Em noite fria no Independência, Coelho empata com o Londrina, segue sem vencer em casa e permanece na lanterna da Série B
A cada rodada parece que o roteiro se repete. O América joga, cria, dá sinais de que finalmente vai conquistar a tão esperada vitória, mas alguma coisa acontece no caminho e os três pontos escapam. Na noite desta segunda-feira (13), não foi diferente.

Diante de um Independência gelado e de um torcedor que mais uma vez compareceu na esperança de assistir ao início da reação americana, o Coelho empatou por 1 a 1 com o Londrina e segue afundado na última colocação da Série B.
Dessa vez, porém, a partida teve um significado diferente para esta setorista que vos escreve. Pela primeira vez tive a oportunidade de acompanhar um jogo do América de dentro do campo, uma experiência completamente diferente daquela vivida nas arquibancadas. É curioso como a proximidade muda a percepção do futebol. Você escuta a comunicação dos jogadores, percebe detalhes que a televisão não mostra e, principalmente, consegue enxergar muito mais claramente as reações após cada erro, cada chance desperdiçada e, principalmente, após o apito final.
O jogo começou equilibrado, mas foi o América quem criou as melhores oportunidades da primeira etapa. Logo aos sete minutos, Gabriel Barros acertou a trave. Pouco depois, Guilherme Parede reclamou de um possível pênalti, e Paulo Victor ainda teve uma finalização salva praticamente em cima da linha pela defesa paranaense. O Londrina apostava em um bloco defensivo compacto e tentava responder apenas nos contra-ataques.
A insistência americana finalmente foi recompensada nos acréscimos do primeiro tempo. Em belo lançamento de Dalbert, Segovinha dominou pela esquerda, finalizou cruzado e viu a bola tocar na trave antes de morrer no fundo das redes. Era o prêmio para um América que, embora não encantasse, fazia o suficiente para ir ao intervalo em vantagem, conforme narrou João Marcelo Cardoso, da Itatiaia.
Só que, mais uma vez, a vantagem durou pouco.
O Londrina voltou mais agressivo para a etapa final e, aos 12 minutos, Yago Lincoln apareceu completamente livre na pequena área para empatar de cabeça após cobrança de escanteio. Um lance que escancara um problema recorrente da equipe: a dificuldade de sustentar resultados e a enorme fragilidade defensiva em bolas paradas.
Depois do empate, o América retomou o controle da partida. Criou, pressionou, empurrou o adversário para trás e transformou os minutos finais praticamente em um ataque contra defesa. Faltou, novamente, aquilo que tem faltado durante praticamente toda a temporada: transformar volume de jogo em gols. E, ironicamente, quem quase saiu vencedor foi o Londrina. Já nos acréscimos, Gilberto marcou para os paranaenses, mas o gol acabou anulado por impedimento após revisão do VAR, evitando uma derrota que seria ainda mais dolorosa.

Ao final da partida, chamou atenção a entrevista do técnico Umberto Louzer. Segundo ele, o ponto conquistado deve ser valorizado diante da sequência negativa que o América vinha acumulando. Particularmente, tenho dificuldade em acreditar que esse discurso encontre eco entre os torcedores. Quando se ocupa a última colocação da Série B, jogando em casa contra um adversário que também luta na parte de baixo da tabela, um empate dificilmente pode ser tratado como um bom resultado.
E talvez seja justamente aí que mora o maior problema do América.
Tenho repetido isso há algumas rodadas e ontem pude sentir ainda mais de perto. Não me parece um elenco desinteressado. Muito pelo contrário. O que vi depois do apito final foram jogadores cabisbaixos, alguns demorando para deixar o gramado, outros olhando fixamente para o vazio enquanto a torcida deixava o estádio. A expressão estampada no rosto deles não era de quem simplesmente não se importa. Era de quem parece sinceramente não entender por que as coisas continuam dando errado.
Isso, obviamente, não elimina a responsabilidade de ninguém. O América erra muito, especialmente nas duas áreas. Continua criando mais do que finaliza, continua concedendo gols evitáveis e segue pagando caro por erros que se repetem rodada após rodada. Mas, olhando de perto, a sensação é de que existe algo maior acontecendo. Algo que ultrapassa questões puramente técnicas ou táticas.
O clima ao final da partida era de velório. Não havia protestos exagerados, não havia revolta generalizada. Havia apenas um silêncio pesado de quem começa a enxergar o tempo passando e a tabela ficando cada vez mais preocupante. A esperança ainda existe, porque o torcedor americano parece incapaz de abandoná-la completamente. Mas ela já não aparece com a mesma força de algumas rodadas atrás.
E quem ainda escolhe acreditar terá pouco tempo para respirar. Na próxima sexta-feira (17), às 19h, o América recebe o Ceará, novamente no Independência. Será mais uma oportunidade para tentar iniciar a reação e diminuir a distância para os concorrentes diretos na luta contra o rebaixamento. A margem para erros praticamente acabou. Agora, cada rodada passa a ter peso de decisão.
Laura Assis Ferreira
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