A ESPERA ACABOU! SOMOS BI!


Espanha domina a final e o título volta para casa

Confesso que não sei como começar isso aqui. Fazem algumas horas que o juiz apitou o fim da partida, mas a ficha ainda não caiu. O coração continua acelerado, o sorriso insiste em não sair do rosto e a única certeza que tenho é uma só: voltamos ao topo do mundo.

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Foram 16 anos de espera. Três Copas se passaram até enfim voltarmos a levantar essa taça novamente. Chegou o momento desta nova equipe sentir o peso dessa taça e a sensação que é levantá-la após o apito final, diante da sua torcida. E ela veio na tarde deste domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, após derrotar a Argentina por 1 a 0, na prorrogação.

Entramos nessa competição como favoritas e, no final, fomos coroados com aquilo que era nosso por direito. Fomos crescendo gradativamente na competição, conforme as partidas iam pedindo. Sem afobação e sempre impondo o nosso futebol, o estilo Espanha de ser, deixando para trás fortes seleções, pegando um chaveamento difícil, mas que, no fim, coroou o elenco do Luís de La Fuente, que deu conta do recado.

Falando no treinador, que trabalho incrível faz o Luís diante dessa seleção. Trabalhando na Fúria desde a base, vendo suas apostas e convicções crescendo diante dos seus olhos e, no final, sendo coroado com a taça!

Como foi bom desfrutar dessa Espanha na Copa do Mundo. Como foi maravilhoso ver a evolução de cada um e também de todo o coletivo, com os atletas se ajudando e brigando por cada bola, lutando pelo seu e pelo seu companheiro de equipe. Um time titular e reservas onde todos, exatamente todos, foram muito importantes.

Tivemos, durante os 90′ mais a prorrogação inteira, o que já era esperado: domínio absurdo da Espanha, ditando o jogo e controlando a bola, fazendo os hermanos correrem atrás da pelota. Apesar da superioridade em campo – e os números afirmam isso -, a Roja encontrou dificuldade no último passe, na hora da finalização.

Chances não faltaram, seja no chute desviado do Yamal no primeiro tempo, até na cabeçada sem direção do Merino, já nos minutos finais dos primeiros 15′ da prorrogação. Em uma partida em que a Espanha dominava e os hermanos não sentiam nem o cheiro da bola, o nome adversário foi ninguém menos que Dibu, salvando a Argentina de levar uma goleada histórica na final da Copa do Mundo.

Quanto mais o relógio andava e a Espanha empilhava chances perdidas, mais o medo aumentava. Não porque a Argentina jogasse melhor, muito pelo contrário. O medo era justamente do futebol castigar quem desperdiçou tantas oportunidades. Até porque as únicas aparições dos jogadores de linha do adversário foram para afastar as chances de perigo da Espanha ou nas faltas que não foram sinalizadas, muito menos levando um amarelo.

A entrada de Nico Williams deu outra dinâmica ao jogo, acelerando mais pelos lados, criando mais chances, mas ainda assim faltava ser letal no último passe, na cara do gol. Antes da partida se encaminhar para a prorrogação, tivemos tempo de presenciar a questionável arbitragem expulsar Enzo Fernández após praticamente jogar Cubarsí para o alto em uma entrada extremamente forte, e ainda vimos o Dibu buscar uma cobrança de falta do Yamal no último minuto do tempo regulamentar. Uma pena.

Se a Espanha já mandava no jogo no 11×11, com a superioridade numérica em campo tivemos jogo de um time só, e o gol passou a ser questão de tempo – e de obrigação.

A lista de gols perdidos foi aumentando, e quando enfim balançamos as redes com Nico Williams no rebote, a arbitragem resolveu aparecer para marcar uma falta completamente inexistente.

Ainda tivemos a chance de abrir o marcador com Mikel Merino, mas ele acabou cabeceando para fora em um lance em que estava totalmente livre de marcação.

Voltamos para o segundo tempo da prorrogação, e apenas 15′ nos livravam das penalidades máximas. Logo no início, finalmente pudemos soltar o grito de gol que estava entalado desde o início da partida.

A jogada começou com cruzamento de Lamine Yamal, cabeceio para trás de Nico Williams e caiu nos pés de Ferran Torres, que mandou um balaço na meta adversária, sem chances de defesa, sem chances de ser anulado, e viu o MetLife Stadium ir à loucura com o provável gol do título.

Em uma final com tantos nomes badalados, com tantos craques que tinham os holofotes voltados para si, o salvador da noite veio de um herói não tão improvável assim. Quem acompanha as partidas do Ferran Torres sabe como ele é mestre em perder gols inacreditáveis, mas é viciado naquele gol decisivo, salvador e que coloca seu nome na história, para jamais ser esquecido.

Gol importante de quem sabe aproveitar as oportunidades que tem, de quem está sempre na grande área em busca da pelota, em busca de chutar para o gol sem pensar duas vezes. Gol de quem entende. O “El Tubarão” ainda chegou a marcar o segundo, mas o VAR viu aqueles impedimentos milimétricos que irritam qualquer um e tirou o gol que seria de alívio.

Antes do apito final, ainda tivemos a chance de ver Nico Williams se embolar com a bola, perdendo uma oportunidade incrível, e o Simeone isolar o que seria a bola do empate. Após ouvir aquele sonoro e maravilhoso apito de fim de jogo, a Espanha finalmente pôde soltar o grito de campeã que já estava entalado há 16 anos.

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Custou, demorou, fomos eliminados precocemente em outros ciclos, mas finalmente o título voltou para nós. Finalmente voltamos a levantar essa taça, quebrando recordes, jogando bem e eliminando grandes e fortes seleções.

A Espanha termina essa Copa do Mundo levantando a taça, eliminando as duas últimas campeãs mundiais e quebrando recordes pelo caminho. Luis de la Fuente encerra o torneio com a melhor defesa entre todos os campeões mundiais: foi apenas um gol sofrido em oito partidas, marca que também coroou Unai Simón com a Luva de Ouro.

Pau Cubarsí foi eleito o melhor jogador jovem da competição e ainda saiu reconhecido como o melhor defensor do Mundial. Rodri levou, com toda justiça, o prêmio de melhor jogador da Copa, comandando o meio-campo espanhol durante toda a campanha.

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Mas, acima de qualquer prêmio individual e do título, essa geração conquistou e mostrou para o mundo o feito que jovens atletas podem realizar. Deixam para trás comparações com o elenco de 2010, traumas de eliminações passadas e cravam seus nomes na história da Espanha. Construíram seus próprios legados, coisa que jamais será apagada.

Da estreia cheia de dúvidas até a volta olímpica em Nova Jersey, essa Espanha mostrou ao mundo que jogar bonito continua sendo importante, mas jogar como um time é o que faz nascer campeões.

Depois de 16 anos, o mundo tem novamente as nossas cores, e agora iremos buscar o tri dentro da nossa casa. 

Nos vemos daqui a 4 anos!

¡¡VIVA ESPAÑA, CAMPEONA DEL MUNDO!!

Por: Thais Santos

Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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