilo Pereira, mas cai no placar agregado por 6 a 2 após arbitragem vergonhosa conduzir o confronto
O Botafogo venceu o Cienciano por 1 a 0 na noite desta quinta-feira (20), no Estádio Nilton Santos, mas acabou eliminado nas oitavas de final da Copa Sul-Americana com o placar acumulado de 6 a 2. A partida não foi marcada apenas pela tentativa de virada, mas também pelo desastroso papel de uma arbitragem sem critério que roubou do Alvinegro qualquer chance de competir com dignidade.
A característica de entrega e indignação vista em campo, apesar do apito contra, marca a equipe de forma definitiva: mesmo que a torcida tenha feito sua parte e abraçado o time na mobilização da #RemontadaAlvinegra, não foi dessa vez. A postura guerreira, contudo, precisa servir de combustível para a sequência do Botafogo na temporada.
Com o adeus à competição continental, restou ao Glorioso canalizar todas as suas forças única e exclusivamente para o Campeonato Brasileiro. O resultado traz um peso inevitável de frustração, elevando a pressão sobre o elenco para uma resposta imediata na tabela da Série A. Contudo, a atmosfera vivida no Nilton Santos provou que a torcida está fechada com o clube.
Agora sobram apenas as rodadas do Brasileirão, onde o Botafogo tem a obrigação de transformar a revolta desta noite em arrancada para garantir uma vaga direta na Libertadores chegando no G5.

A crônica de um massacre apitado
Empurrado pelo grito da torcida no Nilton Santos, o Botafogo começou impondo um ritmo avassalador. Aos 7′, Montoro sofre falta, bate super rápido para Danilo Pereira no ataque, que ganha a corrida dos zagueiros e faz o primeiro goooooool!O gol da esperança alvinegra incendiou as arquibancadas, mas mal sabíamos o que estava por vir.
Aos 23′, veio o lance inacreditável: Arthur Cabral fura o chute com a bola quase dentro do gol após passe de cobertura de Danilo. Não existe sua equipe precisar de 5 gols e perder um gol desses na pequena área.
O time continuava em cima e, aos 36′, saiu mais um gol de Danilo, mas pega na mão dele. O juiz vai ao VAR e, como não há critério, o gol foi anulado em menos de um minuto, enquanto na última semana o VAR demorou 5 minutos para revisar e ainda validar o gol de mão do Cienciano lá em Cusco.
A deslealdade atingiu o pico no final do primeiro tempo. Aos 46′, em lance de impedimento do Cienciano: Gerson Barreto tentou um passe em profundidade que encontrou Alejandro Hohberg em posição irregular. Nosso goleiro Warleson, que não podia pagar pra ver a decisão do bandeirinha, naturalmente saiu para agarrar a bola. Na dividida, o Hohberg levanta o pé de forma desleal e acerta o queixo do goleiro com a chuteira. Warleson precisou ser substituído aos 45+5′, pois o corte foi muito profundo e não parava de sangrar. Nosso goleiro levou 15 pontos no queixo, mas um cartão amarelo sequer foi levantado.
Na etapa final, o assalto virou deboche. Aos 49′, Telles sofre o pênalti claríssimo, o juiz marca com convicção. Aos 51′, o VAR chama para revisar uma falta do Vitinho no lance anterior. Um lance normal de jogo, mas tá aí o resultado: anulado. Depois daí, o Botafogo aceitou que estava disputando contra o Boca em La Bombonera e praticamente abandonou o jogo.
Aos 55′, a cena mais ridícula da noite: o juiz decide dar o segundo cartão para o camisa 5 do Cienciano (Arias), mas lembra que ele já está amarelado e DESISTE. O Cienciano, percebendo o jogo, distribuiu pancadas e entradas que sequer foram marcadas faltas, com o Botafogo já entregue. Qualquer um desanima com a arbitragem contra.
Para fechar o espetáculo de horrores, o juiz conseguiu mostrar sua burrice total dando +7 minutos de acréscimos, num jogo de clima totalmente quente e placar já definido. Resultado: Ferraresi se exalta e dá uma entrada perigosa em Ademar Robles aos 90+6′, levando o cartão vermelho. E quando o juiz finalmente acerta uma decisão de cartão, o VAR chama para revisão e decide mudar o cartão para amarelo. Não dá para entender!
Como o jogo esquentou, ainda finalizamos com cenas lamentáveis, porque o técnico do Cienciano se achou no direito de denegrir o Glorioso na sua própria casa. Palmas para a arbitragem, que permitiu o jogo chegar neste nível!

Raio-X do elenco
Analisando a atuação da equipe, o Botafogo até começou bem a partida, mas precisava traduzir esse volume em gols, pecando demais nas muitas oportunidades perdidas. Individualmente, é nítido que vemos um Danilo ainda muito abaixo depois da Copa. Na lateral, Vitinho é ótimo defensivamente, mas ofensivamente é muito ruim e limita o apoio. Em contrapartida, Montoro esteve, como sempre, inspirado, ditando o ritmo da criação.
A grande pedra no sapato foi o setor ofensivo: Arthur Cabral lixo prejudicou demais a equipe, acumulando erros grotescos que dinamitaram as chances de reação. Por outro lado, Danilo Pereira, apesar de visivelmente fora de forma, parece ter técnica e é um sinal positivo para a sequência da temporada.
Por fim, se a ideia da GDA era efetivar o Bellão no comando técnico, a resposta já está clara: não precisa queimar o jovem treinador agora, que vem fazendo seu trabalho tranquilo na base. Precisamos de um técnico experiente e seguro.
Arbitragem desastrosa em nível continental
Independente do placar agregado ou dos próprios erros em campo, qualquer clube de futebol exige o mínimo de respeito e o direito sagrado de ter uma arbitragem justa e imparcial. O que se viu nestas oitavas de final não foi mero engano de interpretação, mas uma sucessão de falhas graves e sem critério técnico que comprometem a credibilidade da competição.
Primeiro, pela gritante disparidade de critérios no uso do VAR: no jogo de ida, em Cusco, a arbitragem levou cinco minutos para chancelar um gol de mão do Cienciano, mas no Rio de Janeiro não precisou de um minuto para anular o tento de Danilo sob pretexto idêntico.
Segundo, pela omissão absoluta quanto à integridade física dos atletas: deixar impune uma entrada com pé alto e sola da chuteira no queixo do goleiro Warleson — que resultou em 15 pontos de sutura e substituição forçada em jogada já paralisada por impedimento — expõe a incapacidade da equipe de arbitragem em impor a ordem e proteger os profissionais.
Por fim, a covardia regulamentar: o momento em que o árbitro coloca a mão no bolso para aplicar o segundo cartão amarelo em Santiago Arias e recua ao perceber que seria obrigado a expulsá-lo fere diretamente as regras do jogo e o espírito esportivo.
Esse amadorismo permissivo acaba com qualquer partida e demonstra que a Conmebol precisa reavaliar seus quadros, pois o direito de competir não pode ser decidido por omissão e incapacidade técnica.
Próximo jogo
Agora é foco total no Brasileirão, foco no G5 e esperar a chegada de um treinador seguro que consiga fazer esse calendário curto nos render bons momentos. Teremos uma sequência difícil no Campeonato e precisamos seguir de cabeça erguida.
O próximo compromisso do Glorioso já tem data marcada: será na segunda-feira, dia 24 de agosto de 2026, contra o Athletico Paranaense, no Estádio Nilton Santos. A revolta de hoje precisa ser a força de amanhã. Voltaremos mais fortes!
Por Adrielle Almeida | 21/08/2026
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.