Eliminação dolorosa e uma lição para o futuro


Cruzeiro luta, reage no Maracanã, mas perde por 2 a 1 para o Flamengo e dá adeus à Libertadores. Agora, a Raposa precisa transformar a frustração em aprendizado antes do próximo desafio: o clássico contra o Atlético pela Copa do Brasil.

A noite de quarta-feira (19) não foi feliz para o torcedor mineiro. O Cruzeiro enfrentou o Flamengo no Maracanã, pelo jogo de volta da Libertadores, e, para a nossa infelicidade, acabamos derrotados por 2 a 1, o que significou a eliminação no agregado por 3 a 2.

O duelo foi marcado por golaços rubro-negros. Arrascaeta abriu o placar com extrema categoria após a pressão do Fla no primeiro tempo. Na etapa final, Lucas Romero chegou a empatar, mas Samuel Lino marcou outro belo gol para garantir a vaga aos cariocas. A pressão foi imensa. O Cruzeiro demorou a se encontrar, não conseguia ficar com a bola nos pés e ainda viu Samuel Lino e Pedro quase ampliarem antes dos 15 minutos de jogo.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Quando pensamos no peso da nossa camisa, na qualidade do time e no potencial que tínhamos para vencer o Flamengo, é inevitável cair nos “e se”. E se tivéssemos começado o jogo com mais intensidade? E se a escalação fosse outra? E se tivéssemos jogado com mais raça? São tantos pensamentos sobre o que poderia ter sido feito para passarmos de fase. Fica também a lembrança do jogo em casa: se tivéssemos vencido lá, será que tudo teria mudado? Mas o futebol é assim cruel, e dessa vez o destino pesou contra, com direito à “lei do ex” e vitória do adversário.

Apesar da dor da derrota, o momento é de focar no futuro. Precisamos olhar para trás apenas para extrair lições e não cometer os mesmos erros. Entramos em campo muito devagar, recuados e respeitando demais o Flamengo. Quando a nossa intensidade finalmente resolveu aparecer, já era tarde, o time carioca já havia ganhado confiança jogando em casa.

É fundamental que os jogadores levem todos os aprendizados desse confronto de alto nível, especialmente pensando em futuros mata-matas. Afinal, nosso maior rival, o Atlético, será nosso adversário na Copa do Brasil, um clássico que envolve hegemonia no campeonato e, acima de tudo, a vaga para seguir vivo. Fica a lição: em mata-mata, intensidade, confiança e raça precisam estar presentes o tempo todo. Por outro lado, precisamos exaltar a atuação do goleiro Otávio. Mesmo com o revés, ele fez defesas importantíssimas, mostrando que sua confiança cresce e se fortalece a cada jogo.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Pensando no contexto geral, após uma eliminação dolorosa, é até difícil se expressar. A gente nunca quer perder um mata-mata, por mais que saiba que isso faz parte do esporte.

O Flamengo começou a partida com uma blitz no campo de ataque, encurralou o Cruzeiro e criou três ótimas chances para abrir o placar. Primeiro, Jorginho cruzou com precisão para Léo Ortiz, que mandou tirando tinta da trave. Depois, Samuel Lino arriscou da entrada da área, mas facilitou para a defesa. Logo em seguida, Pulgar aproveitou um erro na nossa saída de bola e acionou Pedro, que parou em uma defesa milagrosa do goleiro Otávio.

Aaos poucos, o Cruzeiro adiantou a marcação, aproveitou alguns erros de passes do adversário e encontrou espaços. O grande diferencial dos cariocas, no entanto, era a objetividade, voltando a ameaçar o Otávio aos 30 minutos com um chute perigoso de Pedro.

O Rubro-Negro seguiu com amplo domínio e desperdiçou novas oportunidades com Samuel Lino e Pedro. Aos poucos, o Cabuloso conseguiu conter o domínio dos donos da casa, apostando em contra-ataques, embora sofresse para passar do meio de campo, transformando o goleiro Rossi em um mero espectador.

Aos 34 minutos, o camisa 10 carregou da esquerda para o meio, tabelou com Pedro e chapou sem chances para Otávio. Atrás no placar, o Cruzeiro passou a buscar mais o ataque e abriu espaços na defesa, mas sem levar perigo real até o intervalo.

A volta para a etapa final começou quente. Logo aos dois minutos, após uma jogada confusa na área, Jorginho salvou um gol certo do Cruzeiro em cima da linha (lance revisado e confirmado pelo VAR). Mas a Raposa seguiu pressionando e, aos seis minutos, Lucas Romero acertou um chutaço de fora da área para superar Rossi e empatar a partida.

O Flamengo pareceu atordoado, e o Cruzeiro aproveitou para acelerar o ritmo. Gerson e Kaio Jorge finalizaram e aumentaram a apreensão da torcida rubro-negra presente no Maracanã, uma atuação cruzeirense que arrancou aplausos até do técnico adversário à beira do gramado.

Infelizmente, pouco depois, Arrascaeta acionou Pedro na entrada da área, e o camisa 9 deu outro toque magistral para Samuel Lino, que deixou William no chão e marcou o segundo dos cariocas, aos 16 minutos. Em seguida, Paquetá recebeu de Pedro e assustou novamente.

Nos minutos finais, o Cruzeiro pressionou bravamente pelo empate, enquanto o Fla apostava nos contra-ataques para matar o jogo. Na nossa melhor chance, Matheus Pereira recebeu de Kaio Jorge dentro da área, mas Pulgar fez um desvio providencial e a bola parou nas mãos de Rossi. Do outro lado, Evertton Araújo e Paquetá pararam em defesas seguras de Otávio. E vaga para próxima fase ficou com os Cariocas.

Próximo jogo

Depois de toda a carga emocional do meio de semana, é hora de virar a chave rapidamente e voltar as atenções para o Campeonato Brasileiro. No sábado (22), às 20h30, o Cruzeiro joga contra o Flamengo no Mineirão, pela 24ª rodada, em um confronto que promete parar Minas Gerais. Mal conseguimos digerir a eliminação, mas o futebol não espera por ninguém.

Com a Raposa jogando em casa e empurrada pelo apoio da nossa torcida, o objetivo será claro: entrar em campo com intensidade máxima, buscar os três pontos e seguir firme na caminhada pelo Brasileirão. É jogo grande, adversário gigante e, acima de tudo, uma noite que pedirá o Mineirão pulsando do primeiro ao último minuto!

Por Mury Kathellen 

*Esclarecemos que os textos trazidos não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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